Fragmentado (2017)

Título Original
Split

Género
Thriller

Realizador
M. Night Shyamalan

Argumentista
M. Night Shyamalan

Elenco
James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson e Jessica Sula


Três raparigas são raptadas por Kevin, um homem com 23 personalidades distintas.
Agora, elas terão de tentar descobrir qual das personalidades as estará dispostas a ajudas, já que a chegada eminente de uma 24ª personalidade, conhecida por A Besta, poderá significar a sua morte.


A dada altura, saído dos sucessos críticos e comerciais que foram The Sixth Sense e Unbreakable, Shyamalan era considerado o novo Spielberg, alguém com um potencial enorme e um futuro brilhante.

Infelizmente não foi o caso, e Signs foi o início da sua descendência à mediocridade ou, nalguns casos, até pior.
É difícil discernir o motivo ou motivos que terão causado isso, mas é possível que todo esse sucesso lhe tenha subido à cabeça, e no meio de maiores orçamentos e maiores produções, o seu talento artístico começou a ser cada vez menor. Quem conhece minimamente este realizador, sabe que ele tem um ego de tamanho considerável.
Sou da opinião que este é um daqueles realizadores que consegue trabalhar melhor com um orçamento mais baixo, força-o a criar uma história com mais qualidade e mais contida, caso contrário, perde-se demasiado no meio de elementos que não interessam e não irão acrescentar nada com qualidade ao filme em si.

Pessoalmente, sempre me fascinaram as oportunidades sucessivas que lhe foram dadas para se redimir, não só em orçamento mas acima de tudo no próprio elenco de que tinha ao seu dispor, apenas para falhar novamente.
Split é o seu último filme e tem recebido críticas extremamente positivas, muitos afirmam que é a prova de que Shyamalan está novamente em forma e de regresso ao nível de outrora.

Três raparigas são raptadas por Kevin (James McAvoy), um homem diagnosticado com transtorno dissociativo de identidade e que devido a isso tem 23 personalidades.
Sem saberem o porquê de terem sido raptadas, as raparigas terão de tentar encontrar uma saída, e dentro das 23 personalidades de Kevin, descobrir se alguma as poderá ajudar.
O tempo é limitado, já que a chegada iminente de uma 24ª personalidade, conhecida como A Besta, poderá ditar o fim das suas vidas.

A história do filme é deveras interessante, e consegue dar um spin curioso ao preocupante transtorno psicológico que é a dissociação de identidade.
Contudo, há partes que podiam estar mais trabalhadas. Não digo que o problema esteja no argumento em si, mas sim na forma como decidiram organizar as cenas e montar o filme.
A história pára por diversas vezes para fornecer ao espectador informação necessária para compreender um ou outro detalhe em relação a Kevin e à sua doença, ou em relação a Casey (Anya Taylor-Joy), uma das suas vítimas.

Eu compreendo a necessidade desses momentos, os de Kevin porque deixam evidente a situação preocupante e agravada do seu transtorno e as de Casey porque serão informações especialmente importantes para compreender o final.
Mas são cenas que devido à forma e aos momentos em que são inseridas, estragam a intensidade que o filme pretende fornecer.
Julgo que todos os flashbacks referentes a Casey poderiam ser introduzidos logo de início, quando a vemos pela primeira vez, sozinha e anti-social.

E em relação a Kevin, as reuniões com a sua psicóloga deveriam ser tudo o que era necessário para fornecer essa informação.
Julgo que com essa organização o filme iria correr e desenvolver-se de forma mais fluida e com o suspense a crescer progressivamente.

Como é típico neste realizador, ele tinha de ter o seu cameo.
Há vários realizadores a fazer isto, mas é sempre um risco. Porque ou é feito numa cena importante para o desenvolvimento do filme ou então tem de ser feito de forma quase imperceptível para não estragar a experiência cinematográfica da audiência.
Infelizmente aqui não houve esse cuidado e o seu cameo retirou-me completamente da história. Não é que a cena não conte algo importante para uma das personagens, porque conta, mas a forma como é feita é tão constrangedora e forçada, especialmente as suas falas, que torna-se apenas Shyamalan a estragar o filme para agradar ao seu ego.

