Crítica – Patriots Day: Unidos Por Boston (2016)

Título Original
Patriots Day

Género
Thriller

Realizador
Peter Berg

Argumentistas
Peter Berg, Matt Cook e Joshua Zetumer

Elenco
Mark Wahlberg, John Goodman, J. K. Simmons, Kevin Bacon, Michelle Monagham


O filme foca-se nos acontecimentos de 15 de Abril de 2013, e na caça ao homem que adveio dessa situação.
Ao longo da história iremos seguir várias personagens diferentes, as suas perspectivas do que aconteceu, e de que forma este atentado afectou as suas vidas.


Esta é a terceira colaboração entre Peter Berg e Mark Wahlberg, e tal como os seus dois filmes anteriores, é baseado em acontecimentos verídicos.

No dia 15 de Abril de 2013, durante a Maratona de Boston, houve um atentado terrorista.
Duas bombas feitas com panelas de pressão explodiram, com uma diferença de 12 segundos entre si, perto da linha de chegada.
Três pessoas morreram e 264 ficaram feridas.

Quando isto aconteceu, começaram a ser trabalhados ao mesmo tempo, três filmes diferentes sobre o evento:
– Patriots Day
– Boston Strong
– Stronger

O primeiro era um filme completamente focado nos eventos e mais biográfico, iria seguir a perspectiva do comissário da polícia de Boston, Ed Davis.
O segundo seria um filme mais focado na caça aos suspeitos, um thriller carregado de acção.
O terceiro seria um filme mais dramático que segue Jeff Bauman, um dos sobreviventes do atentado que vai ajudar a polícia a capturar os suspeitos.

Os dois primeiros filmes tiveram os seus argumentos fundidos num só, e daí resultou esta película, Patriots Day.
O terceiro, Stronger, irá estrear também este ano e tem como actor principal Jake Gyllenhaal.

Fazer um filme baseado num acontecimento destes é sempre difícil e polémico, especialmente algo ainda tão fresco nas mentes das vítimas, familiares e amigos.

É um tema em que é muito fácil errar. Ou é criado um filme excessivamente dramático e biográfico que se tornará lento e aborrecido, ou é criado um filme demasiado excessivo e carregado de momentos emocionantes e adrenalina que acabará por tratar as personagens e história de uma forma demasiado leve e ofensiva.

Patriots Day, provavelmente devido ao facto de misturar argumentos com abordagens tão diferentes, consegue caminhar bem neste limbo. E assim, cria aqui um tributo respeitoso às vítimas, sobreviventes e polícias heróicos que perseguiram e capturaram os irmãos que cometeram este acto horrendo, conseguindo também colocar alguma acção durante a narrativa.

Ainda assim não se conseguiu livrar totalmente de controvérsia.
Houve um polícia afro-americano que morreu neste atentado e isso nunca é mencionado no filme, que acaba por também não ter grande presença por parte de afro-americanos, optando ao invés disso por juntar três polícias reais numa única personagem fictícia Tommy (Wahlberg).
Contudo, continuo a achar que aqui houve uma abordagem que tentou respeitar e dar protagonismo a todos os envolvidos.
E a personagem de Tommy acaba por ser algo necessária, não só à conclusão que o filme quer ter, que é fornecida por essa personagem num monólogo carregado de emoção, como no crescimento humano que é necessário num filme destes.

Um aspecto que gostei muito foi a forma como as diferentes agências cooperaram entre si.
É verdade que existe sempre aquele atrito entre os vários políticos e entre polícia e FBI, contudo este foi um filme que soube tocar nesse assunto sem nunca perder noção daquilo que realmente interessava: capturar os terroristas.
Assim, há discussões, há zangas, mas existe sempre um grande ambiente de apoio mútuo, compreensão e cooperação. Existe a noção clara daquilo que interessa, e que agora não é altura para eles se meterem no caminho uns dos outros.

É um filme com prestações subtis, mas emocionais.
Tem um forte elenco secundário com Goodman, Bacon, Simmons e Monagham, mas quem brilha é realmente Mark Wahlberg.
Talvez por o actor ser de Boston e ser um assunto que realmente o afectou, os seus sentimentos estivessem mais à flor da pele, e isso aqui forneceu-lhe uma vantagem. Tornou-se um ponto de partida forte para a personagem, alguém duro, com pouca paciência e carregado de raiva e frustração que de repente é confrontado com um dos maiores actos de ódio possível.
E no meio de todo este drama, de todo este caos, vai ser possível ver a personagem a crescer, a mudar um pouco uma perspectiva ou outra, e juntamente com o espectador e toda a cidade de Boston, chegar à conclusão que o Amor é a única forma de vencer o Ódio.

A realização e a cinematografia estão bem conseguidas.
A cinematografia fornece ângulos muito poderosos, muitos deles no trailer do filme, que conseguem aumentar a carga emocional e a intensidade de tudo aquilo que aconteceu tal como as mensagens subjacentes que tenta transmitir.
Quanto à realização, sempre achei Peter Berg um bom realizador, à excepção do horrível Battleship.
Mas com estas últimas três películas, acho que encontrou uma área muito benéfica para si. Estes filmes biográficos são realmente um ambiente em que se nota o quão confortável ele se sente, e consegue sempre criar um filme emocionante, com alguma adrenalina (especialmente no caso de Lone Survivor) mas acima de tudo, um tributo e homenagem aos acontecimentos reais e a todos os envolvidos.

Patriots Day é um filme bem realizado, focado na cidade de Boston e nos seus cidadãos.
Faz um bom trabalho ao apresentar ao espectador todo um leque enorme de personagens, que iremos seguir antes e depois do atentado, fornecendo assim uma história completa em vários patamares diferentes: vítimas, sobreviventes, responsáveis criminosos, políticos e polícias.
É óbvio que não consegue desenvolver todas com o mesmo nível de profundidade, mas dá informação suficiente sobre cada uma delas para o espectador sofrer com elas ao longo do filme.


Veredicto Final
8/10

Trata um tópico sensível, mas consegue tratá-lo com o respeito e a sensibilidade que merece.

Fornecendo múltiplas perspectivas cria uma película completa no que toca à forma de como isto afectou a vida de todos os envolvidos.

Com uma prestação muito emocional e sentida de Wahlberg e uma realização segura e honesta de Berg, a dupla volta a conseguir pela terceira vez consecutiva fornecer um bom filme biográfico que respeita e homenageia as vítimas.

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