Crítica – Insecure: 1ª Temporada (2016)

Título Original
Insecure

Género
Comédia

Criadores
Issa Rae e Larry Wilmore

Elenco
Issa Rae, Yvonne Orji, Natasha Rothwel, Jay Ellis e Lisa Joyce.


Conta as experiências sociais e tribulações de uma mulher afro-americana na actualidade.


Uma das criadoras e a estrela da série, Issa Rae, publicou em 2015 um livro intitulado: The Misadventures of an awkward black girl. Por volta desta altura criou também uma série no youtube intitulada Awkward black girl.
Tanto o livro como a série partiam da sua experiência pessoal, a ser uma mulher afro-americana a viver nos dias de hoje, desde inseguranças e constrangimentos a todas as experiências pessoais e tribulações pelas quais passava no seu dia a dia.

Juntamente com Larry Wilmore, e baseado neste seu trabalho e material prévio, começou então em finais de 2015 a criar uma série que viria a ser adquirida pela HBO e que ficaria a chamar-se Insecure.

A primeira temporada teve apenas 8 episódios, com cerca de 30 minutos de duração, e já foi exibida na sua totalidade. Foi renovada para uma segunda temporada que será exibida em 2017.

Tendo em conta a narrativa, será principalmente uma série para a audiência feminina, apesar de haver certos temas que também se poderão aplicar ao sexo masculino, e surpreendentemente, para uma série escrita por uma mulher, as personagens masculinas conseguem ter conteúdo e não ser apenas representações vazias de estereótipos sexistas.

Contudo, a grande barreira que a série terá de quebrar para poder continuar a ter sucesso, não é tanto a sexual mas sim a racial. O elenco é predominantemente afro-americano e por isso joga muito com estereótipos e comportamentos típicos deles, brinca muito com os traços gerais que caracterizam a sua própria raça, e tenta tornar o ambiente leve ao permitir ver eles próprios a brincarem com o assunto. Com isso dito, poderão haver muitas pessoas que nesse aspecto acharão que é algo exclusivo para uma certa etnia e irão optar por uma das muitas outras alternativas que têm disponíveis dentro do mesmo género.

Mas, reagir assim a esta série é estar a ignorar o objectivo principal. O que Issa tentou aqui construir foi uma representação real de problemas humanos, e não apenas raciais, tenta criar uma linha de ligação, empatia e compreensão entre todos nós. Não é uma série que se passe em bairros unicamente empobrecidos, percorre a cidade e os seus ambientes na sua totalidade. E tendo em conta a ocupação de Issa, como funcionária de organização sem fins lucrativos que pretende ajudar crianças de cor, torna a mensagem mais actual.

Mas, questões sociais à parte, a série é no seu núcleo uma comédia com alguns elementos dramáticos pelo meio a dar algum conteúdo e estabilidade à história.

As perspectivas que iremos seguir são as das melhores amigas Issa (Issa Rae) e Molly (Yvonne Orji). São exploradas experiências sociais e românticas.
Issa trabalha numa organização sem fins lucrativos que tenta ajudar crianças de cor e namora já há cerca de cinco anos com Lawrence (Jay Ellis).
Por sua vez, Molly é uma advogada de sucesso numa grande empresa, mas que tem dificuldade em manter relações estáveis.
A série explora assuntos raciais e sociais a partir da perspectiva destas duas personagens.

Não sei se os oito episódios é algo que irão manter na segunda temporada, mas é possível que seja mais longa.
A linha de narração é simples e fácil de seguir e compreender.

Issa não está satisfeita com a sua relação nem com o seu emprego, e procura a melhor forma de mudar algo na sua vida. Lawrence começa a compreender que ou muda e tenta corrigir o rumo que a sua vida tomou ou irá perder Issa e afundar-se ainda mais no buraco depressivo em que se encontra.
E Molly, é aquela personagem que tem vários momentos de iluminação ao longo da temporada mas nunca chega realmente a mudar ou fazer algo para corrigir a sua situação.

Não é uma história que crie mistério ou até drama em excessivas quantidades, apenas o suficiente para manter o interesse, no seu núcleo consegue sempre compreender que é uma comédia. Assim sendo, é fácil ver tudo o que vai acontecer, quem vai dormir com quem ou quando e quais as consequências que eventualmente irão advir dessa situação, mas com um argumento e personagens bem desenvolvidas consegue manter o interesse durante todos estes curtos e poucos episódios.

A realização e a montagem que é dada à série é simples mas capaz, com os momentos de introspecção de Issa em frente ao espelho, os cortes rápidos de cena para cena e recuo para as reacções das personagens, mantém o ambiente leve e solto mesmo em momentos que possam ser mais pesados e dramáticos.

Tem um elenco atraente, tanto masculino como feminino, capaz de entregar os lados mais leves e os mais intensos das suas personagens. Mas Issa é capaz de ser aquela que se distingue mais, também devido ao facto de ser a personagem com mais conteúdo para trabalhar.

Raphael Saadiq criou música original para a primeira temporada, e sendo ele um cantor com músicas muito profundas e tocantes que remontam a uma era passada de jazz e blues, consegue realmente aumentar a qualidade de produção de Insecure. É um grande ponto a favor para a série.


Veredicto final
7/10

É uma série como tantas outras, mas o prisma e mensagem racial que tem subjacente, consegue dar-lhe uma perspectiva mais fresca em relação a um tema tão gasto.

Um elenco atraente, uma narrativa leve e a sua curta duração são elementos que se aliam a entregar uma série leve mas humana,  que não massa nem se torna aborrecida.

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