No que toca à realização, a abordagem escolhida foi sem dúvida a mais correcta. O filme em muitos momentos dá a sensação de ser filmado em hand-held cam, dá à audiência a sensação de que está lá naquele piso subterrâneo com Kevin e as suas vítimas. É uma realização e filmagem, na sua maior parte, muito claustrofóbica, o que ajuda o thriller e tudo o que está a acontecer a ter um nível de perigo superior e mais intimidador.

Com isso dito, apesar de ser anunciado como um thriller de horror, ao fim de o ver tenho de discordar.
É um thriller, sem dúvida, mas o nível de horror que tem é tanto como os momentos cómicos, talvez até em menor quantidade.
É um thriller carregado de suspense com um ou outro momento mais intenso, especialmente no final, mas nunca chega a ser horror. Foram vários os momentos em que a audiência com quem vi o filme no cinema, se riu.

História e realização à parte, o que faz este filme distinguir-se e ter realmente alguma qualidade é a tour de force dramática que James McAvoy desempenha.
Que prestação absolutamente fenomenal, digna de toda a aclamação que tem recebido pelos críticos e até mesmo digna de ser nomeada para inúmeros prémios.
McAvoy desempenha cerca de 9 personagens diferentes ao longo deste filme (apesar das 23 personalidades, nunca as vemos todas), e consegue em todas elas, colocar pormenores suficientes para parecerem realmente pessoas completamente diferentes.

Foram muitas as ocasiões em que simplesmente a alteração facial ou o seu olhar eram suficientes para me indicar que não só estava perante uma personalidade diferente, como a dada altura já me era possível identificar que personalidade era essa.
O seu desempenho é sem dúvida o melhor que o filme tem para oferecer, e possivelmente o que torna toda a película tão atractiva e aclamada como tem sido até aqui.

A personalidade preferida para a maioria das pessoas será Hedwig, um rapaz de 9 anos, que será o motivo das inúmeras gargalhadas que referi anteriormente, mas a intensidade de Dennis, a ameaça de Patricia e a simpatia e inocência de Barry são aspectos que também não podem ser ignorados.
E claro, quando finalmente somos apresentados à 24ª personalidade, A Besta, temos a sensação que estamos perante um animal e não uma pessoa.

Em relação ao final, é típico todos os filme de Shyamalan acabarem com um twist, aqui ao invés disso o que temos é mais uma revelação extra e inesperada.
Poderão haver aqueles que digam que é forçada, mas eu pessoalmente gostei. Achei que foi uma cena curta e simples, que se encaixou na narrativa e que forneceu toda a informação necessária para aquilo que virá a seguir.
Com isso dito, é muito inesperada e o seu significado poderá passar ao lado de muitos espectadores, e tenho a sensação que foi isso que aconteceu com a audiência que viu o filme comigo, já que decidi olhar à minha volta e os olhares eram apenas de confusão e não de alegria e excitação como seria suposto, o que é pena.

Não irei aqui dizer qual é o final ou o que envolve, mas para aqueles que o viram e compreenderam, Shyamalan anunciou no twitter que já tem um história base com cerca de 11 páginas sobre o seu próximo projecto, e que é exactamente o que esperamos que seja.


Veredicto Final – 7/10

É um thriller intenso e com muito suspense que oferece McAvoy a ter uma das melhores prestações da sua carreira e que só por isso merece ser visto.
Para quem conheça a filmografia de Shyamalan, a revelação final será o suficiente para o filme ser indispensável e criar excitação para o que virá depois.

Anúncios

2 thoughts on “Fragmentado (2017)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s