O Herói de Hacksaw Ridge (2016)

Título Original
Hacksaw Ridge

Género
Guerra

Realizador
Mel Gibson

Argumentistas
Robert Schenkkan e Andrew Knight

Elenco
Andrew Garfield, Sam Worthington, Vince Vaughn, Teresa Palmer, Hugo Weaving


O socorrista militar Desmond T. Doss, que serviu durante a 2ª Guerra Mundial na Batalha de Okinawa, recusa-se a matar, e torna-se o primeiro homem na história a ganhar a Medalha de Honra sem disparar um único tiro.


Foi em 2006 que “Apocalypto” chegou às salas de cinema.
Foram precisos 10 anos para Mel Gibson conseguir sair do purgatório em que foi inserido pela hipócrita elite de Hollywood.

E que regresso fenomenal que ele tem. “Hacksaw Ridge” é provavelmente o melhor filme na sua carreira enquanto realizador.
Tratando os temas que já são familiares na sua obra cinematográfica, Gibson foca com este filme o patriotismo, a fé, o orgulho, a honra, respeito e amor, naquele que é possivelmente o filme pacifista mais violento de sempre.

Robert Schenkkan, que já tinha trabalhado nesta mesma zona de guerra coma fenomenal série The Pacific, consegue juntamente com Andrew Knight um argumento conciso, focado e coerente.
É verdade que é assombrado por alguns clichés já muito comuns neste tipo de filmes, contudo, tendo em conta o poder da história base e das prestações fenomenais que todo o elenco oferece, são falhas fáceis de ignorar.

Resultado de imagem para Hacksaw Ridge Poster

Andrew Garfield que interpreta o herói da história, Desmond Doss, tem sem dúvida alguma a melhor prestação da sua carreira até ao momento, algo que poderá ser ultrapassado na sua colaboração com Martin Scorcese que também está para sair em breve.

A forma como ele agarra esta personagem e a transforma em algo seu é emocionalmente tocante e desgastante. Desde o seu olhar apaixonado, até ao olhar de completo desespero e medo quando se vê rodeado por tanta morte e destruição, passando ainda por uma demonstração inacreditável de coragem e compaixão, não há um único momento em que esta máscara que ele coloca fraqueje ou se torna duvidosa.
Contudo este seu trabalho é ancorado por todo um desempenho magnífico do elenco de apoio. E dentro deste há dois nomes que tenho que destacar: Hugo Weaving e Vince Vaughn.

Weaving interpreta Tom Doss, o pai de Desmond. É uma personagem que ou vai criar ódio ou compaixão por parte do espectador, e independentemente de qual for o extremo que despertar, será justificado e compreensível. Contudo, Gibson faz aqui um bom trabalho em deixar clara a sua posição de compreensão e apoio àquilo que a personagem é e representa.
Sendo um homem que foi para a guerra e viu os seus amigos morrerem, Tom regressa diferente, perdido, angustiado e cheio de ódio. Ódio para com o seu país, ódio para com os seus amigos que o deixaram, ódio para com o exército que serviu, mas acima de tudo, ódio para consigo mesmo. Ódio por aquilo que fez e aquilo em que se tornou.

A forma que encontra para descarregar este ódio é embebedando-se e agredindo a sua mulher e os seus filhos. E esta é uma altura em que é fácil odiar a personagem, mas, e é aqui que o filme me conquistou, ele acaba por ser mais tarde revelar-se um pai preocupado, um pai apaixonado pelos seus filhos com um amor que o leva a fazer qualquer coisa, inclusive vestir a farda novamente a farda que tanto ódio e nojo lhe desperta.
Um actor menos capaz não conseguia transmitir todas estas emoções, mas Weaving entrega-se de corpo e alma, conseguindo intimidar e ao mesmo tempo pedir pena e compaixão. É uma prestação que em tão pouco, diz tanto, e espero honestamente que seja reconhecida na altura das nomeações.

De seguida temos Vince Vaughn. Eu sou um fã enorme deste actor, e mesmo os filmes mais fracos que ele faz, continuo a ter prazer em vê-lo. Mas, com isto dito, é alguém que andava perdido. A personagem que interpretava era sempre a mesma em todos os filmes, a mesma criança adulta que pedia carinho e amor do público com o seu comportamento descontraído e humor sarcástico enquanto cometia erro atrás de erro até compreender que estava na altura de crescer e assumir responsabilidade. O público fartou-se, as receitas dos filmes baixaram e Hollywood começou a metê-lo de lado.
E respeito muito o facto de ele se ter começado a reinventar, começando pela segunda temporada de True Detective e agora com Hacksaw Ridge.

Gibson realiza aqui um filme de guerra, que ao mesmo tempo é tão mais que isso. É um romance, é um drama familiar, é um thriller e é cheio de acção.
E é aqui que possivelmente afastará os mais sensíveis. É um filme muito violento e com uma grande quantidade de gore e momentos sangrentos.
Mas, na minha opinião, todas as gotas de sangue e balas disparadas são necessárias para dar poder e fundamento à história de Desmond e à sua coragem.

Nunca um intervalo na sessão de cinema foi tão necessário como neste filme, o meu coração corria no meu peito, senti-me assustado, nervoso e preocupado durante o momento explosivo em que a guerra começa e se desenrola sem parar durante cerca de 20 minutos sem qualquer momento para abrandar ou respirar.

E é exactamente com isso em mente que tenho de dar os parabéns ao cinematógrafo Simon Duggan. A fotografia, paisagens e ângulos de câmara presentes neste filme são fenomenais.

Desde o grande plano de abertura em que Hacksaw Ridge nos é mostrado com uma explosão de artilharia, parecendo um autêntico inferno na terra, demasiado assustador para parecer real, até ao simplista ângulo de hand-held cam na metralhadora o olhar ao detalhe nunca desaparece.
As explosões, o sangue, as feridas e tudo o que seja relativo à guerra estão conseguidos com grande qualidade.

Contudo o CGI deste filme pareceu-me de fraca qualidade, foram várias as cenas em que era óbvio o uso de green screen, o que me fez distrair e sair do filme por várias vezes.
Questiono-me do porquê de isso ter sido, já que tudo o resto funciona tão bem. Mas, sem dúvida alguma que prejudica e distrai em partes bem fundamentais para o desenvolvimento da história.

Por fim, não podia deixar de mencionar que Rupert Gregson-Williams e a sua banda sonora conseguem bem contribuir para os momentos mais climáticos do filme aumentando a tensão e nervosismo do espectador.


Veredicto Final – 9/10

É um filme que recomendo por vários motivos, sendo o principal a necessidade que a história de Desmond tem de se conhecida, e o quão maravilhoso é que tenha sido tão bem conseguida neste filme fenomenal de Mel Gibson.
Carregado de acção, drama e romance, o filme consegue equilibrar todos estes géneros sem sacrificar nenhum.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s