Crítica – Gravidade (2013)

Título original
Gravity

Género
Ficção Científica

Realizador
Alfonso Cuáron

Argumentistas
Alfonso Cuáron e Jonás Cuáron

Elenco
Sandra Bullock, George Clooney e Ed Harris


Conta a história de dois astronautas que tentam sobreviver no espaço ao fim de um terrível acidente.


Em 2013, Gravidade foi nomeado para 11 Óscares da Academia.
Apesar de não ter ganho melhor filme do ano, conseguiu vencer 7 Óscares, nas categorias técnicas e de melhor realizador.

O melhor filme do ano, de acordo com a Academia, foi 12 Anos de Escravo.
Mas não se iludam, o filme do ano, e sem dúvida o mais falado e aclamado, foi este, Gravidade.

Ao fim de o ver, e considerar todos os aspectos, desde prestações do elenco, até à realização e ao seu aspecto visual, é fácil compreender o porquê.

Ryan Stone (Sandra Bullock) é uma brilhante engenheira médica na sua primeira missão espacial. Ela faz parte da equipa liderada por Matt Kowalski (George Clooney), um veterano que está na sua última expedição antes de se reformar.
Contudo, numa operação exterior de rotina, são informados que um satélite russo foi destruído e que destroços estão rapidamente a viajar na sua direcção. Não conseguindo evitar o inevitável, a estação é destruída, e Ryan e Matt ficam sozinhos no espaço, à deriva pelo vazio, sem ninguém para os poder ajudar ou salvar, a não ser eles próprios.

É um thriller de ficção científica, carregado de suspense e adrenalina. Mas em muitos aspectos, é também um filme de terror, e a tão famosa tagline da saga Alien “No espaço ninguém te consegue ouvir gritar!” também se pode muito bem aplicar aqui.

Quando somos confrontados com um argumento que vai colocar o filme nas costas de apenas uma ou duas personagens, há duas coisas a ter em conta.

A primeira é o argumento em si.
Forçando a audiência a fazer companhia a tão poucas personagens durante cerca de hora e meia é necessário que sejam criados vários acontecimentos e uma rica experiência visual para não se tornar aborrecido. E ao mesmo tempo um diálogo rico e com alguma profundidade, para criar uma ligação emocional entre o espectador e aquilo pelo qual a personagem está a passar. Esta última parte é fundamental, a audiência tem obrigatoriamente de se interessar e preocupar com a personagem, caso contrário não vai querer saber o que lhes acontece.

A segunda, e igualmente importante, ou talvez mais, é conseguir os actores certos para o papel.
Por mais qualidade que tenha o argumento, se o actor não lhe conseguir dar a intensidade, emoção, paixão e força necessária, então nada do que está no papel se vai transmitir para o ecrã, e voltamos para o cenário da audiência a perder o interesse no filme.

Este é um dos casos em que foram respeitados ambos os pontos essenciais.
O argumento em termos de diálogo é relativamente curto, contudo é rico em acontecimentos e no desenvolvimento que lhes é dado. É criada uma história simples, mas tendo em conta o local em que se insere, e o risco e enorme leque de possibilidades que há, o seu desenrolar é interessante, fascinante e ao mesmo tempo extremamente assustador.

Os actores desempenham os seus papéis com  uma urgência tão intensa que nos faz sentir que realmente está a acontecer todo aquele caos e horror.

George Clooney tem um trabalho relativamente fácil, desempenhando uma personagem que já lhe é muito comum, é de certa forma Danny Ocean (Ocean’s Eleven) no espaço.
Ed Harris, apesar de surgir apenas como uma voz no altifalante, tem um tom tão grave e característico que eleva a qualidade daqueles minutos em que surge, mesmo que seja apenas para expor o que está a acontecer e permitir ao argumento seguir em frente.
E por fim, um dos trunfos do filme, Sandra Bullock. Esta é sem dúvida a melhor prestação da sua carreira. Nesse ano, o Óscar foi injustamente para Cate Blanchett, que entre as nomeadas foi aquela que na minha opinião teve a prestação mais fraca.

Bullock passa a maior parte do tempo de ecrã sozinha, e devido a isso ou fala em monólogo, ou não fala de todo. Não é trabalho fácil para um actor estar nesta posição. Não havendo algo para dizer, é necessário colocar nas expressões faciais toda a urgência de um dado momento, para de seguida passar a expressar medo, raiva, frustração, alívio…enfim, toda uma miríade de coisas que é muito mais difícil de transmitir para a tela quando há algum diálogo para suportar o que está a acontecer e palavras às quais dar ênfase.

Quando comecei a ver o filme achei que ela não iria ser suficientemente capaz de o fazer, que não tinha talento suficiente, e vieram-me à cabeça nomes de actrizes mais indicadas, como Amy Adams ou Emily Blunt
Estava absolutamente enganado. Bullock conseguiu trabalhar na perfeição o material que lhe é dado, criou uma ligação emocional com o espectador, e juntos atravessam este pesadelo, assustados e desesperados com tudo o que se está a passar.

A nível de efeitos visuais e técnicos, é onde o filme realmente se distingue de tudo o que já foi feito.

Alfonso realiza este filme de uma forma tão meticulosa e cuidada que nós sentimos mesmo que estamos no espaço. O CGI neste filme é de uma qualidade inigualável, não há um único momento em que eu tenha questionado alguma cena, algum gráfico, senti exactamente que estava com eles onde era suposto estar, em órbita.
Aqui dou sem dúvida os mais que merecidos parabéns, ao realizador, aos editores e a todos os técnicos de efeitos especiais, visuais e técnicos. Basta estudar a absurdamente longa lista de todos aqueles que trabalharam neste filme para compreender a magnitude do projecto que aqui está em causa.

Ainda no âmbito da imagem, seria sacrilégio não mencionar o cinematógrafo Emmanuel Lubezki. Este homem é um autêntico deus naquilo que faz, é sem dúvida alguma um dos meus cinematógrafos preferidos.
Ele aqui, tendo em conta o uso de green screen, que é praticamente o filme todo, tem um trabalho mais complicado no sentido de que não está a conseguir ver inicialmente a paisagem, não pode necessariamente estar a estudar qual o melhor ângulo, a melhor luz. Isso torna o produto final em algo ainda mais surpreendente. A forma como são filmadas as estações espaciais, a terra, o reflexo nos capacetes, quando aproximar das personagens, quando afastar…sinto honestamente que nas mãos de alguém menos capaz, mesmo com tudo a funcionar exactamente como funcionou, este filme não teria um impacto tão grande.

Por fim, o som.
Num filme que se passa no espaço é algo complicado de fazer. Tendo em conta que o filme se passa num ambiente em vácuo, onde o som não viaja, vão ter de ser meticulosamente trabalhados e cuidados os momentos em que realmente conseguimos ouvir algo. E aqui, o filme volta a deixar-me absolutamente fascinado.
A banda sonora de Steven Price, é adequada, se bem que sou honesto quando digo que preferia não ter qualquer tipo de banda sonora.
Agora, os efeitos sonoros, aí sim, isso fascinou-me. Os ecos, os barulhos abafados, os silêncios longos e intensos, apenas mais um dos aspectos fenomenais que o filme entrega.


Veredicto final: 10/10

Gravidade é um filme obrigatório para qualquer cinéfilo.
Com uma prestação intensa de Bullock e um trabalho incrível por parte de Alfonso, este é um filme que em termos técnicos e visuais tem tudo para ser um autêntico marco histórico na evolução do cinema.

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