Scream: The TV Series – 1ª Temporada (2015)

Título Original
Scream – The TV Series

Género
Terror

Criador
Jay Beattie, Jill E. Blotevogel, Dan Dworkin

Elenco
Willa Fitzgerald, John Karna, Carlson Young, Bex Taylor-Klaus, Tracy Middendorf


Ao fim de um bullying virtual resultar num homicídio, a violência traz à memória um homicida do passado, que assustou alguns, intrigou outros, e talvez tenha inspirado um novo assassino.
Um grupo de adolescentes irá estar no centro do horror, com os seus elementos a tornarem-se amantes, inimigos, suspeitos, alvos e vítimas.


Dentro do género de terror, a área que sempre me interessou mais foi a que envolvesse serial killers.

Para muitos, os melhores filmes desse subgénero, de slasher horror, são os da saga Halloween, criada por John Carpenter em 1978.
Eu sou forçado a discordar. Gosto muito de Halloween, é sem dúvida um clássico que ficará na história como um dos melhores de sempre e John Carpenter é um gigante nesse mundo.

Contudo, para mim o falecido Wes Craven criou na saga Scream algo muito mais interessante e inovador.

Quando o primeiro filme de Scream estreou em 1996, com Drew Barrymore no poster e sem dúvida o nome mais conhecido de todo o elenco, todos esperavam um filme comum. Um filme com um assassino e os clichés a que todos estamos habituados, mas quando a personagem de Drew morre nos primeiros 15 minutos, todos ficaram a saber que algo de novo e diferente os esperava.

Não se enganaram, Scream revitalizou um género que na altura estava moribundo e fraco, conseguiu misturar o horror com um sarcasmo e um senso de actualidade que ninguém esperava. O facto de durante o filme a personagem Randy, interpretada por Jamie Kennedy, estar constantemente a mencionar os clichés dos filmes de horror e quais as regras para sobreviver, deu toda uma energia meta e divertida a um filme que criou a sua própria fórmula.
As sequelas foram mais fracas, mas os três filmes originais continuam a ser para mim uma das melhores trilogias do género que não posso recomendar demais.
O quarto filme infelizmente é algo absolutamente dispensável.

Avançando no tempo para 2015, o mesmo ano em que Wes Craven morre, começa a ser emitida na MTV a série Scream.
A primeira temporada foi para o ar em 2015 com 10 episódios, a segunda foi transmitida em 2016 com 13 e irá sair uma terceira em Maio de 2017.
Wes ainda produziu a primeira temporada, mas nunca compreendi o porquê.
A única coisa que esta série tem a ver com o original é o nome.
As personagens são outras, o local é outro, o assassino é outro com toda uma história e lenda urbana por trás, e sem dúvida alguma que a qualidade é inferior.

Resultado de imagem para Scream The TV Series Poster

A saber que não seria um reboot nem uma continuação da saga original, e que seria apenas uma espécie de re-imaginação, tentei ver a série com a mente aberta, disposto a dar-lhe uma oportunidade e deixar que ela criasse o seu próprio mundo e me cativasse.
Infelizmente, não foi o caso.

Ao fim de um bullying virtual resultar num homicídio, a violência traz à memória um homicida do passado, que assustou alguns, intrigou outros, e talvez tenha inspirado um novo assassino.
Um grupo de adolescentes irá estar no centro do horror, com os  seus elementos a tornarem-se amantes, inimigos, suspeitos, alvos e vítimas.

A série é ofensiva para o género de slasher horror em geral, mas em particular para a saga em que se inspira.
O argumento é atroz, com diálogos horríveis, um desenrolar de acontecimentos trapalhão e sem nexo e uma conclusão absolutamente absurda.
Há constantes erros de continuidade e de coerência ao longo da temporada.

E, mesmo que eu pudesse tentar desculpar isso e desfrutar apenas do horror barato que tenta oferecer, os actores simplesmente não o permitem.
As prestações desta série são das piores que vi nos últimos tempos. A única personagem que posso dizer que faça um bom trabalho, é o assassino, e isso deve-se apenas ao facto de ter a cara tapada e as suas falas serem ditas apenas ao telefone. E a sua voz mesmo assim, não tem metade do charme ou da capacidade de intimidar que tinha a fornecida por Roger Jackson na saga original.

