Crítica – Vice Principals: 1ª Temporada (2016)

Título Original
Vice Principals

Género
Comédia

Criador
Jody Hill e Danny McBride

Elenco
Danny McBride, Walton Goggins, Kimberly Hebert Gregory, Georgia King


Dois vice directores de um liceu lutam entre si pela posição de director, ao mesmo tempo que unem esforços para expulsar a directora actual.


Vice Principals é uma mini-série criada por Jody Hill e Danny McBride.

O argumento da série foi inicialmente escrito para ser uma longa metragem e só passados cerca de 10 anos, em 2015, é que foi alterado para se adaptar a uma mini-série.
Os 18 episódios foram filmados em conjunto e divididos em duas temporadas de 9 episódios cada uma.

O objectivo é transmitir um ano lectivo, sendo cada uma das temporadas um semestre.
A primeira já foi transmitida na sua totalidade pela HBO e a segunda irá estrear em 2017.

Foca-se na rivalidade entre Neal Gamby (Danny McBride) e Lee Russell (Walton Goggins), dois vice directores do Liceu North Jackson que lutam entre si pelo lugar de director quando este é forçado a reformar-se.
Contudo, a posição é oferecida à recém-chegada Drª. Belinda Brown (Kimberly Gregory), e Neal e Lee terão de colocar a sua inimizade de lado se querem certificar-se que Belinda não se mantém lá por muito tempo.

Começo por dizer que é uma série de comédia dramática, e os momentos cómicos que tem, são de humor extremamente negro e agressivo.
Para quem conhece as colaborações prévias de Danny e Jody, como a série Eastbound & Down, ou até o filme Observe and Report realizado por Jody, já saberá mais ou menos ao que me refiro.

Numa actualidade com tantas séries, muitas vezes previsíveis e que seguem a mesma fórmula, Vice Principals atreve-se a ser diferente.
É uma série chocante, violenta, negra, cómica, emocional, mas acima de tudo, inovadora e surpreendente. Não houve um único momento em que eu soubesse o rumo que eles estavam a dar à história, ou mesmo adivinhando uma coisa ou outra, apanharam-me sempre de surpresa com a abordagem que tomaram.

Não é de todo uma série para as massas, e isso foi notório nas críticas e na recepção que teve.

Houve quem a considerasse sexista, racista ou pura e simplesmente ofensiva e a ultrapassar a linha do admissível.
Cria aqui uma personagem feminina e afro americana, extremamente forte, independente, humana, determinada e inteligente. É uma personagem mais saudável e ser humano mais decente que as outras duas personagens principais masculinas.

Em relação ao ofensivo, testa realmente limites e em algum caso passa a linha daquilo que até eu esperava, mas numa sociedade tão sensível e irritante, adorei ver alguém com coragem para o fazer e da forma inteligente que o aborda.

Danny e Jody criaram aqui uma história que arranca no primeiro episódio, e vai aumentado, escalando e crescendo de forma gradual em todos eles, até alcançar um final absolutamente chocante e hilariante.
Todos os episódios me surpreenderam com aquilo que eles se atreveram a fazer, mesmo que eu não gostasse da série, teria de a respeitar.

Um dos aspectos mais interessantes na sua originalidade é o facto de as personagens que seguimos, as duas personagens principais, serem os vilões.
Não há dúvida nenhuma disso, acompanhamos dois seres desprezíveis, alucinados, e extremamente perigosos e com inúmeros problemas psicológicos. E isso será demonstrado em todos os episódios, começando de forma bem forte logo no segundo.

Mas, apesar disso, é uma série que nunca tenta dizer ao espectador como ele se deve sentir. E assim sendo, entre as várias personagens do seu elenco, tanto podemos vê-las a fazer algo odiável e repugnante, como de seguida já vemos um lado mais emocional e tocante. Tanto desprezamos e odiamos uma dada personagem, como a seguir sentimos empatia e alguma compreensão pelo seu estado emocional e psicológico. Esse contraste é especialmente notável nas três personagens principais: Neal, Lee e Belinda.

As prestações estão todas formidáveis.

Danny interpreta o tipo de personagem que lhe cai bem, alguém odiável e desprezível, com um lado mais humano que surge ocasionalmente, como já tinha feito em Eastbound.

Walton Goggins, é absolutamente genial. Lee Russell é a minha personagem preferida, não só desta série mas de qualquer outra neste momento, criou aqui alguém igualmente hilariante e assustador.

Kimberly Gregory, é uma actriz que não conhecia, mas tem aqui uma prestação incrível que espero que lhe crie muitas novas oportunidades. Interpreta uma personagem extremamente forte e intensa, e mal posso esperar para ver a sua transformação na segunda temporada.

Danny e Jody souberam desenvolver as personagens e dar-lhes algum crescimento e transformação ao longo desta primeira temporada.

Pegaram numa história que poderia ser desinteressante e aborrecida e conseguiram criar algo cómico e dramático com um final misterioso que deixa grande curiosidade para a sua conclusão.

Apesar de compreender a necessidade de só ter mais uma temporada, porque não tem história com capacidade para mais que isso, irei sentir uma pena enorme quando chegar ao fim e tiver de me despedir destas personagens.


Veredicto
9/10

É uma série única e original. Desafia o correcto e todas e quaisquer normas da sociedade.

Não será algo que agradará a todos, mas é sem dúvida uma obra que merece ser respeitada pela tentativa de desafiar as normas do admissível e daquilo que se pode esperar de uma simples comédia.

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