Uma Série de Desgraças – 1ª Temporada (2017)

Título Original
Lemony Snicket’s A Series Of Unfortunate Events

Género
Aventura

Criador
Barry Sonnenfeld

Elenco
Neil Patrick Harris, Patrick Warburton, Malina Weissman, Louis Hynes e Will Arnett


Ao fim de perderem os seus pais num incêndio, três crianças são forçadas a ir viver com um familiar que nunca conheceram, Count Olaf.
Não demoram muito até perceber que ela fará de tudo para ficar com a sua herança.


Lemony Snicket’s A Series Of Unfortunate Events é uma das novas séries da Netflix que estreou este ano.
A primeira temporada já está disponível para streaming, e ainda não foi confirmada a renovação para a segunda, apesar de ser provável.
Foi criada por Barry Sonnenfeld e é protagonizada por Neil Patrick Harris, Patrick Warburton, Malina Weissman, Louis Hynes e um leque variado e interessante de actores de renome em papeis mais secundários.

Em 2004 estreou um filme com o mesmo nome e baseado nos mesmos livros que inspiraram a série.
Foi uma película relativamente bem recebida e com uma prestação muito boa de Jim Carrey como o vilão Count Olaf, contudo apesar de haver inúmeras conversas sobre o assunto, nunca se fez nenhuma sequela e a franchise não chegou a arrancar.

Pessoalmente, acho que é um material que funciona melhor em série do que em filme, tendo em conta que são treze livros a divisão entre temporadas oferece um produto mais completo e interessante.

Daniel Handler, escritor dos livros, é produtor e argumentista na série, o que permite que esta seja uma adaptação mais fiel e completa, que certamente deixará os fãs dos livros mais satisfeitos.
A primeira temporada tem oito episódios e conta a história dos primeiros quatro livros.
A ideia será a segunda contar do quinto ao nono e finalizarem com uma terceira temporada a contar a história dos restantes quatro livros.

Em A Series Of Unfortunate Events, as três crianças Baudelaire perdem os pais num horrível incêndio e são forçado a ir viver com o seu familiar desconhecido, o assustador Count Olaf.
Não demoram muito até perceberem que ele só está interessado na sua herança e que irá fazer tudo ao seu alcance para ficar com ela, mesmo que isso envolva homicídio.

Apesar de ter óbvios elementos cómicos e absurdos durante toda a sua narração, é um drama e todo esse humor é na sua maioria negro e depressivo.
A própria história e o próprio narrador fazem questão de deixar isso bem claro. Todos os episódios somos acompanhados por Lemony Snicket, à medida que vemos o que vai acontecendo aos jovens, os inúmeros acidentes e azares que a vida lhes reserva, Snicket pede-nos constantemente para mudar de canal, apagar a televisão, para vermos algo mais alegre porque isto é apenas caos e tristeza.
E torna-se tão frequente essa interrupção que por vezes aborrece um pouco e quase que dá vontade de “obedecer”.

Eu não conhecia os livros, por isso os últimos dois episódios, que se focam no quarto livro que o filme de 2004 já não focou, foram inéditos e diferentes, reforçaram o mistério que circula a família dos Baudelaire e aquilo que os seus pais faziam juntamente com o resto do seu grupo de aventureiros.
Há nesses últimos dois episódios um twist absolutamente chocante e que realmente me apanhou de surpresa. Enganou-me completamente durante todos os episódios, e vi a possibilidade de algum brilho no futuro das crianças desaparecer completa e abruptamente.
Essa revelação em conjunto com o narrador dão a essa cena um poder muito único e interessante, que me deixou muito curioso com o que o destino reserva para aquelas crianças.

A cinematografia da série vai muito de encontro àquela que foi feita no filme, faz lembrar muito os filmes do Tim Burton, que seria o realizador ideal para este tipo de material e que a dada altura estava para realizar o filme com o Johnny Depp a interpretar o Count Olaf.
É muito negra e peculiar, suja, mas ao mesmo tempo construída de uma forma infantil e em caricatura. O filme foi todo filmado em interiores, com CGI, assumo que o mesmo seja feito na série e é sem dúvida algo que resulta e se torna um ponto positivo.

As prestações dos actores são boas, apesar de as crianças terem momentos-chave em que não conseguem transmitir a intensidade que era requerida e tão necessária para transmitir a emoção da cena.
O trunfo é sem dúvida Neil Patrick Harris, mas é um actor que eu ainda não consegui separar de How I Met Your Mother, e não sei se alguma vez serei.
É talentoso e interpreta várias personagens ao longo da série, de forma muito bem conseguida, mas tudo o que eu via era o Barney Stintson a tentar alguma nova jogada do Playbook. Foram inúmeros os momentos em que eu desligava da personagem que ele estava a interpretar para a imagem mental que eu tenho dele. E apesar de se esforçar para equilibrar o lado cómico com um mais negro e assustador, tem sempre um aspecto afável.

Jim Carrey conseguiu interpretar melhor aquilo que eu vejo esta personagem a querer ser.
No entanto, Patrick Warburton merece destaque, com a sua voz grave e figura imponente, dá um gravitas e profundidade única ao narrador, chama a atenção e consegue prendê-la durante todo o tempo que está no ecrã.

Um ponto muito negativo na série é a sua duração.
Episódios de trinta minutos seriam mais que suficientes. Ao insistirem em ultrapassar a marca dos quarenta, dão por si a arrastar momentos desinteressantes sem necessidade, tornam-se muito repetitivos com certas piadas e interrupções por parte do narrador.
Foram vários os momentos em que me vinha o sono ou simplesmente estava farto, porque arrastavam momentos que já não estavam a contribuir para a história ou então porque o narrador interrompia o episódio para dizer algo que já tinha dito inúmeras vezes antes. Algo comum na série é parar o desenvolvimento para o narrador vir explicar alguma palavra ou expressão que as personagens tenham utilizado. É algo engraçado de vez em quando, mas quando se torna tão frequente perde o momento cómico e prolonga o episódio desnecessariamente.


Veredicto: 7/10

É uma série de drama familiar com elementos cómicos suficientes para toda a família poder desfrutar.
Com um ambiente muito negro e peculiar, torna-se algo diferente de tudo o que há na televisão neste momento.
Tem uma prestação esforçada de Neil Patrick Harris e 
uma história carregada de mistério e suspense que deixará o espectador curioso.
Perde-se muitas vezes no seu fio narrativo, o que por vezes a torna aborrecida e monótona.

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