Kong: Ilha Da Caveira (2017)

Título Original
Kong: Skull Island

Género
Aventura

Realizador
Jordan Vogt-Roberts

Argumentista
Dan Gilroy, Max Borenstein e Derek Connolly

Elenco
Tom Hiddlestone, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John C. Reilly e John Goodman


Uma equipa de exploradores e soldados viajam para uma ilha desconhecida no Oceano Pacífico, sem saberem que estão a entrar num mundo de monstros, onde o mítico Kong é rei.


Kong: Skull Island é o segundo filme do universo de monstros que a Legendary e a Warner Bros. estão a criar.
O primeiro filme da franchise foi Godzilla em 2014.

Godzilla, apesar do lucro, não foi um filme aclamado ou bem recebido.
Há muitos motivos a apontar para isso, mas vou destacar o principal: Godzilla.
O monstro aparece apenas em 8 minutos do filme, numa luta que deixa muito a desejar.
Gareth Edwards quis focar-se mais na forma como os humanos lidavam com a situação e nos MUTO, os inimigos de Godzilla, em vez do monstro titular.
Isso foi um erro enorme. Primeiro, porque num filme chamado Godzilla, o público quer ver o Godzilla; segundo, porque não tinha argumento e personagens suficientemente desenvolvidas para serem interessantes e carregarem o filme sozinhas, e os MUTO não eram conhecidos para grande parte do público.

Então, quando foi anunciado Kong: Skull Island, esperávamos que esses erros tivessem sido corrigidos, e que esta segunda entrada no monsterverse fosse algo mais equilibrado.
E o estúdio ouviu as queixas…até certo ponto.

Quando vamos ver um filme destes, existe uma lista que tem que ser respeitada: um Kong com qualidade, bons efeitos especiais e lutas épicas.
Posso deixar-vos descansados quando digo que esses aspectos estão presentes.

Kong é magnífico. Um ser bruto de força imensa e uma agressividade aterrorizadora, mantendo à mesma aquele seu lado mais bondoso que já lhe é característico.
É também uma encarnação muito maior que a de Peter Jackson em 2005, enquanto a de Peter tinha apenas 7.6m esta tem 31.6m.
É um ser majestoso e gigante que ainda se encontra em fase de crescimento, o que faz sentido, já que o Godzilla que vai defrontar tem 108m.

Os efeitos especiais, na sua maioria, são de grande qualidade e conseguem fornecer um Kong com imenso detalhe, tal como os lagartos gigantes que vai defrontar.
Contudo, há algumas cenas, não muitas felizmente, em que se nota perfeitamente o green screen. Isso deixou-me um pouco confuso, porque tendo em conta o orçamento e a qualidade do CGI na maior parte do filme, não compreendo o desleixo que se nota em alguns momentos da película.

Os inimigos de Kong, por sua vez, são absolutamente assustadores e destrutivos.
Autênticas máquinas assassinas, sem qualquer tipo de hesitação em matar tudo o que lhes apareça pela frente.
Uma ameaça com qualidade e à altura de Kong, ou pelo menos, uma ameaça suficiente para este primeiro filme em que conhecemos esta versão do monstro titular ainda jovem e longe do seu pico de força e tamanho.

Infelizmente, tudo o resto falha.

O elenco de Kong é fenomenal, cheio de actores talentosos que podiam trazer tanto para o filme e para a densidade da narrativa, infelizmente são todos desperdiçados em personagens vazias de qualquer significado e conteúdo.
Não há qualquer ligação emocional possível a nenhuma das personagens, quando eles morrem o público não sente nada, em muitos dos casos a audiência que estava comigo ria-se.

Poderemos tentar argumentar que as personagens de John C. Reilly e Samuel L. Jackson têm algo onde nos podemos agarrar, mas esse algo continua a ser muito pouco.
Reilly é aquela personagem que está lá presa na ilha há vários anos, e é-nos oferecido algum contexto em relação ao porquê de isso ter acontecido e ao seu estado emocional; Jackson é o soldado que tornou a guerra na sua vida, e já não conhece outra existência.
É só isso que temos, e como disse, essas são as mais desenvolvidas, das restantes sabemos o nome e pouco mais.

Hiddlestone, John Goodman, Toby Kebbell e Shea Whigham estão completamente mal aproveitados, chega a ser ofensivo.
Nem sequer menciono Brie Larson porque a personagem dela é completamente desnecessária, estando lá apenas para ser a personagem feminina atraente que se irá aproximar do herói e ter o momento cliché de aproximação com Kong.

O argumento é do mais simplista e redutor que há, custa a acreditar que houve três pessoas a trabalhar em algo tão vazio e simples, especialmente quando um deles (Dan Gilroy) foi o realizador/argumentista do magnífico Nightcrawler.
E o próprio filme sabe que não tem nada para contar, daí a pressa com que tenta correr de cena de acção para cena de acção, mas até isso se torna aborrecido ao fim de algum tempo.

O próprio humor do filme é forçado e falha sempre o alvo, nem Reilly consegue salvar piadas tão forçadas e constrangedoras.

Por fim, e antes de terminar, a banda sonora destoa completamente do filme em si.
Kong: Skull Island tenta relembrar constantemente o público da época em que o filme se desenrola, não só no diálogo e constantes referências a filmes como Apocalypse Now, mas acima de tudo nas músicas desta época que colocam a cada 10 minutos.
E enquanto essas músicas ficaram muito bem nos trailers, aqui não têm o mesmo efeito, e tornam-se apenas incomodativas e fazem o público desligar-se do que está a acontecer.
Algo mais instrumental e subtil iria dar mais poder às cenas e às próprias mortes das personagens, assim acaba por prejudicar ainda mais um filme que já tinha poucas qualidades.


Veredicto Final: 5/10

É um filme que vale apenas por Kong e pela acção, tudo o resto foi um desperdício autêntico de talento.
Não há desenvolvimento na narrativa, as personagens são ocas, o humor é forçado e a banda sonora destoa daquilo que se desenrola no ecrã.
Noto alguma melhoria em relação a Godzilla, mas ainda há muito trabalho a fazer.

(Existe uma cena pós-créditos)

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2 thoughts on “Kong: Ilha Da Caveira (2017)

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