John Wick 2 (2017)

Título Original
John Wick – Chapter 2

Género
Acção

Realizador
Chad Stahelski

Argumentistas
Derek Kolstad

Elenco
Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Ian McShane, John Leguizamo, Common


John Wick é forçado a regressar ao submundo do crime de forma a pagar uma antiga dívida.
As repercussões do que ele terá de fazer irão colocar a sua cabeça a prémio.


Esta crítica irá conter alguns spoilers em relação a John Wick.

Quando John Wick estreou em 2014, fomos todos apanhados de surpresa por aquilo que o filme ofereceu.
Com uma história simplista mas fundamentada, honesta e emocional, o filme consegue caminhar equilibradamente no limbo entre o drama e o ridículo, até explodir num dos melhores filmes de acção dos últimos anos.
Do início ao fim, John Wick consegue surpreender constantemente, desde as coreografias elaboradas até ao gun-fu coordenado, Keanu Reeves tem-nos na palma da sua mão enquanto o seguimos na sua vingança sanguinária.

Foi aclamado criticamente, mas mais importante para o estúdio, foi um sucesso de bilheteiras.
Com um orçamento relativamente baixo, de apenas 20 milhões, o filme alcançou 89 milhões na bilheteira internacional.
Assim, garantiu não só a sua sequela, como uma possível prequela que está a ser desenvolvida como série televisiva.
E este com o sucesso que teve já garantiu que teremos uma trilogia.

O filme deu um novo sopro à carreira de Keanu Reeves, e marcou claramente o lugar de Chad e David como realizadores de acção.
Chad irá realizar o reboot de Highlander e David irá realizar a tão aguardada sequela de Deadpool, até ao momento apenas intitulada Deadpool 2.

Uma sequela pode cair em três grande erros:
– Repete o que resultou no primeiro filme mudando o cenário (The Hangover Part II).
– Decide ser maior em tudo, mais explosões, mais cenários. (Transformers Revenge Of The Fallen)
– Faz algo completamente diferente para parecer inovador e perde o espírito do original (Taken 3).

Aqui, apesar do primeiro ter resultado extremamente bem e o seu orçamento ser maior, Chad soube conter-se.
Foram discutidas várias ideias, desde John descobrir que tem uma filha que foi raptada, a um amor do passado que está em perigo.
Pessoalmente, fico feliz por terem optado por esta.
John Wick 2 começa exactamente onde o filme anterior acabou, com John a recuperar o seu veículo e a regressar a casa, para poder continuar o seu luto que tinha sido interrompido, e viver o resto da sua vida em paz, com o companheiro canino com quem o vimos no final do filme anterior. Infelizmente, uns monstros do passado irão surgir e John será forçado a regressar novamente para o submundo dos assassinos.

Na cena de abertura vemos projecções de um filme antigo de Buster Keaton.
Buster, era o grande rival de Chaplin no que toca a filmes mudos, contudo mais que isso, foi um dos primeiros duplos de cinema. Um criador e inovador de muitas stunts que vemos hoje em dia.
É apropriado ele aparecer, porque este filme é o paraíso dos duplos de cinema. Aliás, os Óscares deviam ter uma categoria para duplos de cinema poderem ser reconhecidos, filmes como este e o trabalho que exigem por parte de toda essa equipa de profissionais, não devia passar ao lado de ninguém.

Não há mais nenhum realizador neste momento a filmar acção como Chad Stahelski e David Leitch.

Os antigos duplos de cinema souberam analisar a recente onda de filmes que tem sido feita e conseguiram ver aquilo que faltava.
Não precisam de grandes orçamentos, super-heróis ou explosões constantes para o fornecer, apenas um homem com uma arma e inimigos suficientes para ele eliminar.
E com John Wick 2, essa fasquia foi elevada ao nível de arte, uma autêntica dança mortífera em que o espectador pode recostar-se e com um sorriso na cara ver John a fazer aquilo que mais ninguém faz melhor, espalhar o caos e a morte.

É um filme que do início ao fim nunca tem um momento morto ou aborrecido, é uma dose constante de adrenalina, com tantos momentos especiais e únicos que se torna difícil escolher o preferido. Há alturas em que parece que estamos a ver um jogo de vídeo, na dificuldade mais fácil, e John é aquele jogador profissional que sabe todos os truques necessários para sobreviver aos vários níveis e ondas constantes de inimigos, até finalmente chegar ao último boss.

