Golpada Americana (2013)

Título Original
American Hustle

Género
Crime

Realizador
David O. Russell

Argumentistas
Eric Warren Singer, David O. Russell

Elenco
Christian Bale, Bradley Cooper, Amy Adams, Jeremy Renner, Louis C. K.


Um vigarista, Irving Rosenfeld (Christian Bale), juntamente com a sua sócia Sydney Prosser (Amy Adams), são forçados a trabalhar para um agente do FBI ligeiramente descontrolado, Richie DiMaso (Bradley Cooper), que os vai empurrar para um mundo de corrupção política e mafiosos.


American Hustle é o terceiro filme consecutivo de David O. Russell a ser nomeado pela Academia para melhor filme.
E apesar de ser o mais fraco dos três, continua a ser uma película bem realizada e com boas prestações por parte do elenco talentoso que contém.

O filme é uma contagem fictícia do escândalo que ficou conhecido por Abscam (trafulhice árabe).
Este foi um golpe que ocorreu no final dos anos 70 e envolveu uma operação do FBI, começou como uma investigação de tráfego de propriedade roubada mas que mais tarde se expandiu e incluiu corrupção política.

O seu argumento fez a dada altura parte da Blacklist, uma lista com os melhores argumentos que ainda não foram produzidos.
E o primeiro realizador associado a este filme teria sido Ben Affleck, antes de decidir sair.

David O. Russell é um realizador talentoso e já deu provas disso, mas julgo que é uma escolha mais adequada para argumentos originais e não aqueles que são baseados em eventos verídicos.
Ele gosta que os actores improvisem, e apesar disso poder resultar em certos filmes, este não era um deles.

Devido a isso, Christian Bale terá dito a David que a narrativa original iria ser afectada, ao que David respondeu que a sua prioridade sãos as personagens e não a narrativa.

Em The Fighter o que interessa é a história dos irmãos Micky e Dicky, então alguma improvisação pode resultar, porque essas personagens são o centro da narrativa.
Em The Silver Linings Playbook estamos a lidar com uma adaptação solta de uma obra literária, então a improvisação é bem vinda e a história pode-se adaptar.
Em American Hustle estamos a lidar com uma história verídica, sobre uma operação do FBI que envolve vários ângulos e múltiplas personagens. A narrativa é importante, e tendo em conta o potencial do argumento original, julgo que outro realizador teria aproveitado melhor o material que lhe fora fornecido.

Há um ou outro momento improvisado, nomeadamente com Louis C. K., que resultam, mas porque são apenas enfeites e histórias secundárias da narrativa principal, que têm como objectivo enriquecer uma ou outra personagem ou a relação entre elas.
A partir do momento em que se faz com mais frequência, a fluidez e o desenvolvimento da história são prejudicados.
São notórias as cenas em que os próprios actores se sentem perdidos com o que está a acontecer, nota-se que estão a tentar reagir a falas e comportamentos improvisados e pelos quais não esperavam.

David é um óptimo realizador, mas aqui os seus métodos prejudicaram o argumento e a prestação dos actores, que apesar de muito boas em alguns casos, poderiam ter sido magníficas.

O elenco é sem dúvida alguma o que carrega este filme, e se não tivesse havido tanta improvisação, julgo que pelo menos Amy Adams poderia ter ganho o Óscar para melhor actriz principal.

Christian Bale
Um actor extremamente talentoso, um camaleão que transforma o seu corpo e personalidade de forma tão extrema que sentimos que aquela pessoa que vemos no ecrã é real, não é um filme e sim uma espécie de documentário.
Consegue capturar a intensidade de Irving, a sua urgência e o quão perspicaz ele é, sem deixar de demonstrar subtilmente a sua fragilidade, o seu bom coração e a vontade de querer algo diferente e melhor.

Bradley Cooper
Já teve prestações melhores, aqui não oferece necessariamente nada de novo.
Merece no entanto algum destaque pela química que constrói com Louis C. K. Os seus momentos são grandes alívios cómicos do filme e oferecem as poucas cenas em que a improvisação se torna um benefício para as personagens e os actores.

Amy Adams
Ao lado de Bale, é o segundo pilar do filme. Oferece paixão, amor, dor e sacrifício. Uma personagem feminina extremamente poderosa, apesar de danificada.
É uma actriz que tem vindo continuamente a crescer e julgo que ainda não demonstrou todo o seu potencial.

Jeremy Renner
O papel de Carmine foi escrito mais tarde apenas para Renner poder entrar no filme.
Se tivessem excluído todo esse lado de corrupção política da história, o filme seria mais conciso e coerente e iria beneficiar a sua estrutura.
Mas a prestação de Renner destrói todos esses argumentos. Carmine é alguém que consegue imediatamente criar uma ligação empática com a audiência e com Irving (Bale), oferecendo um pólo moral ao longo do filme e criar algum suspense e a tão necessária carga emocional à conclusão da história.


Veredicto Final: 7/10

David O. Russell desperdiça o potencial do elenco e do argumento na tentativa vã de desenvolver as personagens.
Ainda assim, consegue oferecer um filme de qualidade, com crime, comédia, drama e mistério.
Vale a pena ver, principalmente pelas prestações de Amy Adams e Christian Bale

 

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