Análise ao trailer – The Last Of Us Part II

The Last Of Us foi o jogo do ano quando saiu em 2013.

Foi universalmente considerado o melhor jogo do ano e possivelmente um dos melhores jogos de sempre.

Não só ganhou inúmeros prémios,  como sites que nem costumam falar de jogos fizeram questão de o mencionar. Um artigo num site de cinema foi intitulado: The Last Of Us, o melhor filme do ano que não é um filme.

Pessoas que não costumam jogar, ou nem sequer gostam necessariamente de o fazer, ficaram rendidas.

Por isso, sim, foi um grande momento para todos nós.

O motivo pelo qual o jogo foi tão aclamado, é simples: Ele é assim tão bom, pura e simplesmente, não há volta a dar.

Podia elogiar os gráficos, a forma como se joga, o seu progresso de dificuldade, o pormenor de upgrade de armas, o cenário que muda de forma fascinante, o pormenor nos mais pequenos detalhes, as personagens desenvolvidas e interessantes ou até mesmo o trabalho fenomenal por parte dos actores que deram as vozes às personagens.

Podia estar aqui a elogiar tudo isso detalhadamente  e ao pormenor e seria mais que merecido.

Contudo, na minha opinião, o motivo que tornou este jogo em algo tão marcante para tantas pessoas, é a sua história, o seu argumento, a sua narrativa e a forma como se desenvolve.

Não é necessariamente algo de novo, e cai nos clichés dentro do género, mas ainda assim, apesar disso a sua história é tão trágica como emocionante. E a forma como é tratada e desenvolvida cativam o jogador ao ponto de haver realmente quem chorasse durante o jogo, perante tanto drama e sofrimento.

Um vírus aparece, e começa a infectar as pessoas. E no meio do caos, claro que a humanidade começa-se a perder mais depressa do que o vírus se espalha, e não tarda até as pessoas começarem a matar-se umas às outras devido ao medo e à ignorância.

Assim, Joel, a personagem principal, perde a sua filha às mãos de um soldado que estava a cumprir ordens, não podia nem devia deixar ninguém sobreviver, queriam conter a situação.

Ela morre, e com ela morre grande parte da humanidade de Joel.

Muitos anos passam e ele pertence a uma organização rebelde.

O exército tem postos de controlo sobre várias localizações, há um grupo de rebeldes chamado Fireflies que querem encontrar a cura.

No meio de tanto caos, a esperança aparece na figura de Ellie, uma rapariga jovem, perto da idade que teria a filha de Joel. Ellie não consegue ser infectada pelo vírus, e torna-se assim a esperança da humanidade. É Joel, quem fica encarregue de a levar a um hospital onde irão ficar com ela. Apesar de o fazer com relutância ao início, a sua relação vai-se desenvolvendo e eles ficam mais próximos.

Ele é encarregue de a levar a atravessar o país até a um grupo de médicos, pois têm esperança de conseguir curar a humanidade.

Até aqui, nada de novo, já se viu várias vezes.

Mas, a relação entre estas duas personagens vai crescer, a controlar-mos Joel, na companhia de Ellie, nós enquanto jogadores, e eles enquanto personagens, vamos atravessar um autêntico inferno, onde a única coisa mais perigosa que os infectados comedores de carne, são os humanos desesperados pelos nossos mantimentos, ou pior.

A relação entre Joel e Ellie vai crescer até um nível de dependência, o desprezo inicial entre ambos desaparece e é substituído por um amor puro, inocente e tão profundo como o de um pai e uma filha.

E é isso, no meio de um argumento com grande diálogo e ao longo de excelente acção e drama que vai fazer qualquer pessoa apaixonar-se pelo que está a acontecer.

O final foi mais controverso. Joel descobre que para criar o antídoto a partir de Ellie, ela precisa de morrer, então, mata todos no hospital e foge com ela.

Quando ela lhe pergunta o porquê de se terem ido embora, ele mente, e diz que afinal havia muitas outras pessoas imunes ao vírus, e não adiantou de nada, não há cura possível.

É um final controverso, porque demonstra um homem a sacrificar a esperança da humanidade por uma única rapariga.

E enquanto uns irão compreender que o que está ali, no fundo, é um pai a querer salvar uma filha.

Outros irão argumentar que é uma decisão egoísta, que podia ter salvo o mundo, que não é a solução, e que obrigá-la a continuar num mundo destes só irá matá-la de forma mais dolorosa e assustadora, que não haverá final feliz para ninguém.

Eu, pessoalmente, sou um daqueles que se insere no primeiro grupo, ele fez o correcto em salvá-la. Contudo, não deixo de compreender as pessoas que argumentam o contrário, é mais racional até certo ponto. Mas para mim, o ser humano continua a ser emocional, e é assim que deve ser, mesmo que isso nos faça errar primeiro antes de aprender.

Então, é aí que encerra o primeiro jogo.

Durante todo este tempo não sabíamos se haveria um segundo, havia rumores, havia esperança mas não havia certezas, e muito menos qual o nível de desenvolvimento em que estava.

O lançamento deste trailer confirma não só a existência de uma sequela, mas também de que as coisas estão a desenvolver-se mais rapidamente do que seria esperado.

Mas, tendo em conta o sucesso que o primeiro teve, é perfeitamente compreensível.

