Dia de Treino (2001)

Título Original
Training Day

Género
Thriller

Realizador
Antoine Fuqua

Argumentista
David Ayer

Elenco
Denzel Washington, Ethan Hawke, Scott Glenn, Tom Berenger, Cliff Curtis


No seu primeiro dia de trabalho como agente da brigada de narcóticos, um polícia novato vai ser parceiro de um detective veterano e corrupto durante 24 horas.
Nem tudo é o que parece.


Training Day é o terceiro filme realizado por Antoine Fuqua e o terceiro argumento escrito por David Ayer.
Foi o filme que ajudou a catapultar a carreira de Antoine, e apesar de David nesta altura já ter escrito o primeiro Velocidade Furiosa, este foi o filme que ajudou a definir de forma mais clara o seu género de escrita dura, crua e violenta.

Foram vários os actores associados a estes papéis antes de ficarmos com a dupla Denzel e Ethan.
Das hipóteses consideradas esta parece-me ser aquela mais equilibrada, ou no mínimo, a única que iria conseguir as duas nomeações para Óscares que receberam para melhor actor principal e secundário.

Denzel ganhou o seu segundo Óscar, com aquela que diz ser a sua personagem preferida, e criou uma relação amigável com Antoine, já que iriam voltar a trabalhar juntos novamente em The Equalizer e The Magnificient Seven e no ainda por concluir, The Equalizer 2.

O argumento do filme é relativamente simples, e a sua realização também não irá oferecer nada que mereça destaque.
Mas, tendo em conta que era o início de carreira de David e Antoine, há material suficiente para indicar a presença de talento por parte de todos os envolvidos, e que seriam alguém com futuro neste mundo.
Antoine é um realizador muito multifacetado, capaz de atacar vários géneros de filmes; David encontrou o seu nicho, lembra-me um pouco Joe Carnaham, com uma escrita dura e violenta, filmes com personagens muito fortes e másculas.

O que torna este filme diferente dos restantes do mesmo género, ou minimamente superior, será sem dúvida a prestação de Denzel e a sua química com Ethan.
Não nego o talento de Ethan, mas é mais por trabalhar com alguém do calibre de Denzel, não acho que tenha feito o necessário para a nomeação para Óscar.

A personagem de Alonzo (Denzel Washington) terá sido inspirada pelos acontecimentos que giraram à volta do polícia Rafael Perez, um oficial da lei corrupto e caído em desgraça.
Não só o próprio visual de Alonzo é inspirado nesse detective como a própria matrícula do seu carro diz ORP 967 (Officer Rafael Perez nascido em 1967).

A ideia de o colocarem em parceria com um novato com ética e moral foi realmente uma escolha inteligente.
O contraste de ideais e os dilemas morais com que Jake (Ethan Hawke) irá ser confrontado são os momentos mais cativantes do filme. São momentos decisivos em que Jake irá decidir não só o polícia que quer ser mas também o tipo de Homem.

Já Alonzo é alguém que tomou essa escolha há muito tempo. Uma personagem egotística, violenta e absolutamente perigosa, que não se preocupará com quem tem de pisar para se salvar a ele próprio.
É alguém sem lealdade que estará disposto a sacrificar qualquer um que se meta no seu caminho.

Com tudo isso dito, é impossível não haver uma parte de nós que torça por esta personagem tão odiável.
E isso deve-se pura e simplesmente ao facto de ser Denzel a interpretá-lo. Um actor tão talentoso e carismático que até a interpretar um vilão se torna alguém com quem criamos e definimos uma forte empatia.

São vários os momentos em que diz ou faz algo moralmente questionável ou pura e simplesmente criminoso, mas a forma como coloca aquele seu sorriso tão característico assim que isso acontece, parece forçar a audiência a perdoá-lo.
Isso torna o filme mais interessante, porque quando chegamos ao final e ao clímax da película, sentimos realmente uma ânsia enorme pelo que poderá acontecer à personagem ao fim de tudo o que já o vimos fazer.
Juntando a isso o visual que escolheram para Alonzo, que condiz tão bem com a sua personalidade, Denzel nunca pareceu tão bem.

Com isso dito, a vitória nos Óscares pareceu-me um pouco estranha.
Não que Denzel não mereça, porque tem uma boa prestação, como é costume da sua parte. Denzel e Tom Hanks para mim são dois actores que tenho em grande consideração e de quem gosto praticamente em tudo o que fazem.
Mas, nesse ano o grande vencedor foi A Beautiful Mind.
E ao fim desse filme vencer: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actriz Secundária e Melhor Argumento Adaptado, não terem dado a vitória a Russell Crowe, que teve uma prestação tão boa ou melhor que em Gladiator, pareceu-me um injusto e errado.

Desde então, já todos os envolvidos nos forneceram melhor dentro deste género e até o próprio género proporcionou trabalhos mais intensos e reais.
Um exemplo muito óbvio é End Of Watch, escrito e realizado por David Ayer, o argumentista deste filme.
É um filme com uma história e personagens muito mais desenvolvidas, e mais uma prestação excelente por parte de Jake Gyllenhaal.


Veredicto Final: 7/10

É um filme simples em argumento e realização, apesar da óbvia dedicação por parte dos envolvidos.
Contudo, uma prestação talentosa de Denzel Washington e a química que desenvolve com Ethan Hawke, destacam-no dos demais.
Alonzo continua ainda hoje a ser um dos vilões mais carismáticos que o cinema tem para oferecer.

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