Scott Pilgrim Contra O Mundo (2010)

Título Original
Scott Pilgrim VS The World

Género
Comédia

Realizador
Edgar Wright

Argumentistas
Edgar Wright e Michael Bacall

Elenco
Michael Cera, Anna Kendrick, Aubrey Plaza, Mary Elizabeth Winstead


De forma a poder ficar com a sua nova namorada, Scott Pilgrim terá de derrotar os seus 7 maléficos ex-namorados.


Scott Pilgrim VS The World é um filme escrito e realizado por Edgar Wright, baseado na obra de BD com o mesmo nome escrita por Bryan Lee O’Malley.
O filme foi, na sua maioria, aclamado criticamente, e julgo que as únicas pessoas que não gostaram terão sido aquelas que não compreenderam a essência daquilo que acabaram de ver. Não é realmente um filme para todos.
Infelizmente, apesar da aclamação crítica, o facto de ser baseado em material muito desconhecido, e ser tão peculiar e diferente, prejudicou-o na bilheteira.
Com um orçamento de 60 milhões, estreou em quarto nos EUA e só conseguiu uma receita internacional de 48 milhões.

O conceito original para esta banda desenhada parte de duas premissas:

A primeira é a ideia de: “O que seria se, ao fim de passar uma vida inteira a jogar jogos de vídeo, alguém que te confrontasse tivesse a capacidade de lutar como uma personagem do Street Fighter?”.
A segunda premissa surgiu quando o criador da BD, Bryan Lee O’Malley, estava a namorar com aquela que seria a sua futura mulher e soube que antes dele, ela tinha namorado com três homens diferentes chamados Matthew. Inicialmente ele criou aquilo que seria a Liga dos Matthews. Essa ideia iria mais tarde evoluir para a Liga dos Maléficos Ex.

Há um total de seis livros nessa saga, este filme adapta cinco deles, já que o sexto ainda não estava finalizado na altura em que o filme estava a ser concluído.

Como disse antes, este não é um filme que irá agradar a todos, e isso foi notório no resultado de box-office.
A forma correcta de o ver é imaginando que é um musical, contudo, em vez de ter números musicais pelo meio, tem lutas.
Assim sendo, é um filme que vive principalmente do seu visual.
Tem boas prestações, é muito cómico e está bem desenvolvido, mas o argumento, pelo menos a nível de enredo, nunca é o principal foco do filme. Aliás, se formos tentar analisar detalhadamente, e unicamente o seu enredo, ele é bem simplista: derrotar os ex de Ramona.

Contudo, devido ao diálogo rico em ligações a videojogos, filmes e música, aliado ao grande elemento de BD que está sempre presente e um extremamente rico e detalhado visual desenvolvido por Wright, é um filme que sucede no seu objectivo.
E falando em videojogos, os clássicos jogos da Nintendo é onde vai buscar mais inspiração, incluindo inúmeras referências tais como nomes, imagens e sons da música de clássicos jogos da Nintendo e consolas.

No processo de edição, Edgar Wright mostrou o filme a vários realizadores, incluindo Quentin Tarantino, Kevin Smith e Jason Reitman. Todos eles gostaram e aprovaram.
Quentin é um dos meus realizadores e argumentistas preferidos e Jason Reitman é alguém que respeito muito enquanto argumentista.
Kevin Smith já não é alguém que eu respeite no mundo do cinema ou que acho necessariamente talentoso, contudo é alguém que conhece muito bem a sua banda desenhada, e neste filme em particular a sua aprovação é uma nota bem vinda.

Quentin chegou a dar a dica de que em relação ao princípio, o filme deveria ter uma cena pré-créditos com os cartões de apresentação das personagens e da história, caso contrário durante o filme em si poderia parecer estranho e deslocado, apanhando o espectador de surpresa.
Wright concordou, e então a cena inicial até aos créditos serve como uma espécie de prólogo.

Nesta crítica não vou estar a fazer divisão entre aspectos negativos e positivos, porque este filme para mim não tem necessariamente aspectos negativos, é perfeitamente aquilo que quer ser.
Infelizmente, aquilo que ele é e quer ser, não será algo que agrada a todos.

Com uma realização e visão absolutamente perfeitas de Wright, ele tem aqui a sua estreia em Hollywood com extremo sucesso. Ao fim de filmes mais independentes como Hot Fuzz, ele consegue provar que um orçamento maior não compromete a sua veia artística.
O elenco é perfeito para aquilo que desempenham, sou um grande fã de Michael Cera, é o actor mais indicado para a personagem que Scott é e tenta ser.
Com um forte elenco secundário e uma longa e maravilhosa lista de cameos, Scott Pilgrim VS The World é uma das melhores adaptações de BD de sempre, um dos melhores filmes de 2010 e um filme de que gosto muito. Mas acima de tudo, é um filme pelo qual tenho um grande respeito.

Antes de concluir, um outro aspecto de grande qualidade, são as próprias lutas, parecem realmente lutas que iríamos encontrar num jogo de vídeo, não só na imaginação com que decorrem, mas nas inúmeras referências que têm a finishers, ataques especiais e às próprias barras de energia e forma como são concluídas.
Wright sabe muito bem filmar estes combates, deixando os coreógrafos e duplos fazerem aquilo que sabem melhor. Não há quaisquer cortes ou múltiplos takes em cada murro ou pontapé, o espectador consegue ver na perfeição tudo o que está a acontecer, enriquecendo o momento e o filme em si.


Veredicto Final: 9/10

É um filme extremamente bem realizado e desenvolvido, se o conseguirem aceitar por aquilo que ele é.
Com um elenco muito talentoso e devidamente escolhido para os seus papéis, Scott Pilgrim é uma autêntica obra de arte, carinho e amor.
Conseguindo fundir comédia, acção e romance,  ele cria algo único sem nunca comprometer a história ou a sua visão artística.

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