Crítica – O Atirador (2007)

Título Original
Shooter

Género
Acção

Realizador
Antoine Fuqua

Argumentista
Jonathan Lemkin

Elenco
Mark Wahlberg, Michael Peña, Danny Glover, Kate Mara e Elias Koteas


Um sniper que vive em exílio é convencido a regressar ao activo ao fim de descobrir que alguém planeia assassinar o presidente.
Contudo, as coisas nem sempre são o que parecem.


Antoine Fuqua é um realizador talentoso e multifacetado no que toca ao género de filmes que realiza.
Desde que saltou para a ribalta com o thriller policial Training Day em 2001, já realizou algo histórico e de aventura com King Arthur, thriller de acção com Olympus Has Fallen ou The Equalizer, drama desportivo com Southpaw e western com The Magnificent Seven.

Todos esses filmes, cada um à sua maneira, oferecem material decente e com relativa qualidade para o género em que se inserem, infelizmente, Shooter é um pouco mais limitado.

É um filme que pode ser desfrutado, como a banalidade de acção que é, mas há muitos erros que poderiam ser evitados.

Numa época em que Jason Bourne estava a dominar este género, Shooter oferece um pouco de ar fresco e uma perspectiva nova, apesar de cliché.

Baseado na obra de Stephen Hunter, temos aqui um ex-sniper a ser ser perseguido pelo governo enquanto tenta provar a sua inocência e capturar os responsáveis.
Uma história de redenção e vingança com vários pontos já tocados em muitos outros filmes, incluindo o inevitável interesse amoroso que será colocado em risco.

Na obra, a personagem principal Bob Lee Swager é muito mais velha, daí este papel ter sido oferecido inicialmente a Harrison Ford, Robert Redford e até Clint Eastwood.
Todos eles recusaram e foi aí que Mark Wahlberg entrou em cena.

Seria um filme diferente, caso algum daqueles actores tivesse aceite, e poderia torná-lo em algo mais único, já que a acção teria de ser mais inteligente e contida, tendo em conta a idade do protagonista.
Com um actor mais novo, foram de encontro ao que era esperado, apesar de ter os seus momentos com acção decente e, acima de tudo, bem filmada.

É um filme com um argumento muito fraco e inconsistente.
É carregado de erros de continuidade, erros a nível da estrutura do argumento com muitas lacunas e até em erros factuais.

Erros factuais não têm necessariamente de prejudicar muito um filme, mas quando Shooter se esforça tanto em ser realista, desde a forma como ele faz o seu curativo até ao tratamento do curativo em si, acaba por ser algo difícil de ignorar.
Não só Mark Wahlberg troca o olho com que usa a mira da arma inúmeras vezes ao longo do filme, o que prejudicaria a sua pontaria, tendo em conta que todos temos um olho dominante; como na cena em que se cura na casa de banho, o produto que ele coloca na ferida e cuja embalagem ele rasga com a boca, não só não deve ser colocado perto da boca como também não deve ser colocado em feridas no estômago, já que pode causar sérios problemas pulmonares.

Outro aspecto que acaba por prejudicar o filme, é a desnecessária e mal direccionada crítica republicana que contém.
Na sala onde se reúnem os conspiradores, todos os quadros são de presidentes republicanos, um dos vilões é filmado a caçar num ângulo em que relembra Dick Cheney e o herói do filme é visto a ler um site de esquerda.
Tendo em conta o amor que existe neste filme em relação a armas, o seu tema é mais republicano que democrata, por isso todos estes piscares de olho à política são simplesmente desnecessários e ridículos num filme que nem se deu ao trabalho de desenvolver as suas personagens.

As prestações não são nada de memorável, todos estes actores já forneceram material melhor em muitos outros filmes.

Mark Wahlberg está em modo piloto, mas também não é um filme que peça mais que isso ou ofereça argumento que lhe permita mais.
Michael Peña é desperdiçado e Kate Mara está lá apenas para parecer bonita, tendo inclusive uma desnecessária cena em que está apenas de soutien.

Se houver um ponto positivo, será possivelmente a realização, Antoine filma bem a acção e nos momentos mais intensos sabe aproximar-se e afastar-se das personagens sem prejudicar o espectador, é fácil compreender e desfrutar do que está a acontecer.
Contudo, tal como nas prestações, também Antoine já ofereceu melhor dentro deste género.


Veredicto Final
5/10

É um bom filme de acção que oferece entretenimento para uma tarde, mas não esperem mais que isso.

Com um argumento fraco e inconsistente e personagens mal desenvolvidas, é um filme banal que tenta ser demasiado político para seu bem.

Todos os envolvidos já ofereceram melhor, muitos deles dentro deste género de thriller de acção.

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