A Firma (1993)

Título Original
The Firm

Género
Thriller

Realizador
Sydney Pollack

Argumentistas
David Rabe, Robert Towne e David Rayfiel.

Elenco
Tom Cruise, Gene Hackman, Hal Holbrook, Ed Harris e Gary Busey


Um jovem advogado junta-se a uma prestigiada firma de direito, apenas para descobrir que ela tem um lado bem negro, e uma vez lá dentro, já não há saída possível.


Mitch McDeere (Tom Cruise) é um jovem com um futuro muito promissor no mundo da lei. Prestes a fazer o exame da ordem, é-lhe oferecida uma proposta de emprego por parte de uma firma muito prestigiada. Proposta essa que ele aceita de imediato.
Seduzido pelo dinheiro, o luxo e o aparente ambiente familiar que os seus funcionários partilham, ele ignora o óbvio lado negro de tudo o que o rodeia.
Quando dois sócios são assassinados, ele é abordado por dois agentes do FBI a pedirem-lhe informações. Incomodado por este acontecimento, decide começar a investigar, e de repente descobre que acabou de arruinar a sua vida.
Agora, tem apenas duas escolhas: ajudar o FBI ou manter-se na firma. Seja como for, a sua vida, como ele a conhece, acabou.

Baseado num livro de John Grisham, a história que nos é aqui oferecida é interessante e tem potencial. Contudo, houve algumas partes no seu desenvolvimento que me incomodaram.

A Firma,  é um thriller intenso e com suspense, que tenta manter o espectador a suster a sua respiração à medida que o cerco à volta de Mitch vai ficando cada vez mais apertado, até parecer realmente impossível ele conseguir sair de lá.

Todavia, a história é previsível, e não há realmente nenhum momento em que eu tenha ficado preocupado com alguma das personagens ou com dúvida em relação ao final.

Há inúmeras falhas que me incomodaram, o filme espera que o espectador não coloque qualquer tipo de pergunta, que apenas aceite tudo o que está a acontecer. E o motivo pelo qual o espectador não pode colocar essas questões, é porque isso revela as enormes lacunas que o argumento tem.
Mitch tem um irmão, Ray McDeere (David Strathairn), que está na prisão. Eles não se falam há algum tempo, já que Mitch quer subir na vida e ignorar o seu passado familiar. Assim sendo, oculta esse lado da sua família, oculta o facto de ter um irmão na prisão, para não prejudicar a sua procura de emprego.
Compreendo isso, compreendo até o facto de qualquer outra firma não investigar isso, mas não compreendo e não aceito o facto de isso passar ao lado desta firma até cerca de metade do filme.

Esta firma é apresentada ao espectador como sendo absolutamente mortífera, qualquer pessoa que se queira demitir, ou sequer pense nisso, é imediatamente morta e fazem com que pareça um acidente. Fazem isto tão bem e sem incidentes que o FBI anda há mais de quatro anos a investigar sem conseguir ter qualquer tipo de prova.
E é suposto eu acreditar que antes de fazerem um proposta de emprego a alguém, não fazem uma investigação extensiva à vida dessa pessoa? Ilógico.

Mas, mesmo que aceitasse isso, tudo o que acontece a seguir é igualmente incomodativo.
Mitch, quando confrontado com as duas hipóteses que lhe são oferecidas, decide criar uma terceira. Um novo caminho, que lhe permite manter a sua vida, dentro dos possíveis, e manter a sua integridade moral e o respeito que tem pela lei e aquilo que ela representa.
Então, descobre acidentalmente uma forma de conseguir arruinar a firma sem ter que trabalhar para o FBI.
E o plano que ele vai desenvolver para o fazer, em muitos aspectos, é realmente elaborado e inteligente. Mas, em muitos outros aspectos, volta a pedir ao público que simplesmente aceite o que vai acontecer.

A dada altura Mitch contacta um detective particular para investigar o que está a acontecer, interpretado por Gary Busey. Ele contrata-o a meio da manhã, à noite ele é morto por andar a investigar a Firma. Ou seja, num espaço de horas eles souberam que alguém os andava a investigar. Matam-no sem fazer parecer algum acidente, e nem investigam a secretária dele para saber se havia já algumas provas que ele tivesse encontrado, ou até mesmo algo em que estivesse apenas apontado o nome da firma. E porque não o fazem? Porque se o fizessem iriam encontrar a mulher que estava escondida e que vai ser crucial para o plano de Mitch. Uma mulher que claramente se mantém atrás de uma secretária, de cabeça encolhida, olhos fechados, e que mesmo assim sabe dar uma descrição perfeita dos homicidas.

Mitch, na tentativa de evitar que a Firma desconfie de si, admite aos patrões que foi abordado pelo FBI, mas que não lhes disse nada nem tem interesse em dizer.
Os patrões que nesta altura já sabiam que alguém tinha contratado um detective particular, não estranharam o membro mais jovem da sua equipa ser o primeiro advogado a ser abordado…

Resultado de imagem para The Firm

Podia continuar a apontar lacunas no argumento, mas acho que já dei a entender a minha posição.

Em relação à parte técnica do filme não há realmente nada de relevante a apontar. É um filme muito semelhante a tantos outros deste género.

Holly Hunter foi nomeado para Óscar, pela sua prestação como Tammy, a tal testemunha que mencionei antes. Não compreendo de todo esta nomeação, faz um bom trabalho, mas não se eleva em relação a nenhum outro actor.

A melhor prestação do filme, na minha opinião, é a de Gene Hackman que interpreta Avery Tolar, aquele que será uma espécie de mentor para Mitch.
É também a personagem mais interessante, devido ao sinal de aviso que representa para aquilo em que Mitch se pode tornar. Contudo, a infatuação que vai sentir pela mulher de Mitch (Jeanne Tripplehorn) é algo que nunca é realmente explicado ou justificado, será apenas algo que mais tarde será necessário para o argumento. Uma firma que se apresenta como família, que tenta ao máximo evitar atritos, não iria de todo estar a permitir que fossem criados problemas por casos de infidelidade entre sócios. Mas, a lógica não é algo em que este filme se foque.


Veredicto Final: 4/10

É um filme interessante, com uma premissa cativante e promissora, mas nunca chega a ser mais que isso.
Incoerências e lacunas num argumento pouco desenvolvido obrigam o espectador a desligar o cérebro para um filme que faz um grande esforço para ser inteligente.
Dentro do género, e das adaptações de John Grisham, há filmes melhores.

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