Crítica: Hot Fuzz – Esquadrão de Província (2007)

Título Original
Hot Fuzz

Género
Comédia

Realizador
Edgar Wright

Argumentistas
Edgar Wright e Simon Pegg

Elenco
Simon Pegg, Nick Frost, Timothy Dalton, Jim Broadbent e Olivia Colman


Este é o segundo filme da trilogia não oficial do corneto de três sabores criada por Simon Pegg e Edgar Wright.

O primeiro filme foi Shaun Of The Dead (2004), e o terceiro foi The Worlds’s End (2013).
Hot Fuzz serve como paródia e homenagem aos filmes policiais de acção. Os cornetos que as personagens comem neste filme têm o papel azul, representado o azul do uniforme policial, e faz questão de mencionar inúmeros filmes deste género ao longo da história, chegando mesmo ao ponto de copiar alguns dos seus momentos icónicos como Point Break (1991) e Bad Boys II (2003).

Hot Fuzz é uma comédia negra, irá pedir ao espectador que em vários casos se ria da morte e do macabro.

Tira inspiração dos clássicos de acção dos anos noventa e inícios dos anos 2000 e são notórias ao longo do filme as várias piadas que são lançadas nessa direcção.
Procura abraçar e inserir o máximo de clichés possíveis desse género: o herói perfeito em tudo o que faz em contraste com a ineficiência daqueles que o rodeiam, o ângulo da câmara a focar o traço separador da estrada quando o carro vai em andamento, a explosão obrigatória, o uso excessivo de sangue e violência…

Houve no entanto duas piadas que apesar de se repetirem me fizeram sempre rir: a personagem que distorce tudo o que é dito e o transforma em algo com conotações sexuais e a quantidade enorme de relatórios que é necessário preencher.
Em qualquer filme de acção, independente do número de mortes e dos milhões causados em prejuízos, nunca vemos o herói a pegar numa caneta. Pegg e Wright tomaram nota disso e assim é uma piada recorrente no filme os momentos em que eles têm de estar a preencher relatórios e a passar por todas essas burocracias.

Neste filme, Simon Pegg interpreta Nicholas Angel, o melhor polícia de Londres.
Devido a ser tão bom em tudo o que faz, envergonha constantemente o resto da equipa e evidencia a sua ineficácia, por isso os seus superiores decidem transferi-lo para Sandford.
Sandford é uma aldeia aparentemente perfeita, onde todos se conhecem e todos se dão bem. Um local calmo e tranquilo, onde não ocorre um homicídio há mais de 20 anos.
Contudo, quando mortes acidentais começam a ocorrer com alguma frequência, Angel começa a desconfiar que existe alguma relação entre elas e que se passa algo de negro e misterioso na aldeia.

É um filme muito bem escrito e interessante.

Eu queria realmente saber o que estava a acontecer e porquê, o que me deixou receoso que não viesse a ser esclarecido. São vários os filmes que funcionam como paródias que no meio de inserirem tantas piadas e referências perdem o laço narrativo da sua própria história, criando lacunas e incoerências que resultam num final sem sentido e atrapalhado.

Isso não acontece em Hot Fuzz, temos sátira e humor, mas existe sempre uma preocupação no desenvolvimento e construção da história. As pistas que são fornecidas para Angel seguir também lá estão para o espectador, e à medida que ele vai tentando compreender as mortes e criar uma relação entre elas, começamos a ficar investidos na história e nas personagens.

Nesse aspecto é um filme de mistério e suspense que funciona muito bem por si só. Aliás, quando Angel julga ter descoberto o motivo pelo qual aquelas pessoas morreram e qual a relação entre todas elas, parece que estamos a realmente a assistir a filme policial a sério, com temas credíveis e compreensíveis. Por momentos esquecemos que é suposto ser uma paródia e comédia. É aí que Pegg e Wright relembram o espectador do tipo de filme que está a ver, e estão realmente de parabéns, o final e a revelação que vem com ele é absolutamente inesperada e hilariante de tão louca que é.

Em termos de argumento a falha maior serão mesmo os flashbacks perto do final.
Não irei entrar aqui em detalhes, mas ao assistirem ao filme irão ver a incoerência entre a forma como as cenas dos crimes nos são mostradas inicialmente e depois com esses flashbacks mais reveladores sobre o que realmente estava a acontecer.
À excepção disso é um filme capaz com uma boa história e uma realização talentosa por parte de um realizador com enorme potencial (vejam Scott Pilgrim VS The World).

A nível de interpretações, Simon Pegg e Nick Frost partilham de uma química muito forte, e conseguem transformar as personagens em alguém realmente querido para o espectador. A inocência de Danny (Nick) é tão enternecedora enquanto cómica.
O departamento policial é a grande fonte de gargalhadas, com o meu membro preferido a ser Doris, interpretada pela talentosa Olivia Colman.
Contudo, o destaque vai para Timothy Dalton. O seu Simon Skinner é alguém tão desprezível como charmoso. A forma como diz cada uma das falas está sempre carregada de intenção e ameaça, é a personagem mais interessante, e muito disso se deve à forma como Dalton a interpreta.
Atenção aos cameos de: Martin Freeman ,Bill Nighy, Stephen Merchant, Cate Blanchett, Steve Coogan e Peter Jackson.

Não será necessário entender todas as referências para desfrutar do filme, contudo é uma comédia violenta com uma dose considerável de gore, e poderá desapontar aqueles que o vão à espera de ver algo como Rush Hour, por exemplo.


Veredicto Final – 8/10

Uma paródia e homenagem aos policiais de acção, bem realizada e com uma história suficientemente interessante para merecer mérito por si própria.
Uma prestação igualmente cómica e maléfica pelo ex-007 Timothy Dalton e uma revelação final completamente inesperada e hilariante fazem de Hot Fuzz um filme muito divertido e altamente recomendável.

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