Precisamos de falar sobre o Jason!

Jason Vorhees é uma personagem fictícia da saga de horror Friday The 13th.

Apareceu pela primeira vez como criança no primeiro filme Friday The 13th em 1980. A sua mãe seria a vilã e assassina desse filme, e Jason só iria ser o assassino no segundo e consequentes sequelas e remakes. À excepção de Friday The 13th – A New Beginning, em que o assassino foi Roy Burns, um homem que tem uma quebra psicológica ao fim de ver o seu filho a ser morto, e serve-se da lenda de Jason para assassinar todos aqueles que estão no centro psiquiátrico em que o seu filho era paciente.

Jason era uma criança que estava no parque de férias Crystal Lake, onde a sua mãe Pamela trabalhava como cozinheira.
Ela vê-o a morrer afogado, e os vigilantes estavam distraídos em vez de vigiarem as crianças como era suposto. Isso leva-a à loucura e a assassinar todos os membros desse parque. O filme encerra-se com a morte dela, e será o motivo pelo qual Jason regressa dos mortos no segundo filme, motivado pela vingança.

Essa foi a única informação fornecida ao longo de todos estes anos, sobre quem Jason é e o seu passado.
Mesmo em relação ao seu aspecto e aos seus poderes, sempre foram um pouco vagos.
A famosa máscara de hockey que ele usa, só surgiu no terceiro filme. A catana é a sua arma predilecta, contudo a partir de dada altura começou a assassinar as suas vítimas de outras formas e recorrendo aos vários materiais que tinha à sua disposição.
O  seu medo em relação à água começou a dada altura a ser justificado pelo facto de ele ter morrido afogado, mas são vários os filmes em que entra na água, e que anda à chuva, por isso quando em Freddy VS Jason ele fica parado com medo da água que corre de um cano, é um pouco contraditório e ilógico tendo em conta filmes anteriores.
Os seus poderes de regeneração e a sua super força seriam algo que ficariam apenas estabelecidos como fazendo parte da personagem a partir de Friday The 13th – Jason Lives em 1986.

O motivo pelo qual decidi discutir este tópico e esta personagem é porque este ano irá estrear um novo filme e, sem grandes surpresas, será um novo reboot à franchise.
O reboot já tinha sido tentado em 2009, contudo não foi o sucesso crítico e comercial que esperavam.
Este será o décimo terceiro filme da série Friday The 13th, e assim sendo parece-me a altura apropriada para Jason ter o regresso decente que merece.
Mas, tendo em conta a informação da sinopse a que tive acesso, e em que planeiam inserir o pai de Jason na história e explicar melhor o seu passado e origem, começo a sentir que irá falhar novamente.

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A ideia de explicar a origem de certas personagens é algo que nunca compreendi.
Há várias personagens que funcionam exactamente pelo simples facto de serem vazias. Funcionam por não sabermos o porquê de serem como são, especialmente quando falamos de vilões. Eles assustam por nós não sabermos nada sobre eles, não sabemos quem são ou o porquê de serem assim, e acima de tudo, não sabemos nem conseguimos compreender quem está por trás da máscara.
A partir do momento em que tentam explicar detalhadamente a origem de um dado vilão, essa magia perde-se, deixa de ser tão intimidador e começa a tornar-se algo mais banal.
A compreensão é a morte do horror.

Jason morreu num parque. A sua mãe quer vingar-se e é morta. Jason ressuscita motivado pela vingança, e não só assassina quem quer que esteja no parque, como qualquer pessoa que lhe surja à frente.
Isso é mais que suficiente para a personagem e para o público. Não interessa saber quem era o pai ou como ele era, especialmente se tentarem justificar o porquê de Jason e a sua mãe serem tão loucos e problemáticos, elimina a magia por trás das personagens.

Tentar explicar o passado de vilões já demonstrou que falhou com Freddy, Leatherface e Michael Myers.
É possível fazer o reboot sem terem de acrescentar justificações. As audiências de hoje são mais exigentes que as dos anos 80, mas a necessidade de um bom argumento não passa pela justificação da personagem, não neste caso. Basta ter um diálogo rico, horror focado e inesperado, gore e um quanto de macabro e imprevisibilidade.

O filme ideal de Jason é na realidade bem simples de criar:

Colocam o parque Crystal Lake a ser reaberto, ao fim de tantos anos encerrado. As pessoas conseguiram seguir em frente, e actualmente há quem nem sequer acredite em Jason e em tudo isso, é apenas um mito urbano.

