Kevin Hart – What Now? (2016)

Título Original
Kevin Hart – What Now?

Género
Especial de Stand-Up

Realizadores
Leslie Small e Tim Story

Argumentistas
Kevin Hart, Joey Wells e Harry Ratchford


Neste especial o comediante Kevin Hart faz stand-up em frente a 50 mil pessoas no Lincoln Financial Field em Filadélfia, EUA.


Kevin é um excelente comediante e artista de stand-up, e sendo este o seu último especial eu estava muito curioso em relação ao que seria e como seria.
Anunciado como a maior tour de sempre no que toca a stand-up, com 151 espectáculos à volta do mundo e um recorde para número de audiência, com 50 mil pessoas a assistir ao vivo.

A película começa com uma curta-metragem que irá introduzir a chegada do Kevin ao recinto, como se tivesse de haver uma outra explicação lógica para tudo aquilo, para além de ser apenas o trabalho dele.
Faz paródia a filmes do James Bond, especialmente a Casino Royale, e acaba com uma luta que é referência directa ao Equalizer.
Conta com a aparição de Halle Barrey, Don Cheadle e Ed Helms.
Este é um tipo de coisas que não me interessa muito, nem acho que seja necessário para o espectáculo. Não enriquece, não é algo propriamente inteligente ou original, e para além de poderem fazer alguma espécie de publicidade com os nomes que entram nesse curto clip, não vejo mais nenhum motivo para insistirem neste tipo de coisas.
Contudo, já é algo comum com Kevin desde há dois especiais atrás.

Este, sendo o seu último especial, é fácil acreditar que sai em grande tendo em conta a sua plateia. E, para alguém tão egocêntrico e que parece necessitar de constante atenção e louvação, compreendo perfeitamente que seja apenas isso o que interessa.
Infelizmente para mim que procurava apenas alguns momentos de descontracção e comédia, ficou muito aquém do esperado.

Kevin é espalhafatoso e grita muito, usa muitas metáforas e hipérboles para tentar explicar um determinado ponto e acrescenta e repete inúmeras taglines e expressões faciais ao longo da sua performance com a tentativa de criar alguma espécie de meme online.
Tudo isso é comum, e tudo isso é esperado. Infelizmente, ele neste seu espectáculo, exagerou tanto nessas características que a dada altura parece que, tal como no clip inicial, estávamos a assistir a uma nova paródia, mas desta vez a paródia era do Kevin Hart, e de tudo aquilo que ele faz e representa.

Fiquei com a ideia que ele escreveu várias alternativas para certas piadas, e na dúvida de qual iria colocar, decidiu pura e simplesmente dizer todas.
Então o que temos, são piadas fracas, que são arrastadas durante cerca de dez a quinze minutos, com alternativas que tentam sempre reforçar a primeira.
Piadas sobre o quão horrível seria uma mulher sem um ombro ou um homem que não pudesse dobrar os joelhos.
Seria impossível fazer sexo ou gostar de alguém assim, certo? Seria impossível continuar com alguém assim, certo? Seria impossível ser feliz assim, certo? Seria impossível ter uma vida normal, certo?
E Kevin decide colocar essas questões de retórica e responder a elas com mais alguma comparação ou metáfora, várias vezes seguidas, antes de finalmente seguir em frente.

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Lembro-me dos especiais de Kevin em que ele tinha inúmeras piadas ao longo do espectáculo, seguia uma linha lógica e coerente, e chegávamos ao fim a sentir que tínhamos percorrido uma jornada, em que focámos vários e inúmeros temas e sentíamos-nos satisfeitos e completos.
Aqui, deve ter havido meia dúzia de temas, arrastados e repetidos até ao cansaço.
O Kevin que eu gostava desapareceu, já tinha dado sinais de fraqueza no seu especial anterior Kevin Hart – Let Me Explain e confirmou-os neste último.
Pensei que fosse sentir pena ao ver este seu último trabalho, e dizer adeus a um comediante que gostava tanto, até que me apercebi que já dei esse adeus há muito tempo atrás.

Outro grande problema, foi o recinto e a plateia.
Um especial de comédia, não tem nem deve envolver este número de pessoas, Madison Square Garden, ou recinto semelhante, será o máximo aceitável e mesmo assim já é esticar os limites.
Comédia, em particular stand-up, quer-se como algo intimo, pessoal. Um aspecto um pouco “sujo”, simples, humano e sem grandes espectáculos de ecrãs ou luzes.
É por isso que também gosto tanto de Louis CK, alguém que nos seus espectáculos deixa o seu material falar por si, sem necessidade de espalhafato extra. O seu humor negro, em alguns casos ordinário, mas sempre inteligente e honesto, fala por si. E quando é bem escrito e orado para a audiência, é tudo o que necessitamos.
Aqui Kevin e as suas piadas, perdem-se num espaço tão grande. Não há qualquer sensação de acolhimento ou conforto.
Os grandes ecrãs, as grandes luzes e a ocasional música de acompanhamento, tentam apenas preencher o vazio que a falta de originalidade e poder da sua performance deixam no enorme recinto.


Veredicto Final: 6/10

É o espectáculo mais fraco de Kevin Hart, e tendo em conta a qualidade decrescente que eles andavam a ter, talvez seja pelo melhor que este seja o último.
Oferece um discurso vazio, repetitivo e com pouca da originalidade e irreverência que lhe era tão característica.
Vai dar para rir uma vez ou outra, mas há alternativas muito melhores, incluindo no trabalho de Kevin.

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