Santa Clarita Diet – 1ª Temporada (2017)

Título Original
Santa Clarita Diet

Género
Comédia

Criador
Victor Fresco

Elenco
Skyler Gisondo, Drew Barrymore, Timothy Olyphant, Liv Hewson


Sheila e Joel são dois agentes imobiliários em Santa Clarita, Califórnia.
Quando Sheila morre, a vida de ambos tem uma transformação inesperada.


Santa Clarita Diet é uma das novas adições da Netflix ao seu extenso catálogo de séries.
A sua primeira temporada contém dez episódios e já está disponível para streaming na plataforma digital. No momento em que escrevo esta crítica, ainda não há confirmação para a segunda temporada.

Sheila (Drew Barrymore) e Joel (Timothy Olyphant) são dois agentes imobiliários em Santa Clarita, na Califórnia.
Estão a deixar a rotina comandar as suas vidas, a chama do casamento está a extinguir-se e começam a atravessar todas aquelas crises muito comuns em qualquer relação.
Contudo, quando Sheila morre, as suas vidas são transformadas.

Se viram os trailers e o material publicitário sabem qual é essa transformação:
Ela torna-se um zombie e necessita de comer pessoas para sobreviver.
Contudo, ao contrário do resto das séries televisivas, ela não fica sem conseguir falar, irracional e apenas a pensar em comer. Continua a viver a sua vida, e agora, com uma energia redobrada e um foco maior. Fica uma versão melhorada, apesar de ter a incapacidade de controlar os seus impulsos e instintos animais, o que irá causar inúmeros problemas na sua vida.

É uma ideia interessante, especialmente por ser uma comédia.
Ter Timothy e Drew nos papéis principais é atractivo e a narrativa deixou-me curioso.
Mas, quando vi os trailers o meu primeiro pensamento foi o seguinte: Ou será algo muito bom ou muito mau!
E apesar de eu estar enganado, e conseguir caminhar um pouco no limbo, pende sempre para o lado mais negativo.

Comecemos pelos aspectos positivos e por aquilo que eu acho que resulta.

  • O elenco foi bem escolhido, apesar de ao início ter alguma dificuldade em habituar-me a Drew Barrymore neste papel, mas isso será mais pela personagem em si, algo que irei focar mais daqui a pouco.
    O trunfo é sem dúvida Timothy Olyphant. Este homem tem um talento incrível, ao fim de provar as suas capacidades dramáticas na maravilhosa série que foi Justified, demonstra aqui o quão multifacetado é com uma prestação absolutamente hilariante.
    Desde a forma como entrega todas as suas falas, até ao timing e capacidade de reacção a tudo o que acontece, ele e a sua personagem são sem dúvida a melhor coisa que este série tem para oferecer.
  • A comédia consegue estar bem equilibrada com o horror que a série tem.
    E neste ponto é importante frisar, que é uma série com muito sangue, sangue e violência, capaz de rivalizar com muito material de terror nesse aspecto.
    Assim sendo, é algo que poderá não agradar a todos, pelos visuais muitas vezes exagerados que apresenta.
    Contudo, de certa forma, a Califórnia parece ser sempre o local apropriado para filmar sangue, já que é tão brilhante e colorida, o sangue é apenas mais uma cor na vasta e rica palete que o ambiente já fornece tão naturalmente.

L-1425330126-kevin-hart-what-now-tour-demo-only.jpg

Com isso focado, passemos aos aspectos que eu achei que prejudicaram a série e que poderão ditar a sua continuação ou cancelamento.

  • A primeira temporada só tem 10 episódios, algo que compreendo perfeitamente. É uma série que vive da sua narrativa, não tem episódios a servir como fillers, por isso teria de andar sempre num número reduzido por temporada para poder contar a história sem se arrastar demais.
    Contudo, para colocarem esse número tão reduzido, deveriam ter os episódios a ser mais longos. O ideal seria quarenta ou quarente e cinco minutos, em vez da meia hora.
    Digo isto porque assim apressaram-se muito na forma como a história é contada, mas acima de tudo, são as personagens que sofrem mais pela falta de desenvolvimento e trabalho que lhes é dedicado.

