Lego Batman: O Filme (2017)

Título Original
The LEGO Batman Movie

Género
Animação

Realização
Chris McKay

Argumentistas
Seth Grahame-Smith, Chris McKenna, Erik Sommers, Jared Stern

Elenco
Will Arnett, Michael Cera, Rosario Dawson, Ralph Fiennes e Zach Galifianakis


Gotham City enfrenta a sua maior ameaça, e se Batman (Will Arnett) a quer salvar, terá de confrontar o seu maior medo e admitir que no fundo, nenhum homem é uma ilha.
Aliado a Robin (Michael Cera), Barbara Gordon (Rosario Dawson) e Alfred (Ralph Fiennes), Batman irá enfrentar o Joker (Zach Galifianakis) e todo o seu exército de vilões.


Quando o filme The LEGO Movie ultrapassou todas e quaisquer expectativas, não só de bilheteira mas também críticas, uma sequela seria inevitável.
Contudo, antes da sequela que só chegará em 2019, temos agora direito a este spin-off com Batman, que foi possivelmente a melhor personagem e surpresa do filme.

Este é um Batman excessivamente egocêntrico, confiante, convencido e…hilariante.
Grande parte disso se deve ao fenomenal voice-work que Will Arnett tem com esta personagem, a sua voz combina com Batman extremamente bem, não só no quão grave consegue ser, mas na forma como sentimos o egocentrismo em cada palavra, o seu sarcasmo e o seu humor. Algo que Will Arnett torna em cómico, outra pessoa poderia tornar apenas irritante e aborrecido.

The LEGO Movie não foi nomeado para Óscar de melhor filme de animação em 2015, apenas para melhor música com Everything Is Awesome.
Contudo, na minha opinião, não só merecia ter sido nomeado como foi realmente o melhor filme de animação do ano com Big Hero 6 num segundo lugar muito próximo.

Com uma box office de 170 milhões a nível mundial e uma avaliação de 91% no agregador de críticas Rotten Totatoes, as minhas expectativas estavam muito altas.

Consegue The Lego Batman Movie ser merecedor de tanta aclamação e alcançar a fasquia imposta por The Lego Movie?

É um filme extremamente bem trabalhado em inúmeros aspectos, e apesar de ter falhas óbvias, irei começar pelos pontos positivos:

  • A animação é sem dúvida o melhor que o filme tem para oferecer. A LEGO é dona de todo um visual muito único e particular, mais nenhuma empresa pode tentar fazer algo assim, desta forma oferece a esta companhia uma oportunidade de criar o seu próprio mundo, sabendo que não será igualado.
    E eles não desperdiçam esta oportunidade. O CGI está extremamente bem feito e bem trabalhado, e são muitos os momentos em que realmente parece animação stop-motion.
    É extremamente satisfatório ver todas aquelas personagens LEGO a ganhar vida, e conseguiram até incluir as próprias rugas típicas do plástico na cabeça dos bonecos, não há palavras para descrever a atenção ao detalhe que toda a equipa teve.
    E ver explosões, chamas e nuvens de LEGO dá um prazer enorme, somos transportados para aquele universo logo de começo e conseguem-nos manter lá até ao último segundo.
  • À excepção de Zach Galifianakis, todo o elenco foi bem escolhido e conseguem transformar estas personagens em algo seu. Não houve qualquer descuido, desde a personagem principal até à mais das secundárias, são tudo nomes conhecidos com vozes muito características e peculiares que conseguem dar vida e humanizar todos aqueles bonecos.
    Em relação a Zach, não é que ele faça um mau trabalho, porque não faz e adorei o Joker. Contudo não é uma voz que fique bem nesta personagem, preferia alguém que conseguisse dar uma gargalhada mais estranha e uma entoação diferente às falas da personagem. Queria uma voz que me permitisse fechar os olhos e saber que era o Joker que falava, e a dele simplesmente não foi capaz disso. Contudo o Joker continua a ser uma presença forte do filme e um dos aspectos mais cómicos será a sua relação com Batman.
  • Em relação à história e ao seu desenvolvimento, julgo que ainda não vi nenhum filme do Batman onde os argumentistas tivessem deixado tão clara a pesquisa que foi feita.
    É surpreendente o conhecimento que é debitado ao longo dos 104 minutos de filme.
    Desde um número absurdo de referências e tributos aos inúmeros filmes e séries do Batman que já tivemos, até à presença de vilões completamente desconhecidos como o Crazy Quilt, Egghead, Condiment King e muitos outros. Isto não são vilões B nem C, são vilões mesmo do fundo do baú que muitas pessoas não irão conseguir conhecer e acharão que foram inventados para alívio cómico. E dentro do alívio cómico, é um filme muito meta, com mensagens directas para a audiência e muitas referências a séries e filmes que pertencem a outros universos, como Harry Potter, Lord Of The Rings e até mesmo Doctor Who.

