Preacher – 1ª Temporada (2016)

Título
Preacher

Género
Fantasia

Criadores
Sam Catlin, Evan Goldberg e Seth Rogen.

Elenco
Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Ian Colletti e Graham McTavish


Jesse é um padre que bebe demasiado e que está a atravessar uma crise de fé.
Quando é possuído por Genesis, uma entidade misteriosa e poderosa, decide ir à procura de Deus.
Consigo leva Tulip, a sua ex-namorada, e Cassidy, um vampiro irlandês.


Preacher é uma série criada por Evan Goldberg, Seth Rogen e Sam Catlin, adaptada a partir da banda desenhada, com o mesmo nome, criada por Garth Ennis e Steve Dillon.
É transmitida pelo canal AMC, já concluiu a sua primeira temporada (10 episódios) e tem confirmada a segunda (13 episódios) para 2017.

O que aconteceria se um anjo e um demónio procriassem? O ser que surgisse dessa união seria sagrado ou demoníaco? Preacher é essa história. O ser criado dessa união é uma entidade incorpórea, apenas uma alma. Essa alma precisa de procurar um corpo e ao fim de várias tentativas, encontra Jesse Custer (Dominic Cooper). Jesse é um padre do Texas, que bebe demasiado álcool e tem muitas dúvidas em relação à sua fé. Este ser incorpóreo, conhecido como Genesis, funde-se com Jesse, dando-lhe o poder da Palavra de Deus. Com este poder, tudo o que Jesse disser a alguém para fazer, essa pessoa irá fazê-lo, quer queira quer não.
Juntamos a isto tudo a aparição de anjos, demónios, um Deus falso, idas ao inferno e um vampiro, e é compreensível que seja um material que fira algumas susceptibilidades.

É uma história realmente estranha, e numa sociedade tão facilmente ofendida e sensível como a nossa, foram várias as tentativas sem sucesso de adaptar este material.
E apesar de ser uma série com muita violência, sangue, sexo e linguagem profana, continua a ser muito contida em relação ao material que existe nos livros.

Na BD a história principal é de Jesse ir à procura de Deus, com a ajuda da sua ex-namorada Tulip (Ruth Negga), uma mulher muito violenta e perigosa, e o seu amigo Cassidy (Joseph Gilgun), que é um vampiro irlandês.
A primeira temporada será a backstory disso, irá contar como Genesis entra no corpo de Jesse, explicar o que é, e ao mesmo tempo dar vários flashbacks sobre a origem de várias das personagens, para podermos entender o porquê de elas serem como são.

Apesar de toda a violência e carnifica que teremos no ecrã, e de ser realmente uma história negra com bastantes elementos depressivos, consegue também ser muito cómica e tem perfeita noção do quão louca e absurda é a história que está a contar.
Isso é muito bom, quando uma série tem noção daquilo que é, e não tenta levar demasiado a sério um tema ridículo por natureza, existe a possibilidade de criar algo de original e maravilhoso, e o resultado aqui é sem dúvida esse.

As cenas de acção estão muito bem coreografadas e filmadas, conseguimos acompanhar claramente o horror de tudo o que está a acontecer, mas é feito de uma maneira que torna tudo aquilo muito divertido de assistir e alivia o seu tom pesado. Dou destaque para a cena do avião (spoiler) no primeiro episódio e para uma que irá decorrer num quarto de hotel (spoiler) mais para o meio da série.
Especialmente esta última, parece retirado de alguma comédia doentia.

O argumento e a narrativa que foram criados para esta primeira temporada foi a forma correcta de abordarem a história.
Contudo, pelo meio há umas alturas em que parece perder-se um bocado e pode ter alguns momentos mais mortos e aborrecidos. Tendo em conta a história principal nos livros, para alguns fãs que não compreendam a necessidade de explicar o que a antecede com tanto detalhe, poderá parecer uma adaptação infiel. Mas torna-se algo necessário para poderem atrair o público que não está familiarizado com a história original.
Chegamos ao fim a saber o passado das personagens, o porquê de todas elas serem tão traumatizadas e com uma explicação clara do porquê de as três personagens principais irem naquela demanda à procura de Deus.
Os flashbacks são simples e não impedem o desenvolvimento da história, apesar de por vezes quebrarem um pouco o ritmo.

Dos 10 episódios, os dois melhores são realmente o primeiro e o último.
O primeiro introduz as personagens de uma forma tão forte e naturalmente cool, que ficamos imediatamente interessados em saber mais sobre todos eles.
O último, explica finalmente uma história solta que é contada nuns episódios anteriores de uma forma surpreendentemente lógica e aterrorizante, e a cena perto do final na Igreja, é hilariante.

Existem vários pontos a favor da série especialmente na realização e no seu visual, tem uma cinematografia muito competente, contudo onde conseguiu realmente o resultado ideal foi no casting.

Desde os actores principais até aos secundários, parecem realmente as personagens da banda desenhada a saltarem das páginas para a realidade, seja pela forma como eles as interpretam, seja pela caracterização que lhes é feita (Arseface em particular).
Dominic pode ter sido aquele que de início recebeu alguma objecção, mas já calou os críticos. Posso ser um pouco parcial porque gosto do actor, mas ele é Jesse, desde o cabelo e a barba até à sua naturalidade num tipo de papel de alguém duro mas sensível, uma pessoa boa que tenta lutar contra o lado negro que está dentro de si, alguém que tenta melhorar o mundo mas acaba sempre inevitavelmente por o piorar. São dualidades difíceis de recriar, mas Dominic consegue demonstrar tudo isso num simples olhar, e à medida que se for habituando à personagem, sinto que a sua prestação só vai melhorar.
Tulip e Cassidy, por sua vez, estão absolutamente perfeitos.
Negga interpreta Tulip muito bem, tem aquela ferocidade necessária, e criou aqui uma das melhores personagens femininas actualmente na TV.
E Gilgun como Cassidy, um dos elementos de alívio cómico, irá tornar-se a personagem preferida de muitos espectadores.


Veredicto final – 8/10

Rogen e companhia entregam aqui um produto diferente e original.
Com um visual forte e único, alia a violência sanguinária com o humor mórbido de forma muito fluida e natural.
Apesar de no seu decorrer se perder um pouco e ter um ou outro momento mais monótono, a forma como começa e termina aliados a um elenco muito capaz fazem de Preacher uma experiência que recomendo.

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