Crítica: Love (2016) – 1ª Temporada

Título Original
Love

Género
Comédia

Criadores
Judd Apatow, Lesley Arfin e Paul Rust

Elenco
Gillian Jacobs, Paul Rust, Claudia O’Doherti, Jordan Rock e Tracie Thoms


Uma comédia romântica que segue Gus e Mickey. Demonstrando as suas diferentes experiências e perspectivas em relação a sexo, amor e relações, e toda a euforia e humilhação que daí advém.


Love é uma série de comédia romântica criada por Judd Apatow, Lesley Arfin e Paul Rust, disponível na Netflix.

A primeira temporada teve 10 episódios, e já está confirmada uma segunda temporada para 2017 com 12 episódios. A duração dos episódios varia entre eles, sendo o mais curto de 27 minutos e o mais longo de 40 minutos.

A série aborda o tema de namorar e sair em encontros de uma forma muito realista e humana, mas sempre com humor e um ambiente leve. Seguimos as perspectivas masculinas e femininas, através das personagens de Mickey (Gillian Jacobs) e Gus (Paul Rust).

Como tantas outras, vai alimentar-se em muitos clichés do género, desde o rapaz menos atraente que se vai apaixonar pela rapariga bonita, que está obviamente fora da sua liga; e a por sua vez, a rapariga bonita que está farta de namorar otários e ser magoada por eles, e por isso acha mais seguro namorar o rapaz que, apesar de menos atraente, é simpático e parece a aposta mais segura.

Contudo, consegue inovar noutros aspectos, e o principal é nas próprias personagens.

Mickey é uma mulher muito danificada e com sérios problemas, vicia-se em tudo, desde álcool e drogas até ao próprio sexo e amor. É alguém que não consegue estar sozinha, e oferece o seu corpo como se nada fosse, sempre na esperança que isso possa alterar a situação descendente em que qualquer uma das suas relações se encontra.

Por sua vez, Rust, é o típico rapaz simpático que devido a ser bom demais, teve o seu coração pisado pela ex-namorada, e agora começa a questionar certos aspectos de como deve levar a sua vida. Começa a tentar equilibrar a sua natureza de bondade com a tentativa de criar uma espécie de coragem para dizer não quando realmente se sente contrariado, o que vai fazer com que várias vezes acabe por se tornar um otário como tantos outros.

Mas a química que Rust e Jacobs desenvolvem com as suas personagens principais é muito forte e natural, conseguem balançar tanto o humor como uma cena ou outra mais emocional e tocante.

E o primeiro episódio (o melhor da primeira temporada), consegue criar uma dualidade e um contraste muito bem construído e forte entre as perspectivas destas personagens no que toca à relação que têm, como abordam a vida e, de uma forma básica e ainda superficial, o tipo de pessoa que são.

Outra coisa que também gostei foi o facto de a maioria dos episódios começarem exactamente onde o episódio anterior acabou, cria realmente uma linha cronológica muito bem alimentada e desenvolvida, sem ficarmos a questionar se algo se passou entretanto e explicando bem o estado emocional das personagens no final do episódio anterior e como seguiram a partir dali.

O humor de Apatow, sendo um dos criadores, está muito presente ao longo da série, as piadas sexuais, e também aquele constrangimento típico da personagem masculina e a sua incapacidade para conseguir ter qualquer tipo de conversa natural e fluída com o sexo oposto.
A sua filha Iris, que interpreta a personagem de Arya na série, tem realmente um bom talento e capacidade cómica, um bom timing.
Algo que achei curioso no elenco foi que tendo em conta o ataque incessante que Apatow teve na sua conta de Twitter contra Bill Cosby, por os seus alegados abusos sexuais, fiquei espantado por ver Andy Dick na série, já que ele também foi inúmeras vezes acusado do mesmo crime, especialmente por se interpretar a ele próprio…
Não que isso afecte a qualidade da série, e ele no episódio em que entra até desenvolve uma boa química cómica com Jacobs, mas demonstra uma hipocrisia estranha, que não passou ao lado de críticos e fãs.

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Em relação às interpretações, Jacobs e Rust, como já mencionei antes, trabalham bem juntos.
Jacobs interpreta naturalmente estas personagens danificadas e com inúmeros conflitos internos, algo que já tinha feito de certa forma com Britta na genial série que foi Community, mas aqui isso é levado ao extremo.
Rust, é alguém cujo trabalho não conheço muito bem, apenas do seu curto papel em Inglourious Basterds e a esporádica aparição em sitcoms.
O seu aspecto foi algo que apesar de me habituar, me incomodou um pouco durante toda a série. Ele tem 35 anos, na série interpreta alguém de 31, mas o aspecto dele parece uma criança de 12 anos com alguma problema de envelhecimento, uma espécie de Benjamin Button. E é algo que eles abordam e tocam na série e na campanha de marketing, mas ainda assim, foram vários os momentos em que eu me distraía do que estava a acontecer, apenas a olhar para a cara dele. Mas isso é um aparte, da sua prestação não há muito a apontar, faz o trabalho necessário, nada mais, nada menos.

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Uma falha, na minha opinião, foi o final da temporada. Foi uma oportunidade desperdiçada de demonstrar crescimento nas personagens, especialmente na Mickey. Acho que ao fim da reunião a que ela foi, e terem um cameo de Robin Tunney a dizer palavras tão inspiradores e com as quais Mickey se relaciona, aquele foi um fim cobarde. Foi um fim a darem aos românticos o que eles queriam, e para uma série que tenta ser tão realista nalgumas coisas, foi um desperdício de ter um final tocante e emocionante.
Podiam ter a segunda temporada a começar um ano depois do fim desta, se preferissem, e aí já se justificava esse tipo de coisa. Assim, foi uma desilusão, e não respeitaram as personagens.

A cinematografia e a realização por fim, são o melhor da série, exploram muito bem o ambiente californiano que os rodeia, desde os edifícios, grafites até ao próprio ambiente urbano.
A luz, sempre jogando com o sol  e o clima típico do ambiente em que estão dá à série um aspecto muito limpo, luminoso e atraente. Conseguiram criar um ambiente que se identifica muito bem com o tema da série, New York por exemplo, sendo mais escura, já ia destoar muito e tornar a série mais depressiva.


Veredicto final: 6/10

É uma série cliché nos tópicos que vai tocar, mas uma abordagem mais realista e a forte química entre as personagens principais, ajuda-a a destacar-se um pouco.
O ambiente californiano e alegre identifica-se muito bem com o humor criado por Apatow, e a série torna-se leve e divertida de ver, conseguindo também tocar certos assuntos com os quais muitos espectadores se irão identificar.

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