Agora, com todos esses pontos positivos analisados, está na altura de discutir aquilo que prejudicou o filme.

  • The Lego Movie foi realizado pelos talentosos Phil Lord e Christopher Miller, e é aqui que este filme fica muito atrás.
    Chris McKay apesar de compreender todo o elemento cómico e já ter dado provas da sua capacidade neste mundo animado e satírico, com Robot Chiken, não consegue aqui criar e estabelecer um mundo tão fluido e agradável à vista como o filme anterior.
    Há cenas muito forçadas e carregadas de elementos visuais, tantas que são várias as alturas em que se torna difícil perceber o que está realmente a acontecer no ecrã.
    Sendo o filme do Batman, a personagem que idolatriza o preto, respeito o cuidado que houve em tentar escurecer o brilho, iluminação e o próprio ambiente. Mas devido a isso, as explosões, tiros e uma excessiva quantidade de luzes a piscar que provêm de todos os gadgets e veículos, tornam-se demasiado agressivas e incomodativas para a vista.
  • A história, apesar de ter sido muito bem abordada e desenvolvida, tropeça muitas vezes em si, e na tentativa de contar piadas em cada 10 segundos, acaba por não saber aproveitar bem o seu tempo de duração.
    As piadas são tantas e tão frequentes, que enquanto nos rimos e apreciamos uma, já foram contadas mais umas duas ou três, e devido a carregaram tanto a parte inicial e final do filme com elas, o meio fica muito pobre em relação ao resto. É um contraste que incomoda e enfraquece muito o desenvolvimento cómico do filme e prejudica o seu desenrolar natural, a dada altura torna-se um desenvolvimento forçado.
    Sem mencionar que há algumas piadas que se contradizem entre si, dá ideia que escreveram várias piadas sobre um dado tópico e na dúvida entre qual escolher, optaram por inserir todas, ignorando se faziam sentido entre si ou não.
  • Admiro a abordagem que tentaram dar à personagem do Batman, de o seu maior medo ser a solidão e de afastar todos os que lhe são próximos para não correr o risco de perder ninguém. Contudo, a forma como decidem concluir essa narrativa, apesar de ter boas intenções, é errada.
    O Batman é realmente uma personagem triste e solitária, mas é por isso que é tão adorado. Ele tem de sentir esse isolamento e tem de viver nele. É isso que o faz um humano com falhas tão óbvias que criam empatia com os seus fãs, caso contrário é um ser perfeito com o qual não nos conseguimos relacionar.
    Não digo que não possa trabalhar em equipa e saber apreciar essa necessidade em várias alturas, porque se há alguém que sabe isso é ele, é o mais inteligente. Contudo, ao final do dia, o isolamento é sempre onde ele vai encontrar o conforto. Ele é um ser solitário e neste momento é essa escuridão e esse ambiente que são a sua casa, termos como felicidade, família e companhia, são estranhos e irreconhecíveis.
    Sendo este um filme de crianças, poderiam não focar isso de forma tão negra, mas, o tratamento tinha sem dúvida de ser outro. Até porque, o Batman solitário e isolado que conhecemos no início é sem dúvida alguma muito mais cómico e hilariante do que aquele com que concluímos o filme.
    Teria de haver um desenvolvimento na personagem, mas não assim.


Veredicto Final: 7/10

Com uma animação única com enorme atenção ao detalhe aliada a um elenco de vozes que dão vida e poder a todas as personagens, The LEGO Batman Movie é um filme de animação acima de média.
Tem inúmeras falhas e não alcança a qualidade do original, mas os filmes LEGO continuam a criar o seu universo com sucesso e esta segunda adesão continua a merecer respeito e admiração.

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