Hell Or High Water – Custe O Que Custar! (2016)

Título Original
Hell Or High Water

Género
Crime

Realizador
David MacKenzie

Argumentista
Taylor Sheridan

Elenco
Dale Dickey, Ben Foster, Chris Pine, Jeff Bridges e Gil Birmingham


Esta película conta a história de Tanner (Ben Foster) e Toby Howard (Chris Pine), dois irmãos que irão assaltar inúmeros bancos para conseguirem juntar dinheiro para um motivo pessoal. Enquanto isso, irão ter o Texas Ranger Marcus Hamilton (Jeff Bridges) a persegui-los.


Sicario foi provavelmente um dos melhores filmes de 2015.
É verdade que grande parte disso se deveu à realização de Denis Villeneuve e à cinematografia de Roger Deakins, mas não podemos deixar de dar crédito a Taylor Sheridan pelo argumento que criou. Especialmente se tivermos em consideração que foi a sua estreia enquanto argumentista.

Com Hell Or High Water consegue superar-se, mas acima de tudo, consegue fazer o oposto que fez em Sicario. É um filme que vai viver das suas personagens, do diálogo e da narrativa, em vez de se apoiar tanto em tiroteios ou infiltrações tácticas em território inimigo.
É um western moderno, um tributo aos clássicos de outrora, mas é ao mesmo tempo algo muito contido e lento.

A expressão “hell or high water” pode ser utilizada em dois sentidos, e ambos irão fazer parte do argumento deste filme, ainda que em ocasiões distintas.

A página de IMDb deste filme e até mesmo o trailer irão explicar qual é o motivo pessoal que os leva a assaltar estes bancos, aconselho a não se irem informar antes.
Eu fui ver este filme sem saber o porquê, e fui tirando as conclusões por mim, com a informação que me era dada. Isso aumentou a carga emocional e dramática do filme, e por conseguinte colocou-me numa posição em que estava realmente interessado e preocupado com as personagens e com o que lhes poderia acontecer.

Como disse antes, é um filme muito calmo e contido. A história vai-se desenrolar lentamente, e é muito refrescante ver um filme que não tem pressa em chegar ao final ou em tentar chocar o espectador constantemente. Em vez disso, Hell Or High Water relaxa e deixa as personagens contarem as suas histórias, deixa-as crescer e florescer à nossa frente, colocando alguns momentos mais dramáticos, outros mais cómicos, mas acima de tudo, momentos humanos com os quais todos nos podemos ligar.

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David MacKenzie tem uma realização segura e controlada, aproximou-se deste argumento com o respeito e honestidade que ele exigia e entrega um filme extremamente realista e cru. Desde as personagens, aos próprios assaltos e acção, é tudo tão real e honesto que apenas serve para aumentar a carga emocional de tudo o que se desenrola no ecrã.

Este é um filme que é suposto passar-se no Texas, contudo foi filmado em outros locais, como o México. Assim sendo, há que dar o devido respeito à cinematografia de Giles Nuttgens, que aliada a uma boa banda sonora country, consegue captar perfeitamente o ambiente texano.
Os ângulos nas quintas são absolutamente maravilhosos e hipnotizantes, desde a forma como capta a luz e o por do sol, até às posições que os actores tomam em cada uma dessas cenas tão maravilhosamente editadas.

As prestações são todas dignas de Óscar, e é pena Jeff Bridges ser o único a conseguir a nomeação.

Jeff Bridges é Jeff Bridges, não há realmente muito que possa ser dito. O homem tem um talento inacreditável em tudo o que faz, e aqui consegue dar a este ranger uma dimensão maior do que aquela que o filme pretenderia dar. Não é uma personagem necessariamente aprofundada, em relação à sua vida e ao seu passado, mas através de uma dose pequena de informação e a prestação de Jeff Bridges, conseguimos sentir o propósito, a inteligência e o foco, mas acima de tudo a dor que ele sente.
E a troca de insultos que tem com o seu parceiro, interpretado por Gil Birmingham é sem dúvida um grande elemento cómico do filme, que dará um poder devastador a uma cena perto do final.

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Chris Pine e Ben Foster são os protagonistas principais deste filme, e não há realmente nenhuma falha que lhes possa apontar.
São dois actores de que sempre gostei e aqui têm possivelmente as suas melhores prestações.
Chris Pine fornece uma dor muito submersa mas forte e óbvia, algo que nunca irá realmente ultrapassar, ao mesmo tempo que demonstra em momentos mais explosivos que tem um lado negro que nem sempre consegue controlar.
Ben Foster é o contraste perfeito para a calma que a personagem de Chris tenta criar. É mais explosivo, agressivo, temperamental e impaciente, mas ao mesmo tempo consegue fornecer elementos cómicos, e no final uma cena absolutamente humana, enternecedora e fraternal.
Qualquer um deles merecia ser nomeado para actor principal, bem mais que Ryan Gosling por La La Land.


Veredicto Final – 10/10

É um dos melhores filmes de 2016, e merecia ter sido mais reconhecido pelos Óscares e pelo público.
Um western moderno que arde lentamente até alcançar um final explosivo, já não se fazem muitos filmes assim.

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4 thoughts on “Hell Or High Water – Custe O Que Custar! (2016)

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