Descansa em paz, Daniel…

A vida realmente não vale nada, e a qualquer altura a qualquer instante podemos ser arrancados deste mundo.

É claro que faz parte do cliché dizer que eles foram para um lugar melhor, sem sofrimento e dor; ou que todos sabemos que a morte é inevitável.
Mas nada vai acalmar a dor de perder quem amamos, nem o próprio tempo. Tudo o que acontece é começarmos a aprender a viver com ela, mas está sempre lá.
Mas quando essa dor, essa ausência está tão fresca, não há palavras para descrever tal sensação de agonia e desespero.

Nos últimos dois anos já tive de escrever vários textos destes, começando na minha avó e passando por vários amigos.
Nunca doeu menos, à sua maneira todas foram pessoas que faziam parte da minha vida, e em alguns casos foi algo completamente inesperado.
Não que a preparação diminua a dor, mas, é diferente.

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Hoje perdi novamente um amigo, o Daniel. Uma das melhores pessoas que tive o prazer de alguma vez conhecer, e provavelmente a mais simpática. Sempre bem disposto, sempre com um sorriso.
Acho que não devem haver dois irmãos que eu goste tanto como o Pedro e o Daniel.

Conheço o Pedro já há mais de 13 anos. Começámos casualmente a falar de filmes, e a partir daí tudo se desenvolveu. Começou com a troca ocasional de filmes que emprestávamos um ao outro, até discussões de opiniões e até chegar finalmente a altura em que aguardava as quartas-feiras de manhã para poder falar com o meu amigo.
A minha avó refilava comigo por o empatar, que tanto ele como ela tinham mais que fazer, e o almoço já estava ao lume. Mas, era mais forte que eu, gostava realmente de falar com ele, um pouco sobre tudo. E, ainda gosto. A vida dá voltas e não o vejo ou falo com ele tanto como gostaria, mas a amizade continua lá.

Foi através de Pedro que eu tive o prazer de conhecer o Daniel. E que pessoa fenomenal que o achei ser logo de imediato. Igualmente bem disposto, com os mesmos gostos que eu e com uma energia muito forte e única, à sua maneira fazia qualquer pessoa sentir-se confortável na sua presença.

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Foi algures por 2012 que eu e o Pedro fomos a Lisboa ver a WWE pela primeira vez, na altura eu tinha ficado com um bilhete a mais e ele foi a primeira pessoa que me ocorreu convidar, tivesse eu mais um bilhete, ou houvesse ainda lugares disponíveis e certamente que o Daniel teria ido connosco. Felizmente isso foi corrigido na segunda vez que eles cá vieram, fomos os três ver a RAW, consegui tocar no John Cena quando veio “lutar” para o meio da audiência, vimos o Mourinho, divertimos-nos, sorrimos e conversámos…foi uma boa noite. Irei sempre guardá-la comigo.

Lembro-me das chamadas telefónicas constantes tanto da tua mãe como da minha, para saber se tínhamos chegado bem, quando íamos sair, como estava o trânsito…coisas de mãe.
Lembro-me de me rir quando a tua mãe disse:
– Liga quando chegares a casa.
E vivendo tu na mesma casa que ela, a forma como disseste:
– Pensa bem no que me acabaste de dizer.
Fez-me rir tanto na altura.

Desde então, fomos falando sempre que nos víamos, nem que fosse apenas um “Olá, como estás?“, tu sempre com esse sorriso tão característico.
Não sou a pessoa mais social, e por vezes até evito pessoas que vejo conhecidas apenas para evitar aquela conversa casual e forçada, mas nunca o fiz contigo, nunca me senti desconfortável, pareceu sempre tão natural.
Lembro-me de termos discutido na altura alguns planos de treino e tudo o mais, quando querias aumentar um pouco o teu peso. Lembro-me de ainda há pouco tempo te ter visto em Coja e te ter apresentado a minha namorado. Lembro-me de dizer para ela o quão simpático e maravilhoso eras enquanto pessoa…

Ias todas as semanas ao meu café, e todas as semanas perguntavas à minha mãe:
– Então e o Luisito, está bom?

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Foste cedo demais Daniel, muito muito cedo. Eras uma pessoa com um brilho só teu, iluminavas o teu caminho e aquele de quem tinha o prazer de pertencer de alguma forma à tua vida.
Irás deixar um vazio enorme neste mundo, especialmente naquele de todos os que te conheciam.
Dá um beijo meu à minha avó…e até um dia meu amigo.

Os meus sentimentos ao Pedro, mãe e pai, à Susana, todos os familiares e amigos que de alguma forma tiveram o prazer de conhecer o Daniel.

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