Logan (2017)

Título Original
Logan

Género
Acção

Realizador
James Mangold

Argumento
Scott Frank, James Mangold e Michael Green

Elenco
Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Hollbrook e Stephen Merchant


Em 2029, um Logan velho e cansado cuida de Charles num esconderijo na fronteira mexicana.
Mas as tentativas de Logan se esconder do mundo e do seu passado são frustradas quando surge uma jovem mutante com um passado misterioso e perigosos inimigos.


Foram precisos 17 anos, 9 filmes da saga X-Men, 3 filmes do Wolverine e 2 da dupla Mangold/Jackman, mas finalmente chegámos aqui: a melhor adaptação possível para esta personagem.

Esta é a primeira crítica que escrevo com a profunda preocupação e receio de que não consiga colocar por palavras aquilo que este filme é e significa.
Não só o que significa para mim, mas mais importante ainda, o que significa para o cinema, para os filmes de super-heróis e para Hugh Jackman.

Se havia alguma dúvida do forte significado que esta personagem tinha para o actor, com este filme ela desaparece totalmente. Jackman tem aqui a sua interpretação definitiva de Logan, e a ser o último filme com ele neste papel, não havia forma melhor de o fazer do que com a história que aqui criaram e desenvolveram.

De início foi anunciado que a história do filme seria inspirada por Old Man Logan.
Devido aos direitos de autor da maior parte das personagens dessa saga de BD pertencerem à Marvel Studios, a Fox estava muito limitada.
A abordagem que eles tiveram com essa barreira foi simples: pegamos apenas no Logan.
E isso é tudo o que temos dessa BD, um Logan mais velho, fraco e cansado.

Mangold é um realizador exímio e talentoso.
Já deu provas disso com Copland, Walk The Line e 3:10 To Yuma.
Ao fim do filme anterior The Wolverine não ter sido o que era esperado, ele encontra aqui a sua redenção.
É realmente surpreendente aquilo que um artista consegue fazer quando não tem os executivos a pressionarem-no.

Numa entrevista que deu meses antes do filme ser lançado, sobre as inspirações cinematográficas que teria em mente para Logan, Mangold ofereceu uma lista curiosa: Shane, Little Miss Sunshine e The Wrestler.
Não estava a mentir, e o filme deve mais a essas três inspirações do que a qualquer banda desenhada do Wolverine.

Temos uma personagem a repetir uma fala de Shane numa cena extremamente emocional e difícil de ver, Logan a ecoar a personagem velha, cansada e cicatrizada de Mickey Rourke, e por fim, perseguido por inúmeros inimigos mais poderosos e com mais recursos, Logan entra em fuga ao longo do país, ao estilo de Little Miss Sunshine, com a jovem mutante Laura e o professor Charles Xavier.

Temos de agradecer a Deadpool e ao seu sucesso, pois só assim é que Logan conseguiu a classificação etária necessária para poder explorar a história com toda a violência e linguagem que era requerida.

E não se iludam, essa classificação é usada e abusada.
Logan é um filme extremamente violento, carregado de sangue, membros decepados, linguagem profana e até uma breve cena de nudez.

Contudo, nada disso é gratuito, tudo serve um propósito.
Não há uma única cena de acção que não seja necessária para a história e para o seu desenvolvimento. Cada murro, cada corte, cada golpe, cada “foda-se”, serve para fortalecer aquilo que as personagens sentem e o mundo negro que a paisagem desolada deste futuro próximo pretende oferecer.

Tal como Logan, este é um filme carregado de cicatrizes e feridas abertas, não só no corpo das personagens, mas no seu estado de espírito cansado e quebrado, prestes a desistir.
Nunca vimos nenhuma destas personagens num estado tão frágil e fraco, e ao mesmo tempo que é fascinante e deixa a audiência curiosa, deixa também uma enorme tristeza e medo do que poderá acontecer.

O ano passado houve uma grande campanha e apoio para Deadpool ser nomeado para Óscar.
Nunca concordei com essa opinião. Adorei Deadpool, vi o filme três vezes no cinema, mas apesar de original, divertido e ser uma adaptação fiel, a história no seu núcleo é demasiado simplista e redutora. Para ser merecedor de nomeação teria de se ter esforçado tanto na carga emocional como no humor, mas esse nunca foi o seu objectivo.

Aqui, é diferente.
Desde The Dark Knight que não houve um filme deste género que merecesse tanto a nomeação para Óscar.
É cedo para dizer tal coisa, mas a arriscar muito e com aquilo que sinto neste momento, merece não só nomeação para melhor filme, como também para melhor actor principal para Jackman e secundário para Stewart.

A carga emocional deste filme é extremamente grande, e são vários os momentos em que me vieram as lágrimas aos olhos.
Jackman e Stewart nunca interpretaram estas personagens tão bem, entregaram-se de corpo e alma ao filme e o resultado é absolutamente fascinante.
Deixo também uma menção honrosa para Dafne Keen, que tem aqui uma estreia fenomenal e consegue capturar perfeitamente a essência selvagem da sua personagem ao mesmo tempo que demonstra o crescimento e desenvolvimento do seu lado humano.

Ver estas personagens, maiores que o próprio universo, e outrora tão poderosas, agora tão frágeis e fracas tem um efeito extremamente poderoso, é um autêntico murro no estômago do espectador.
Ao fim dos primeiros 15 minutos de filme temos a noção perfeita que Logan será algo completamente diferente de tudo aquilo a que estamos habituados.

Não é um filme de super-heróis ou de mutantes, é o filme mais humano que vi nos últimos tempos. Lida com temas de amizade, família, amor, dor e perda.
É um filme dramático com elementos de ficção científica e muita acção, é algo único que nunca foi tentado e que poderá nunca vir a ser repetido.


Veredicto Final: 10/10

Logan é a despedida perfeita para Jackman, Stewart e por conseguinte para as personagens que interpretaram ao longo dos últimos 17 anos.
É um filme único, diferente de tudo aquilo a que estamos habituados.
Carregado de violência, membros decepados, sangue e mutantes, é ao mesmo tempo um filme extremamente humano e com uma forte carga emocional.
Algo que recomendo a todos, e deixo a nota: Não há vergonha em chorar.

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