Grand Budapest Hotel (2014)

Título Original
The Grand Budapest Hotel

Género
Comédia

Realizador
Wes Anderson

Argumentistas
Wes Anderson e Hugo Guinness

Elenco
Ralph Fiennes, Adrien Brody, Bill Murray, Jude Law e Jeff Goldblum


As aventuras de Gustave H, lendário concierge de um famoso hotel situado na fictícia República de Zubrowka durante o período entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial,  e Zero o seu porteiro que se torna no seu melhor amigo.


Wes Anderson é um realizador com um estilo muito peculiar e individual.
A partir do momento em que ficamos familiarizado com os seus filmes, começamos a apanhar os sinais “andersoniamos” presentes durante toda a película.
Desde múltiplos wide-shots, a ângulos verticais de personagens deitadas ou de vários objectos organizados sobre alguma superfície plana. Várias montagens de personagens a deslocarem-se de um local para outro, muitas vezes representadas com miniaturas.
Ou, até mesmo no próprio elenco, são vários os actores frequentemente presentes nos seus filmes.

É um verdadeiro autor e artista no sentido mais real da palavra, e todos os seus trabalhos são um autêntico espectáculo visual com um valor de produção superior à maioria dos filmes da actualidade.
Contudo, apesar de ter estas repetições na forma de filmar e realizar os filmes, todas as suas histórias são diferentes, percorrendo vários temas desde amor entre duas crianças, a homicídio e mistério, se bem que estados de espírito recorrentes são frequentemente a a melancolia e a perda da inocência ou até mesmo o luto.

Este é o projecto onde temos todas as suas características a serem levadas ao extremo, e o resultado é possivelmente o melhor filme da sua carreira, competindo apenas com Moonrise Kingdom.

Grand Budapest Hotel conta-nos as aventuras de Gustave H, o lendário concierge de um famoso hotel europeu entre as guerras mundiais, e Zero Moustafa, o porteiro que se torna no seu melhor amigo. A história envolve o roubo e recuperação de uma inestimável obra de arte do Renascimento e a batalha por a enorme fortuna de uma família – tudo isto tendo como fundo a mudança repentina e dramática de todo o continente europeu.

Inspirado pelos escritos de Stefan Zweig, o argumento criado por Anderson é uma tesouro de frases e momentos memoráveis.
Tal como todos os seus outros trabalhos, os elementos cómicos estão sempre presentes, seja comédia física, de situação ou apenas reaccionária. Aliás, é absolutamente única a forma como no meio de morte, trama político, assaltos, prisão e até mesmo a eminência de uma guerra mundial, sem ter baixar o QI da sua escrita, Anderson consegue criar um argumento absolutamente hilariante.

É necessária alguma atenção para acompanhar o desenvolvimento da história, já que irão constantemente ser revelados acontecimentos novos que alimentam todo este trama de suspense e mistério que os nossos heróis irão ter de ultrapassar, mas o filme nunca se torna aborrecido ou demasiado confuso ao ponto de impedir que a audiência possa desfrutar de tudo o que está a ver.

E, no meio de tanta comédia, a dor emocional é tão bem escrita e construída que no final é possível derramar algumas lágrimas. Por aquilo que é a perda do amor e da amizade, e do quanto estamos dispostos a sacrificar para nos agarrarmos àquele último objecto que nos faz recordar alguém que já partiu deste mundo.

Toda a caracterização, desde o espaço ao guarda roupa até ao mais pequeno detalhe de toda a produção, são do melhor que já vi nos filmes de Anderson. E, sendo sempre filmes tão visuais, é surpreendente a forma como ele consegue continuar a melhorar de projecto para projecto.
A cinematografia alia-se perfeitamente a tudo de belo que o filme já contem. Robert D. Yeoman é um colaborador frequente de Anderson e assim sabendo já o género de trabalho que o caracteriza, constrói uma iluminação e fotografia única, ao ponto de o próprio cenário, os próprios ângulos, luz e som fazerem companhia a estas personagens magnificando tudo aquilo que a história já nos conta tão bem.

As prestações dos actores são todas incríveis e com grande qualidade, mas não podemos esperar menos daquele que é possivelmente um dos elencos mais ricos e fortes que alguma vez vi.
Os nomes que surgem em Grand Budapest Hotel, seja em personagens principais, secundárias ou apenas cameos fazem parte de uma lista enorme: Ralph Fiennes, F. Murray Abraham, Mathieu Almaric, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Jude Law, Bill Murray, Edward Norton, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Léa Seydoux, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Owen Wilson, Fisher Stevens…
O facto de tantos nomes poderosos estarem dispostos a aparecer no filme, alguns deles apenas por segundos, vem apenas fortalecer tudo aquilo que já aqui disse sobre o talento de Anderson e o respeito que já adquiriu na indústria.

A personagem mais interessante e cómica é o protagonista principal, Gustave H.
Este foi um papel inicalmente escrito com o Johnny Depp em mente e é compreensível entender o porquê, sendo até possível estabelecer alguns semelhanças com a personagem que iria mais tarde interpretar no Mortdecai (2015), que foi apenas mais um fiasco no progresso descendente que tem sido a sua carreira recentemente.
Mas Fiennes demonstra ser igualmente talentoso e capaz, é hilariante durante o filme todo. Desde os tiques e maneirismos com que enriqueceu a personagem do excêntrico Gustave, até à forma como diz cada uma das falas ou as constantes citações poéticas, são tudo pérolas e momentos memoráveis.
Contudo, o mais cómico é a forma como começa em várias situações por ter o comportamento correcto e a atitude que sabe ser adequada, apenas para mudar logo numa questão de segundos por ser vencido pelo lado mais humano e egoísta que todos temos, o contraste é absurdo.

Em 2015 foi nomeado para 9 Óscares da Academia, ganhou 4 área de produção, mas infelizmente não venceu melhor filme e melhor argumento.
Ralph Fiennes merecia ter sido nomeado para melhor actor no lugar de Bradley Cooper, mas se formos por aí, nesse mesmo ano também Jake Gyllenhaal merecia ter sido nomeado no lugar de Steve Carell.
E compreendo e aceito a derrota de melhor filme para Birdman. Aquilo que Iñárritu conseguiu naquele filme dando a ideia de ser apenas um único take foi algo originalmente único.
Mas, melhor argumento devia sem dúvida ter ido para Anderson, por este filme fabuloso que aqui criou.


Veredicto final – 10/10

É Anderson no seu melhor. Devido a ser um filme tão artístico não irá interessar às massas ou ao público mais mainstream, mas é cinema no seu sentido mais puro.
Com uma prestação épica de Ralph Finnes ancorada por todo um elenco de estrelas e um argumento de qualidade, Grand Budapest Hotel não é só o melhor filme de Anderson, mas um dos melhores de sempre.

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