Poderia estar assustado, que isto fosse uma tentativa de lucrar com uma ideia boa e que fosse estragar a memória do original por não ser sentido e tido com emoção.

Mas o estúdio Naughty Dog tem toda a minha confiança, amor e carinho.

Provaram isso com Uncharted, melhoraram a cada sequela, e acabaram em grande, com um final que admito que me apanhou de surpresa e me aqueceu o coração.

É um estúdio que está a desenvolver jogos com narrativas mais cativantes que muitos estúdios de cinema, e isso para mim é muito importante.

É um estúdio que merece a confiança de qualquer jogador.

Agora, vamos então analisar o trailer, e desculpem o ter-me alongado nesta introdução, mas acho que torna mais fácil entender a importância deste trailer com a informação inicial para quem pudesse estar um pouco de fora do tema.

O trailer não revela nada sobre a história. Começa com uma visão de uma floresta, onde vemos o símbolo dos Fireflie num sinal de stop, e de seguida temos Ellie, mais velha (no primeiro tinha 13 anos, neste tem 19) sentada numa cama num quarto de uma casa qualquer a tocar uma guitarra e a cantar.

A música que ela canta é a Through The Valley de Shawn James. A letra é sobre alguém que caminha pelo vale dos mortos, sem medo do mal porque está cego para ele, a sua mente a sua arma confortam-no. É alguém que sabe que está a cometer algo de errado e que a sua alma estará condenada quando morrer. E devido a isso não podem andar no caminho do correcto, do bem.

De seguida vemos Joel a entrar na casa, passar por vários mortos até ela (que presumivelmente ela terá morto) e a perguntar-lhe se ela realmente vai seguir com aquilo em frente…

Ao qual Ellie responde que só irá descansar quando eles estiverem todos mortos.

E é tudo, acaba.

Agora, já há algumas teorias sobre o que se pode estar a passar.

Teoria nº1 – Ellie está morta.

Não tem qualquer sentido. Sabemos que é com ela que nós vamos jogar. E se ela estivesse morta a jogabilidade não iria ser relevante, não teria qualquer consequência, para mais, ao fim do jogo anterior, e de tudo aquilo que Joel faz para a salvar, criar uma história em que ela estaria morta não iria ter sentido. E muito menos o facto de ser ela que está sozinha nuca casa enquanto Joel vai ao seu encontro.

Teoria nº2 – Ellie está grávida.

Mais possível que a primeira. A barriga dela nunca é mostrada, e inclusive na imagem promocional lançada há muito tempo ( que tenho na capa deste artigo), ela também tem a barriga tapada com a guitarra.

Seria possível que, já que não conseguiram o corpo dela, alguém a tenha inseminado artificialmente de forma a usarem o filho dela, ou então ela pode até mesmo ter engravidado por alguma relação consensual (afinal ela tem 19 anos), e agora estão atrás dela por causa do filho, de forma a usarem-no para algum criar a cura ou o estudarem.

Se isso for verdade, compreende-se que ela o queira proteger a todos os custos. Contudo, não faz sentido o ela dizer que só descansará quando todos tiverem mortos, e a letra fala sobre a pessoa saber que está errada, ela ali não estaria errada, estaria apenas a proteger-se.

O que me leva à terceira teoria, e a que eu acho que é a verdadeira.

Teoria nº3 – Joel está morto.

É um choque eu sei, a personagem que todos adoramos, com que jogámos, morreu…

Mas, é algo com lógica. Alguém, algures o matou, possivelmente os Fireflies em vingança, já que o símbolo deles aparece no trailer na zona em que eles estão, o que significa que ela pode ter ido ali especificamente para os matar.

Assim sendo, o Joel que fala com ela, e a quem ela responde é uma visão. Alguém que lhe aparecerá ocasionalmente durante o jogo em momentos cruciais, ou então uma visão que estará sempre com ela. Não temos informação sobre o seu estado mental, mas uma criança a crescer num mundo daqueles certamente que poderá estar afectada e com traumas psicológicos.

Para mais, quando Joel aparece no trailer, ele surge numa luz branca, do nada, como se fosse uma aparição.

Contudo, tendo em conta a ideia de buddy sistem que constitui o primeiro jogo, é possível que a visão que ela tem esteja a ser projectada sobre outra personagem que ainda não conhecemos…ou quem sabe, o irmão dele a ajudá-la, já que também estará afectado pelo que aconteceu.

Com essa ideia de vingança, já é mais fácil compreender as letras de ela estar cega para o mal e para tudo o resto, por saber que ao embarcar naquele caminho de massacre e vingança, em que matará tudo e todos, esteja a condenar a sua alma.

Isto, como é óbvio são tudo teorias, mas acho mesmo que esta faz muito sentido e dá um grande poder à história e à narrativa.

Claro que teremos de esperar por mais alguma informação por parte do estúdio.

Para já, tudo o que sabemos é que Ellie é a personagem com que jogamos, e que desde a última vez, ela já viu e atravessou momentos muito difíceis.

Anúncios

One thought on “Análise ao trailer – The Last Of Us Part II

  1. Its like you learn my mind! You appear to know a lot approximately this,
    like you wrote the e book in it or something. I
    think that you just can do with a few % to power the
    message home a bit, but instead of that, that is wonderful blog.
    An excellent read. I’ll certainly be back.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s