O terreno foi completamente limpo e revitalizado, desde as cabanas até ao próprio lago e à floresta. Mas o corpo de Jason nunca foi encontrado, nem a caveira da sua mãe que ele guardava.
Dois dos jovens que estão a vigiar as crianças no lago, achando que nada de mal vai acontecer por se ausentarem uns minutos, decidem ir dar uma rapidinha para o meio da floresta.
Nesse instante, uma das crianças sente-se mal e começa a afogar-se bem no centro do lago. As crianças começam a gritar por ajuda, e um dos vigilantes regressa a correr para ir buscar a criança.
Consegue alcançá-la e trazer-la para a terra, contudo, é tarde demais, a criança afogou-se e morreu.

As crianças em volta começam a chorar assustadas e em choque, enquanto os vigilantes gritam uns para os outros, tentando determinar os responsáveis e a falar ao telefone para o 112.
Entretanto, a câmara leva-nos para o lago, e começa a afundar-se, até ir dar a uma espécie de gruta bem no fundo do lago. Lá, numa bolha de ar, Jason está sentado.
A catana espetada na terra ao seu lado, com a máscara pendurada no cabo. A cabeça da sua mãe está no chão ao lado, dentro de um saco. A câmara aproxima-se da cara desfigurada e corroída de Jason, e enquanto continuamos a ouvir os gritos das crianças assustadas, os olhos de Jason abrem-se, e ele sente-se cheio de raiva por mais uma vítima ter sofrido o mesmo que ele, devido à irresponsabilidade dos jovens.

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De seguida, voltamos para a terra, a polícia está a entrevistar os vigilantes, a ambulância está a carregar o corpo da criança, e chamadas estão a ser feitas para os autocarros virem buscar as crianças.
As crianças vão embora ao final do dia, os vigilantes ficam para acabar de encerrar tudo o que é necessário, e é durante essa noite que Jason irá surgir para os castigar.

Os jovens irão estar a discutir a situação à volta de uma fogueira ao pé do lago, enquanto que na margem oposta, Jason caminha calmamente para fora da água, máscara na cara e catana na mão. O nevoeiro paira sobre o lago, e tudo o que Jason vê do outro lado é o clarão da fogueira e o barulho que os jovens fazem. Alguns estão assustados com o que aconteceu, outros riem bêbados. A câmara aproxima-se dos olhos de Jason que lançam um olhar intenso e enraivecido, o nevoeiro aumenta e quando a névoa passa, ele já desapareceu.

Está minha versão do Jason, não tem medo de água, usa a catana como arma principal mas pode recorrer a outros instrumentos e ideias.
Jason não tem super-força, contudo tendo 1.96 e 120 Kg, é extremamente forte.
Algo que também aconteceu em alguns filmes foi a ideia de teletransporte, o facto de ele conseguir aparecer rápida e instantaneamente ao pé das personagens. Aqui isso não acontece, procuro um filme mais “real”, ele desloca-se a um passo constante e moderado. Contudo, como conhece o local melhor que os jovens, terá vantagem nesse sentido.
Não tem factor regenerativo, as feridas que sofre irão ficar lá, mas ele não sente dor, é um zombie.
A forma como o irão conseguir é decapitando-o, mas antes de o filme acabar, uma personagem sinistra irá surgir e desaparecer com a cabeça de Jason. Na sequela irá ser revelado que foi a mãe do rapaz que morreu, louca por ter perdido o filho e achando que Jason fez o correcto em tentar matar todos os jovens vigilantes.
Irá ser uma versão com violência extremamente gráfica.

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A história está feita. Têm um motivo simples e lógico, já tiveram a cena obrigatória de sexo com alguma nudez que este tipo de filme pede, podem agora focar-se no drama dos jovens assustados por não saberem as consequências legais que vão encontrar, até lhes darem um motivo bem mais horrível para se assustarem.
Tudo o que é necessário colocar aqui como extra é um diálogo rico e decente, são jovens mas não necessitam de ser clichés e estúpidos, podem ter conversas coerentes e reais.
Por fim, é uma questão de focarmos-nos no horror e no medo que tem de ser desenvolvido.

Isto é a apenas a minha opinião, está aberta a sugestões e críticas.
Adoro slasher movies, acho que são o melhor horror que há, e a sua simplicidade é o que cativa mais em todos eles.
Não é necessário complicar e estragar o mistério com origens, diálogo foleiro e barato e personagens desinteressantes.
É possível ter uma história simples, com personagens minimamente desenvolvidas e um vilão misterioso à procura de vingança.

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