Outro aspecto que adorei no primeiro filme e que souberam continuar neste diz respeito às armas.
As armas aqui são adoradas, são vistas como algo lindo e capaz de tornar algo horrível em belo, se estiverem nas mãos correctas.
E com toda essa atenção, é muito satisfatório ver um filme em que o herói recarrega as suas armas. Aqui ele conta todas as balas, ele recarrega as armas inúmeras vezes, e pega em armas e munições de inimigos mortos para poder seguir em frente. Essa atenção ao detalhe é algo que não de vê noutros filmes.
E John magoa-se, magoa-se muito. Sim, ele derrota os inimigos, ele é uma autêntica máquina de matar e fá-lo melhor que ninguém, mas o filme deixa bem claro que ele não é indestrutível.

A história em si é o ponto mais fraco, relativamente simplista, tal como no primeiro. Mas, não é esse o motivo pelo qual queremos ver este filme.
Contudo, tem um universo muito desenvolvido e bem escrito.
Todo aquele submundo do crime que se tornou tão fascinante no original, é aqui aprofundado, vemos mais sobre como ele funciona, vemos outros elementos importantes e ficamos a saber mais sobre a sua hierarquia e regras pelas quais todos estes criminosos são regidos. É um mundo extremamente denso e interessante, com um potencial enorme para spin-offs. Uma série da Netflix sobre o Continental seria algo extremamente divertido de ver.

Houve muitos que disseram que o único aspecto em que este filme ficava atrás do original era na carga emocional que tem por trás.
Eu concordo, mas só até certo ponto.
No primeiro temos John a tentar escapar a este mundo, ele quer ser um homem bom, e fazer o luto da sua mulher em paz. Contudo, devido a factores externos, é puxado de volta, é forçado a vingar-se, e a descarregar a sua dor nos criminosos que o atacaram e lhe roubaram o último presente da sua esposa.
Aqui, temos um John diferente, temos um John a reconhecer que talvez ele seja realmente o papão que todos lhe chamam, que ele pode realmente não ser o homem bom e inocente que tentou ser.
Há uma cena perto do final, em que ele está sentado em silêncio, numa casa destruída a olhar para as suas mãos. É uma cena tão subtil mas que ao mesmo tempo significa tanto. A casa destruída a exemplificar como está a vida de John, ele ali sozinho no meio do caos, a olhar para as suas mãos e para tudo o que fez…
Por isso não, não tem tanta emoção como o anterior, mas isso não faz dele um filme mais vazio, antes pelo contrário.

O elenco faz todo um trabalho fenomenal, mesmo aqueles que só aparecem em alguns minutos. Todos ajudam a criar este submundo tão rico e detalhado.

Ian McShane é um actor tão bom, que consegue enriquecer a cena em que participa com um simples olhar, especialmente no fim.

Laurence Fishburne tem aqui a sua reunião com Keanu, e a sua química mantém-se. É uma personagem com grande potencial para desenvolvimento, algo que acredito que irá acontecer. Como seria de esperar, existem várias falas que se referem indirectamente ao Matrix.

Common surpreendeu-me. Nunca foi alguém que eu achasse muito talentoso, mas este papel ficou-lhe bem. Conseguiu ser um adversário à altura e transmitir uma grande animosidade para com Wick, mas sempre com um certo respeito por trás de toda aquela raiva. Os seus combates foram absolutamente deliciosos.

Por fim, Keanu é Wick.

Este filme não resultava com outro actor, ele é simplesmente fenomenal. Cerca de 95% das cenas de combate e tiros em que participa é ele quem está lá, sendo apenas substituído pelo duplo provavelmente quando é atropelado ou cai nas escadas.
O homem tem uma ética de trabalho e dedicação que são de outro mundo, e espero mesmo que tenha mais oportunidades de mostrar o seu talento.
Poderá não ter um alcance muito grande no que toca a expressões, mas com a personagem certa ele brilha como mais ninguém consegue.


Veredicto Final: 9/10

Keanu volta a ser fenomenal como Wick, com uma dose ainda maior de acção e adrenalina.
Chad é um realizador extremamente talentoso e com a sua visão enriqueceu este mundo, deixando-nos ansiosos por mais.
É o melhor filme de acção da década e uma sequela que consegue manter-se por si só.

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