Crítica – Bons Rapazes (2016)

Título Original
The Nice Guys

Género
Acção

Realizador
Shane Black

Argumentistas
Shane Black e Anthony Bagarozzi

Elenco
Russell Crowe, Ryan Gosling, Matt Bomer, Keith David, Kim Basinger


Em 1977, dois detectives privados com métodos muito diferentes, vão trabalhar juntos para tentar encontrar uma rapariga desaparecida, um mistério que vai envolver assassinos contratados, sereias strippers e uma conspiração política.


Numa época de remakes e adaptações, sequelas e prequelas, spin-offs e reboots, Shane Black ousou desafiar a “lógica” e fazer algo diferente e original.
No processo, criou aquele que na minha opinião foi o melhor filme de 2016.

Originalmente criado para ser uma série televisiva foi adaptado para o cinema quando o episódio piloto não estava a conseguir ser produzido.
The Nice Guys é uma homenagem aos filmes de outrora, aos filmes da época de 70, aos buddy cops, mas acima de tudo, é um filme com um argumento absolutamente rico e detalhado.

Durante o final da década de 70 em Detroit, o detective particular Holland March (Ryan Gosling) é contratado para investigar o aparente suicídio da famosa estrela porno Misty Moutains (Murielle Telio).
Quando uma pista o leva à procura de uma possível testemunha, Amelia (Margaret Qualley), ele encontra o detective sem licença, mas mais violento e temperamental, Jackson Healey (Russell Crowe), que por sua vez tinha sido contratado por Amelia para a proteger. Contudo, a situação complica-se e piora quando Amelia subitamente desaparece e se torna óbvio que March não era o único à procura dela.
À medida que ambos unem os seus esforços para desvendar este mistério, irão enfrentar um mundo cheio de assassinos, strippers vestidas de sereias e até uma possível conspiração governamental.

É ofensiva a forma como este filme foi completamente ignorado pelas audiências, apesar de ter recebido todas as críticas positivas possíveis (conta com 92% no Rotten Tomatoes)

Este filme custou cerca de 50 milhões para ser feito, e acabou com um lucro de cerca de 57 milhões.
As pessoas queixam-se que não há nada de original ou bom no cinema, mas quando alguém cria um filme com qualidade e que merece realmente ser visto, o público continua a ir gastar o seu dinheiro em todo o outro lixo que Hollywood continua a vomitar de forma tão constante e descarada.

É triste. É triste ver um filme tão bom e tão original, com um elenco talentoso e um argumento rico e detalhado, a não ser apoiado.
Tivesse este filme dado dinheiro, e certamente que teríamos direito a sequelas, direito à possibilidade de se criar aqui uma nova saga, para preencher o vazio deixado por clássicos como Lethal Weapon (o original também completamente escrito por Shane Black).
Assim sendo a possibilidade disso é praticamente nula.

Vou então deixar aqui a minha crítica, justificar a qualidade do filme, e esperar que alguém decida comprar o DVD/Blu-Ray e apoiar aquele tipo de cinema que merece realmente fazer lucro.

The Nice Guys é um filme de acção, contudo os elementos cómicos são uma constante bem vinda nesta película que consegue criar um balanço tão meticuloso entre tiros e comédia.

O argumento é dos melhores que Shane Black escreveu, e tendo em conta Lethal Weapon e até mesmo o Kiss Kiss Bang Bang (filme com muitas semelhanças com este), isso não foi tarefa fácil.

Desde a forma como as personagens são desenvolvidas – não só o progresso e crescimento emocional que sofrem ao longo do filme, mas também toda a backstory que nos é fornecida – até à própria narrativa, com crime, mistério e conspirações políticas que apesar da época conseguem ser relevantes e actuais, não houve uma única falha.

A história é fluida, cativante e faz sentido, tem um desenrolar natural e nada forçado.
Consegue, como já disse antes, equilibrar toda a sua acção com muitos elementos cómicos, mas sem nunca perder a ameaça e perigo deste mundo do crime em que se insere.

A atenção ao pormenor é também de uma qualidade enorme, tudo aquilo que os figurantes fazem, ajuda a alimentar a história e até mesmo eventos anteriores, com conexões simples mas hilariantes.

O cenário foi extremamente trabalhado e cuidado, o guarda-roupa e todo o ambiente em que o filme se desenrola grita a época em que se insere. Até os pormenores de poster de filmes que iam estrear naquela altura, como Jaws 2 e a estreia de Tim Allen na Comedy Store não passaram ao lado. São detalhes que poucas pessoas irão ter em conta, mas que evidencia a dedicação e paixão que foi colocada no filme.

Contudo, o motivo pelo qual tudo isto resulta tão bem é a química entre Russell Crowe e Ryan Gosling.

Todos os momentos que eles partilham neste filme, são absolutamente hilariantes e autênticas jóias. Conseguem sempre trocar tão bem os seus olhares e falas que dá ideia que já tinham trabalhado juntos inúmeras vezes antes.

Russell Crowe interpreta o herói duro e violento, com pouca paciência, mas ao mesmo tempo afável e com um código de honra e vontade de querer ser útil e ajudar. Uma espécie de versão mais cómica e pesada daquele que tinha interpretado em L.A. Confidential.
É uma personagem que lhe cai bem, e o peso extra que colocou em si para interpretar este papel, foi uma boa decisão que acrescenta poder e intensidade à personagem e à sua prestação.

Ryan é o melhor do filme. Falam da sua prestação em La La Land como a melhor? Não, a melhor prestação que ele ofereceu em 2016 está aqui, neste filme (que também é de qualidade superior).
Nunca achei que ele tinha esta capacidade cómica, mas provou-me isso sem dúvida alguma. O espectador vai rir e rir com ele ao longo de todo o filme, em tudo o que diz e em tudo o que faz. Conseguindo ao mesmo tempo deixar-nos um pouco tocados quando percebemos o porquê de ele ser um pouco como é, tendo em conta o seu passado.
O resto do elenco consegue apoiar bem o desenrolar do filme e Angourie Rice (curiosamente nascida em 2001, o ano em que o argumento deste filme foi originalmente desenvolvido) é uma revelação.

Kim Bassinger, continua a mulher linda de outrora, e ver a reunião dela com Russell Crowe ao fim de L.A. Confidential, num filme que se passa na mesma época, é simplesmente delicioso.


Veredicto Final
10/10

The Nice Guys é o melhor filme de 2016.

Um elenco extremamente talentoso, uma realização segura com um argumento rico, original e genial de Shane Black oferecem sem dúvida um filme que é obrigatório para todos.

Se possível comprem o DVD/Blu-Ray, e por favor, vão ao cinema ver filmes destes.
Apoiem o verdadeiro cinema, e não apenas o lixo que é a maioria dos blockbusters.

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2 thoughts on “Crítica – Bons Rapazes (2016)

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