Florence, Uma Diva Fora De Tom (2016)

Título Original
Florence Foster Jenkins

Género
Drama

Realizador
Stephen Frears

Argumentista
Nicholas Martin

Elenco
Meryl Streep, Hugh Grant, Simon Helberg, Rebecca Ferguson, Nina Arianda


Florence Foster Jenkins é uma herdeira da alta classe de Nova Iorque.
O seu sonho sempre foi ser uma pianista e tocar em Carnegie Hall, mas um acidente na sua juventude impediu-a de realizar esse sonho.
Então ela decide que a única forma de lá chegar é se cantar, sabendo que para isso precisa de “Prática, prática e prática”.
O seu marido apoia esta sua jornada e a história verdadeira de Florence Foster Jenkins cantar em Carnegie Hall tornou-se um verdadeiro evento histórico.


Florence Foster Jenkins é um daqueles filmes que com um elenco menos talentoso e conhecido, iria passar completamente ao lado de críticos e do público.
E apesar de ter encerrado a sua box office com um prejuízo de quase dois milhões, conseguiu atenção suficiente para ser discutido, apreciado e nomeado para dois óscares.

Agrada-me que tenha recebido essa atenção por dois motivos: a história e o elenco.

O motivo particular e único que torna esta história tão diferente e especial é que Florence não sabe cantar.
Aliás, deixem-me reformular: Florence tem uma voz absolutamente horrível!
E  com isso em mente, considerando tudo o que acontece ao longo do filme e a magnitude que a sua jornada teve, é fascinante o facto de isto ter realmente acontecido.

Há duas perspectivas possíveis em relação a este filme, e a que tiverem irá depender da empatia que sentirem em relação a Florence e à prestação de Meryl Streep.
Ou irão ver este filme como uma verdadeira homenagem a uma artista, que apesar da sua incapacidade de cantar, amava a música com uma força única e nunca desistiu dos seus sonhos.
Ou irão ver uma mulher rica que decide usar o seu estatuto e posição privilegiada para alcançar aquilo que tantas pessoas trabalham uma vida inteira para conseguir.

Independentemente daquela que tiverem, ambas estão correctas.
Contudo, se forem como eu e optarem pela primeira, o final do filme irá aquecer-vos o coração e deixar-vos com um sorriso na cara, e possivelmente uma lágrima ou outra.

Como disse no início, apesar da história fascinante, sou da opinião que o filme só recebeu atenção devido ao seu elenco. E acabou por ser merecedor dessa atenção.

Começando pelo verdadeiro trunfo do filme e óbvio talento principal: Meryl Streep.
Não há volta a dar, Meryl é sem dúvida alguma a melhor actriz de sempre.
Arte é subjectiva, mas qualquer pessoa que saiba o mínimo sobre cinema, mesmo que não goste da actriz, tem obrigatoriamente de reconhecer o seu talento e capacidade para melhorar qualquer filme apenas por estar lá.

Com isso dito, na minha opinião, esta é a sua melhor prestação desde há alguma tempo.
Desde a sua vitória em 2012 que não merecia sequer mais nenhuma nomeação. Não acho que tenha feito algo de necessariamente especial em August: Osage County e a sua nomeação por Into The Woods é ridícula.
Chegamos a uma altura em que se torna motivo de piada, chegando a ser desvalorizada e considerada apenas parte obrigatória dos Óscares.

Não vou tão longe como dizer que ela é “overrated” como disse Donald Trump, isso é um erro enorme. Mas certamente que houve papéis que foram elevados a um potencial que na realidade não tiveram.
Contudo, aqui a sua prestação é realmente muito bem feita. Ela carrega o filme, e julgo ser realmente a única actriz com talento e carisma suficiente para interpretar Florence sem ser absolutamente ridículo e constrangedor.
Meryl consegue criar um equilíbrio perfeito entre a comédia e o drama e oferece-nos aqui uma prestação que faz uma linda homenagem à verdadeira Florence e a toda a sua história.
A nomeação é merecida.

Em relação aos outros dois elementos deste filme: Hugh Grant e Simon Helberg.

Hugh Grant é absolutamente divinal, e tal como a história do filme, também irá dividir o público.

Haverão aqueles que irão ver St. Clair  Bayfield (Grant) como um marido atencioso, apaixonado por Florence e que não olhará a meios para a ajudar a alcançar o seu sonho.
E outros irão ver um oportunista que se aproveita dos delírios desta pobre mulher para viver em completo luxo.

Pessoalmente, quando chegarem ao fim do filme essa divisão tornar-se-à mais difícil de estabelecer, esta é uma personagem que cresce e demonstra uma humanidade, amor e compaixão que não julgávamos estar lá.

Hugh neste caso foi a escolha perfeita e Frears fez bem em insistir para ele aceitar o papel e entrar no filme.
É um actor que já demonstrou imensas vezes que consegue ser aquela personagem adorável mas egotística e egoísta que vai crescendo ao longo do filme até atingir a sua transformação e crescimento interior. Contudo, aqui temos essa situação com uma história e personagens muito mais desenvolvidas e profundas. A montanha russa de emoções que ele vai sentir e transmitir estão muito bem captadas pela câmara e protagonizadas por Grant, que tem aqui uma das sua melhores prestações.

Simon, por sua vez, demonstra que há futuro para além da The Big Bang Theory.
Este é possivelmente o maior papel da sua carreira, e ele não desperdiçou a oportunidade que lhe foi dada.
Cosmé McMoon (Simon) será aquela personagem que durante grande parte do filme irá sentir o mesmo que o espectador: choque e horror com o que está a acontecer.
Com a sua estatura pequena e ar afável, identifica-se com o que era pretendido para esta simpática e tímida personagem. Não consegue captar o público ou ter o carisma que os outros dois protagonistas, mas oferece o necessário para manter a atenção na sua personagem quando é necessário. Espero honestamente ver mais deste actor no futuro.


Veredicto Final – 7/10

Com uma história cativante e verídica, baseada na vida de uma personagem maior que o seu próprio sonho, Florence Foster Jenkins é uma biografia atraente e carregada de talento.
Stephen oferece um filme cuidado e rigoroso no que toca a cinematografia, cenários e guarda roupa, mas o verdadeiro trunfo do filme é o elenco.
Meryl oferece uma das suas melhores prestações dos últimos anos e Grant atinge aqui o cúmulo daquilo que é um typecasting de sucesso.

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