The Accountant – Acerto de Contas (2016)

Título Original
The Accountant

Género
Thriller

Realização
Gavin O’Connor

Argumento
Bill Debuque

Elenco
Ben Affleck, J. K. Simmons, Anna Kendrick, Jon Bernthal e Jeffrey Tambor


Um autista utiliza os seus dons matemáticos para ser contabilista de criminosos.
Quando faz uma descoberta extremamente perigosa, tanto ele como muitos outros se tornam alvos a abater.


The Warrior, com Tom Hardy e Joel Edgerton, foi um dos melhores filmes de 2011. Um drama sobre o desporto que pega em todos os clichés do género e os transcende com actuações poderosas e arrepiantes (especialmente a de Nick Nolte) e uma direcção segura por parte de Gavin O’Connor.

Assim, quando soube que o mesmo estava a realizar um thriller de acção com: Ben Affleck, Anna Kendrick, Jon Bernthal, J.K. Simmons, Jeffrey Tambor e John Lithgow, fiquei muito curioso e ansioso.

Mas no final, desapontou.

Não é que seja um filme mau, mas também não é necessariamente um filme bom.
É fraco, desperdiça muitas oportunidades de ser algo com qualidade e rivalizar com os grandes do género como Taken ou até mesmo a série Bourne.

A ideia base para o filme é interessante. Um autista, que usa os seus dons matemáticos para manter os registos financeiros de criminosos o mais limpo possíveis. Ao mesmo tempo que é uma autêntica arma mortífera, devido à educação que teve. O seu pai, não queria que os seus filhos fossem vítimas, por isso deu-lhes um treino e educação militar, envolvendo combate físico e treino com armas.

O realizador e argumentista tentaram fornecer uma história completa, sobre quem ele é e de onde vem.  São fornecidos ao espectador vários flashbacks de forma completar o passado de Christian. Mas tornam-se cansativos. Algures aqui está um filme melhor, mas entre outras coisas, precisava de uma edição diferente.

O início do filme, uma cena que será novamente referida perto do final, é desnecessário. Acaba por ser irrelevante ela ser fornecida ao início, não acrescenta nada nem deixa mais curiosidade. São apenas mais mortes numa história cheia delas. Tendo em conta os flashbacks durante o filme, acharam por bem começar também com um, mas a verdade é que aqui, nenhuma personagem o está a ter, é apenas algo que o realizador achou por bem colocar como cena de abertura, e assim sendo, falha.
Falha porque não temos explicação para ela e na altura nem sabemos que é flashback, falha porque não nos diz nem faz sentir nada, e falha porque quando ela é referida novamente, voltamos a ter a mesma cena não só mais uma, mas sim duas vezes.

O realizador tenta certificar-se que deixa tudo tão bem explicado para a audiência que exagera, ofende um pouco o espectador no sentido em que parece achar que não haveria inteligência suficiente do outro lado do ecrã para compreender o que estava a acontecer a menos que ele parasse o desenvolvimento da história para recapitular tudo o que já foi dito.

É um filme previsível e com muitos clichés, que tenta surpreender o espectador com quatro das personagens intervenientes.
Uma delas não é quem aparente ser; outra afinal tinha motivos diferentes para fazer o que fez; e as outras duas acabam por ser mais importantes do que aparentam ser inicialmente.
Destas quatro, só uma é que realmente resulta, e é a última a ser revelada.
Das restantes, duas delas foi óbvio desde o começo quem iriam ser, e uma outra apesar de não ser óbvio o porquê, era claro que havia algo mais para além do que foi apresentado inicialmente.

Por fim, e ainda em relação ao desenvolvimento do filme, na tentativa de colocar o Christian como alguém tão inteligente, tão mortífero e tão fatal, todas as outras personagens são, de certa forma, relativamente estúpidas e sem qualquer tipo de ameaça para ele.

A agente que está encarregue de o apanhar é horrível, simplesmente horrível.
Sozinha, consegue em semanas descobrir quem ele é, quando mais ninguém o conseguiu fazer ao longo de vários anos.
E é aqui que o filme enfrenta um impasse. Porque ou reconhece que afinal ele não é tão inteligente e cuidadoso como o fazem ser, ou então admite que não devia ter facilitado tanto o trabalho para esta personagem, que devido a um número absurdo e ridículo de suposições o alcança de forma relativamente fácil.

Tenho, no entanto de mencionar que as coreografias das cenas de acção estão muito boas. Há partes muito reminiscentes daquilo que vemos em John Wick, apesar de um pouco mais contidas.
Actualmente muitos realizadores têm o hábito horrível de utilizar a shaky-cam durante as cenas de acção, ou então saltar de ângulo constantemente, o que não só impede o espectador de ver o que está a acontecer, mas que chega mesmo a deixar náuseas com tanto movimento. Dois exemplos bons podem dizer respeito aos filmes que mencionei no início: Shaky cam é algo muito presente na saga Bourne, apesar de Greengrass ser um realizador que tem um jeito mais interessante e peculiar de o fazer; e o salto de ângulos está presente no horrível Taken 3, pela mão do realizador  Olivier Megaton.
Aqui O’Connor soube filmar a acção de forma calma e contida, deixando o trabalho dos actores e dos duplos falar por si e permitir ao espectador apreciar tudo aquilo que se estava a desenrolar no ecrã.

No que diz respeito às prestações dos actores, só há relevância em mencionar Ben Affleck.
É sem dúvida alguma o trunfo deste filme. Interpreta bem esta personagem conseguindo equilibrar a sua ineptitude social e a sua fraqueza com a sua inteligência e capacidades mortíferas.
Mas, devido à fraqueza do argumento e desperdício dos restantes actores, acaba por não ser suficiente para salvar o filme.

John Lithgow e Jeffrey Tambor são desperdiçados. Os papéis deles são tão pequenos e insignificantes que não há outra justificação para os darem a estes actores a não ser a vã tentativa de fornecer mais prestígio ao filme.

J.K. Simmons é aquela personagem que está lá apenas para ajudar o enredo a seguir em frente, até chegar à altura em que tem de fornecer uma nota chave. É a personagem que existe apenas para explicar à audiência o que se está a passar. E tal como nos dois casos anteriores, é ofensivo colocar um actor deste calibre num papel tão insignificante e vazio.

Anna Kendrick, também contribui pouco ou nada para a história, e a sua participação neste filme, para mim é um pouco agridoce. Por um lado tem uma boa química com o Ben Aflleck, é notório nas poucas cenas que têm em conjunto e conseguem rebater bem as cenas entre si; contudo, por outro lado é uma actriz que não fica bem no meio deste filme, especialmente tendo em conta o interesse amoroso que é suposto desempenhar, devia ter ido para uma actriz mais madura.

Jon Bernthal é um actor que faz bem aquilo que lhe é fornecido, uma versão mais contida daquilo que fez na série Daredevil. Tem também uma prestação pequena, mas mais significativa que as restantes personagens, tendo em conta a contribuição final para a história.

Acaba em aberto e com hipótese de sequela, mas pessoalmente, não vejo o interesse em fazê-lo, a menos que abordem a história e as personagens de forma completamente diferente. Tenho algumas ideias em relação ao que poderiam fazer se quisessem enveredar por esse caminho, mas iria estar a fornecer spoilers sobre o filme, por isso, opto por não o dizer aqui.


Veredicto final: 5/10

É um filme com potencial, mas que desperdiça a sua originalidade e o talento dos seus actores numa história mal desenvolvida e pouco equilibrada.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s