SCD_103_Unit_00402_R_CROP.0.jpg

  • É uma série que vai pedir ao espectador para aceitar muitas coisas.
    Ela fica zombie do nada, de seguida começa a agir por impulsos, de seguida começa a ter comportamentos irracionais, enfim, um vasto leque de acontecimentos que ocorrem apenas porque sim, sem grande explicação.
    Contudo, algo que eu enquanto espectador não posso aceitar, é a facilidade com que o marido, filha e o vizinho do lado aceitam aquilo que acabou de acontecer. Não há grandes questões, não há preocupações, não há realmente nada que demonstre o quão estranha é aquela situação, ou pelo menos não da forma como deveria ser.
    No final do segundo episódio o marido já está disposto a matar alguém para a mulher ter algo para comer. Isso não tem sentido, as personagens, mesmo com isto a ser uma comédia, deviam estar mais trabalhadas e desenvolvidas, e devia haver um lado emocional e dramático a ser focado na alteração de circunstâncias que eles sofreram. E apesar de fazerem isso com Joel, é tudo muito básico, vem e vai muito depressa.
    Devia haver uma dificuldade enorme a aceitar tudo isto, não só pelas outras pessoas, mas especialmente por Sheila. Ela está disposta a matar alguém, apenas porque tem fome.
    E apesar de agir por impulsos, continuam a colocar várias cenas em que ela sente emoção e amor, então deveria sentir também compaixão e alguma dificuldade naquilo que precisa de fazer.
    Julgo que com episódios mais longos, teriam espaço para introduzir um pouco mais de drama, algo que não iria tirar comédia à série, mas sim dar-lhe mais poder emocional, o que por contraste iria tornar as cenas cómicas esse tanto mais engraçadas.
  • Isso leva-me à narrativa e desenvolvimento que tem.
    O único elemento realmente desenvolvido é Joel. É o único que torna evidente a dificuldade que vai sentindo ocasionalmente com tudo o que se passa, enquanto as restantes vão aceitando e tendo comportamentos absolutamente ilógicos e em algum caso, clichés.
    A narrativa toma desvios que não fazem sentido para a história e acontecem puramente com a intenção de fornecer algumas gargalhadas ou porque a história sentiu a necessidade de chocar num aspecto ou noutro. Mas, alguns desses desvios criam destinos para certas personagens que são feitos demasiado cedo. É uma série com poucos episódios e de duração pequena, o choque pretendido não tem tempo para ser desenvolvido, não há qualquer ligação estabelecida entre a audiência e todas essas personagens, a única justificação para certos acontecimentos é a violência e choque gratuito. Algo absolutamente dispensável.

A haver segunda temporada, precisam de ter mais calma com a forma como desenvolvem a narrativa, trabalhar mais as personagens e ter a certeza que o que dizem e o que fazem tem sentido.
Não irão alterar a duração dos episódios, mas devem aumentar o número deles por temporada, para poderem proceder ao tal desenvolvimento que falei.
Se decidir ver a segunda temporada, será puramente por respeito a Timothy Olyphant, já que o resto é absolutamente dispensável, e o final muito pouco cativante.


Veredicto Final: 6/10

É uma série diferente, com uma aproximação original ao género zombie.
O seu elenco poderá ajudar a cativar as audiências, apesar do tema mais violento que tem.
Contudo, focando-se apenas na comédia no horror não deram qualquer tipo de foco ao desenvolvimento das personagens, o que prejudica a série.
É uma ideia com potencial que espero que melhore na segunda temporada, para já, recomendo apenas para quem queira desligar um pouco o cérebro e não questionar a falta de lógica que irá ter em muitas ocasiões.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s