Crítica – A Evocação (2013)

Título Original
The Conjuring

Género
Terror

Realizador
James Wan

Argumentista
Chad Hayes e Carey W. Hayes

Elenco
Patrick Wilson, Vera Farmiga, Lili Taylor e Ron Livingston


Os investigadores do paranormal, Ed e Lorraine Warren, ajudam uma família que está a ser aterrorizada por uma entidade negra na sua casa.


Não vejo muitos filmes de terror, não é um género que me suscita grande interesse. E dentro dos que vejo, tento escolher aqueles que envolvem assassinos em série, ou algum mistério mais “realista”, e evito filmes de fantasmas ou de assombrações, especialmente porque acabam todos por cair nos mesmo clichés e tornam-se muito repetitivos.

Há muitos filmes a serem feitos sobre os mesmos temas, e aquilo que se pode fazer com um dado assunto, por mais imaginação que se tenha, acaba por ter os seus limites. São várias as séries de exorcismos, e acabam por ter histórias muito semelhantes.
Alguém é possuído, a cara fica diferente e assustadora, a voz muda, alguém vomita, alguém flutua, ouvem-se barulhos estranhos e eventualmente, no terceiro acto, ocorre o exorcismo. Alguns podem tentar mudar a ordem, ou criar alguma espécie de surpresa no final, mas regra geral, é este o percurso.

A Evocação foi um filme que teve surpreendentemente, grande sucesso, o que desde então já originou uma sequela (A Evocação 2) e uma prequela (Annabelle).
Com um orçamento pequeno de apenas 20 milhões de dólares, conseguiu gerar uma receita de cerca de 138 milhões.

Então, quando ontem estava a navegar na Netflix, deparei-me com o filme, e decidi dar uma oportunidade ao material.

O filme é baseado na vida de Ed e Lorraine Warren, um casal de investigadores do paranormal, contudo o filme irá focar-se num caso em particular.
Roger e Carolyn Perron mudaram-se com as suas cinco filhas para uma nova casa.
Ao início tudo o que ouvem são barulhos, relógios a parar e algumas coisas a cair inexplicadamente, mas quando começam a ser atacadas e a ter visões, Carolyn decide contactar o casal Warren para os ajudar.
Quando chegam ao local, estes apercebem-se que a casa e todo aquele terreno está possuído por uma forte entidade negra, que tem morto todos aqueles que vivem naquela área desde há muitos anos.

A partir desta premissa, o caos e o terror começam a aumentar gradualmente até, como seria de esperar, ter a sua conclusão horrorífica no acto final.

James Wan, o realizador deste filme, faz aqui um bom trabalho, conseguindo manter uma evolução calma e controlada do terror.

É um filme que não se apressa a chegar ao fim, mas que também não se torna mais longo do que o necessário, e isso não é algo que se vê sempre neste género.
Tudo o que envolva fantasmas deve ser feito com calma, com um terror progressivo que comece com algo muito simples, como algo a cair ou a bater, até realmente possuir e atacar alguém, são as regras necessárias.

Alguns realizadores com medo de aborrecer a audiência começam logo com algo demasiado grande, e depois não conseguindo manter esse ritmo durante todo o filme, ele vai lentamente morrendo e perdendo o seu brilho.
Outros, corrigem isso demasiado, e então avançam lentamente demais, tornando uma história curta em algo desnecessariamente longo, o que se torna aborrecido e faz com que o espectador perca o interesse.

James fica no meio termo, o termo perfeito aliás, começando com algo simples, mas evoluindo a um passo moderado e constante à medida que vai sendo revelado quem, ou neste caso “o quê”, está a ser a origem do pesadelo desta família e como podemos tentar combatê-lo.

O que assusta mais, por vezes, não é aquilo que vemos, mas sim aquilo que julgamos ver.
A imagem que se vai formando na mente da vítima, é sempre mais assustadora do que realmente existe. Um filme que faz muito bom uso dessa ideia é, por exemplo, O Senhor Babadook (2014).
A Evocação também consegue ter algum sucesso nesse campo, evitando mostrar em demasia, deixa apenas as personagens terem as suas visões, enquanto não revela muito ao espectador sobre aquilo que elas realmente estão a ver, não de início pelo menos.
E optando por essa via, e talvez também devido ao baixo orçamento que o filme tem, temos a presença de efeitos práticos em vez do uso abundante de efeitos especiais.

Os efeitos práticos, quando são bem feitos, com boa maquilhagem e colocados na altura correcta do filme, conseguem ser mais assustadores e intimidam mais que o melhor que o CGI tem para oferecer. E este é sem dúvida um aspecto que este filme tem em consideração.

Onde falha um pouco é nos chamados “jump-scares”, aquela técnica tão frequentemente adoptada no terror em que algo surge repentinamente à frente da câmara para assustar a personagem, e por conseguinte, o espectador.
Eu compreendo a necessidade que há em colocar um ou outro, para manter a audiência à beira do seu assento, mas quando o fazemos com frequência, começa a perder o efeito. E são várias as cenas em que o filme o faz duas ou três vezes seguidas, o que torna o susto cada vez menor e previsível.

Os actores fazem todos um trabalho relativamente razoável, sem nenhum deles a merecer destaque especial.
Talvez possa mencionar em particular Lili Taylor e Vera Famiga, mas isso deve-se mais ao facto de as suas personagens terem algum material especial com o qual podem trabalhar.

John R. Leonetti, o cinematógrafo, faz um trabalho interessante com certos ângulos, que ao início me deixaram um pouco a questionar a escolha dele, mas quando a cena termina, compreendo qual era o seu objectivo e vejo a qualidade neles.
Havendo inclusive algumas alturas em que o movimento da câmara desenha uma espécie de cruz,  o que não sei se foi propositado ou acidental, mas a ser propositado é um óptimo simbolismo para aquilo que o filme trata, apesar de não ser apanhado por a maioria da audiência.

Por fim, um destaque para a equipa de efeitos sonoros e dos efeitos práticos, como a maquilhagem e o sangue. É um filme que vive sem dúvida desses dois aspectos, e com qualidade inferior, teria perdido muito o seu poder.
Os sons que por vezes se ouvem, a intensidade e a forma como os criam é realmente assustadora em certas partes, especialmente quando não se vê nada. E a maquilhagem das aparições e na cena final, também estão bem construídas, optaram por uma simplicidade que teve o efeito pretendido.


Veredicto final: 7/10

É um filme que cai dentro de certos clichés do género.
Contudo, devido a uma realização segura e controlada por parte de James Wan, consegue ser uma espécie de “slow-burner”, que se desenvolve a um ritmo lentamente aterrorizador, até chegar a um final frenético em que o passo aumenta drasticamente.

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