Eu podia tentar respeitar o facto de quererem misturar as ideias de redes sociais e de streaming que são hoje tão populares, se já não tivesse visto a ideia a falhar em Scream 4.
Há realmente potencial nesse material, mas não da forma em que a série decide abordar o tema.
O assassino, e outras personagens da série são autênticos mestres da informática, conseguindo fazer hack a tudo o que seja material electrónico, desde telemóveis, a computadores, câmaras de segurança e televisões.
Este tema a ser utilizado num filme de terror deve ser feito pelas vítimas, o assassino não tem de se preocupar se está a ser tópico de discussão no twitter, deve querer apenas matar e ser o mais macabro possível, as pessoas irão falar nele devido ao que ele faz, e não por ele tentar ser o centro das atenções a mandar mensagens ou colocar hashtags nas publicações-

O Xerife desta cidade é absolutamente inútil! Eu nunca vi nada assim, o homem não detecta nada, não chega a conclusão nenhuma sozinho e não consegue prender ninguém.
A polícia nesta série é absolutamente dispensável, e nem sequer parece estar realmente a tentar.
Não se vêem manifestações de pais ou professores assustados, a cidade na sua grande maioria passa completamente ao lado de tudo o que está a acontecer.
A série focou-se unicamente no grupo de adolescentes a que quer dar protagonismo e poucos à sua volta interessam, a menos que o argumento necessite deles para desenvolver algum ponto da narrativa.

Mesmo com as más prestações dos actores, poderia haver personagens interessantes, mas isso também não é o caso.
São personagens do mais básico e menos desenvolvido que há, colocam as cruzes em todas as caixas de clichés e têm um diálogo e personalidades tão detestáveis que muitos só me deixavam feliz quando eram mortos e me poupavam a ter de os ouvir mais tempo.
São imensas as alturas em que as suas falas e os seus comportamentos não têm nada de apropriado para o momento em que se encontram, dizem coisas que ninguém diria naquela situação e tomam decisões absolutamente ilógicas e ridículas.

Nenhuma das personagens é mais detestável que Emma, a protagonista principal e centro da narrativa.
Não é possível gostar dela, não como os argumentistas pretendem.
Sidney, a personagem central da saga original era inteligente, corajosa, perspicaz, forte e determinada, altruísta e honesta.
Emma não é nada disso, é apenas uma rapariga ignorante que não tira nenhumas das conclusões que devia tirar, toma decisões erradas, e fica surpreendida quando os outros lhe mentem apesar de ela própria o fazer constantemente.

Tentam copiar várias algumas coisas da série original, e a mais óbvia é a personagem de Noah.
Noah é suposto ser o alívio cómico, e tal como a personagem Randy nos filmes, é aquele que conhece tudo o que há a conhecer sobre terror.
São inúmeros os momentos em que entra nalguma espécie de monólogo em transe e começa a divagar sobre alguma teoria cinematográfica sobre tudo o que está a acontecer, e os editores da série insistem em colocar sempre a mesma música por cima desses momentos, SEMPRE!
O que ele diz aplica-se num sentido ou outro, mas na sua maioria é algo completamente ilógico para o rumo que a conversa estava a ter, não faz sentido ele ir pegar naquele assunto ali, seria assuntos que diria noutros ambientes, a outras pessoas.
Randy era charmoso, cómico e realmente útil, acima de tudo para o espectador.
Noah é apenas irritante e aborrecido, tal como todas as outras personagens.

O horror é capaz de ser o único ponto positivo.
Há uma ou outra morte bem feitas, mas mesmo assim não compensam pelo resto.
O assassino é muito inteligente numas coisas, mas depois é absolutamente estúpido em outras. E por algum motivo tenta encobrir um dos crimes que comete, mas fá-lo tão mal que acaba por ser completamente desnecessário.
E a revelação final, sobre quem está por trás da máscara, não faz sentido absolutamente nenhum, e é muito fácil voltar para trás na série e apontar os momentos em que seria impossível ser quem é revelado.
Conseguem chocar, mas por motivos errados.

Por fim, a máscara é horrível, deviam ter mantido a original que era muito melhor e o próprio Wes Craven disse isso numa entrevista.
Compreendo que se quisessem distanciar do original, mas já tinham inúmeros elementos para isso, deviam também ter tido o cuidado de manter mais algumas ligações.


Veredicto Final: 4/10

É uma ofensa ao nome que tem e ao género slasher na sua generalidade.
Diálogo, argumento e personagens desinteressantes e inúteis.
É ofensivo para o espectador aquilo que esperem que ele aceite ao longo da temporada.
O único motivo pelo que dou 4 é porque é uma série que pode ser vista de forma cómica, um guilty pleasure. Dá para rir com o ridículo das situações.

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4 thoughts on “Scream: The TV Series – 1ª Temporada (2015)

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