Matrix (1999)

Título Original
The Matrix

Género
Ficção Científica

Realizador
Lana Wachowski e Lilly Wachowski

Argumentistas
Lana Wachowski e Lilly Wachowski

Elenco
Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving e Gloria Foster


Um hacker descobre a verdade sobre o mundo em que vive e o papel que desempenha na luta contra quem o controla.


Em 1999 o mundo do cinema iria para sempre ser alterado e afectado pelo gigante que foi o Matrix.

Um filme absurdamente profundo, filosófico e inteligente, ao mesmo tempo que se tornou um dos melhores filmes de acção e ficção científica de sempre, combinando o mundo de Hollywood com os clássicos orientais de artes marciais.

Os, na altura irmãos Wachowski, agora irmãs Wachowski, trabalharam durante 5 anos, 14 argumentos diferentes e 500 storyboards até conseguirem chegar à história que todos vimos no grande ecrã.

Quando chegaram aos estúdios da WB, os Wachowski apresentaram a ideia e pediram um orçamento de cerca de 80 milhões.
Os executivos riram-se e ofereceram apenas 10 milhões.
Os Wachowski aceitaram, e decidiram gastar esses 10 milhões e seis meses a filmar apenas a cena de abertura.
Ao surpreenderem o estúdio com essa cena, conseguiram o orçamento necessário para criar o filme que tinham em mente, apesar de o orçamento total ter ficado abaixo do pedido original, a rondar os 63 milhões.

O filme tem lugar num mundo em que, tal como em tantos outros filmes, a inteligência artificial foi criada e, inevitavelmente, virou-se contra o homem.
A humanidade, numa tentativa de derrotar as máquinas que funcionavam com energia solar tendo em conta o esgotamento de combustíveis, criaram uma explosão que tapou definitivamente o sol, criando nuvens perpétuas.
As máquinas recorreram então a outra fonte de combustível, os próprios humanos.
Toda a humanidade se encontra numa espécie de casulo individual, e a actividade cerebral de cada um de nós alimenta o mundo das máquinas.
De forma a manterem o nosso cérebro activo, todos nós estamos ligados a computadores, e vivemos a nossa vida na Matrix, esse mundo virtual que todos achamos que é real e onde vivemos.
Passamos o nosso dia a dia a achar que temos livre arbítrio, que sentimos sabores, ouvimos sons ou que temos sentimentos de amor, amizade, dor e perda. Quando na realidade somos apenas uma espécie de programa que está a desempenhar uma função neste mundo virtual, que apenas serve para manter o nosso cérebro a funcionar para fornecer combustível.

Não é o tipo de história que interesse a muitos membros do público que querem ver um filme apenas para descontrair a cabeça e não para serem forçados a seguir um argumento mais desenvolvido ou que os deixe a questionar a sua existência.

O estúdio teve noção de tudo isso e insistiu para que inserissem mais diálogo explicativo, chamando ao argumento “aquele que ninguém iria entender”.
Provavelmente devido a isso nos primeiros 45 minutos de filme, das 88 falas que Neo tem, 44 delas são perguntas.

É um filme carregado de simbolismos e inúmeros detalhes.

Todas as cenas que têm lugar no Matrix têm um tom verde mais forte e constante, para dar a ideia que as estamos a ver através de algum monitor de computador mais antigo.
Enquanto isso as cenas que se passam no mundo real são focadas no azul. Os realizadores consideraram o azul como sendo a cor que traduzia melhor o mundo em que vivemos, apesar de ironicamente o azul ser a cor que aparece menos na natureza.
Por fim, uma cena de luta que irá ocorrer entre Neo e Morpheus, por não se passar nem no mundo real nem na Matrix, e sim numa espécie de realidade virtual de instrução, tem um tom amarelo mais forte.

Os próprios nomes não foram dados aleatoriamente:

  • Neo é um anagrama para One, que neste filme significa o Tal, o escolhido.
    As roupas de Neo no início do filme são-lhe largas e não lhe caem bem, isso com o nome dele, são sinais que apontam para o facto de ele não se inserir naquele mundo virtual, está destinado a algo diferente, algo superior.
  • Morpheus e Trinity têm conotações bíblicas, e até a nave Nebuchadnezzar as tem.
    Trinity simboliza a santíssima trindade e a nave é uma referência ao Rei Nebuchadrezzar II da Babilónia.

Ao longo do filme Neo é comparado a Cristo em muitos aspectos, e isso é levado ao extremo nas duas sequelas de 2003, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions.

Por fim, um livro que aparece no início do filme é o “Simulacra and Simulation”, um tratado escrito por Jean Baudrillard que explica o conceito pós-moderno de simulação e hiper-realidade .
Neo esconde uns discos nesse livro, nomeadamente no capítulo intitulado “Niilismo”.
O niilismo é um termo filosófico que envolve um sentido de desespero associado à crença de que a vida não tem qualquer significado.

Existem muitos outros aspectos que irão passar ao lado de toda a audiência, mas isso só reforça a qualidade de Matrix, um filme que foi pensado desde o primeiro até ao último pormenor.

Hoje em dia muitos dos seus efeitos especiais irão parecer antiquados e já terão visto melhor em muitos outros filmes.

O efeito mais icónico de Matrix foi o bullet time, as balas a moverem-se em câmara lenta enquanto deixam marcas pelo ar.
Em meados de 2002 já teriam havido mais de 20 filmes diferentes a copiarem esse efeito, e desde então esse número só foi aumentando.

A acção exigiu dedicação máxima por parte dos actores e dos duplos, foram 6 meses de treino e coreografias intensas e exigentes, com inúmeras lesões e fracturas ósseas para a equipa de duplos e os próprios actores.
Mas o trabalho compensou e está bem à vista. As coreografias e lutas continuam a ser algo que este filme oferece sem parecer antiquado, continua tudo tão maravilhosamente fluido como no dia em que estreou.
Não será à toa que recentemente tivemos John Wick e John Wick 2 a oferecerem-nos material de qualidade semelhante, já que os realizadores destes dois últimos filmes foram duplos na trilogia Matrix.

Os actores tornaram estas personagens icónicas, especialmente Keanu.
A inocência e simplicidade deste actor, qualidades que tantos criticam, foram o que permitiram a Neo ser uma personagem tão adorável e perfeita para a história que foi desenvolvida à sua volta.
É alguém completamente limpo de preconceitos ou tiques que prejudiquem a personagem, é um ser novo e renascido nesta nova realidade com que foi confrontado.
E no que toca a acção, Keanu foi nesta altura, e continua a ser hoje, um dos melhores actores para a tarefa. A sua dedicação e ética de trabalho criam uma autêntica arma mortífera que dá todo o gosto em ver no ecrã.

Os irmãos Wachowski têm aqui o filme definitivo da sua carreira, apesar de as sequelas serem desnecessárias e dispensáveis.


Veredicto Final: 8/10

Um filme que se tornou um clássico e marco histórico em Hollywood.
Com uma história original, profunda e inteligente, aliada a uma acção treinada e coreografada até à perfeição tem algo que irá agradar a todos.
Com prestações firmes e convincentes para aquilo que era exigido é um filme que consegue suceder em todas as suas frentes.

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