Os Oito Odiados (2015)

Título Original
The Hateful Eight

Género
Western

Realizador
Quentin Tarantino

Argumentista
Quentin Tarantino

Elenco
Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins e Demián Bichir


Oito estranhos vem-se presos numa cabine devido a uma forte tempestade.
Sem se conhecerem e sem confiarem uns nos outros, quando as primeiras mortes ocorrem, começa um jogo mortal para descobrir o assassino entre eles, antes que se tornem as próximas vítimas.


Quando o filme estava prestes a começar a sua fase de pré-produção em 2014, um esboço do argumento deste filme foi colocado na internet.

Isso irritou e incomodou Tarantino ao ponto de não só cancelar a produção do filme, como anunciar que já não iria filmá-lo, invés disso, iria concluir o argumento e transformá-lo numa obra literária que iria então disponibilizar mais tarde.

Felizmente, Samuel L. Jackson conseguiu convencê-lo a realizar este filme, ao fim de uma leitura do argumento ao vivo com o elenco ser aclamada pela audiência.
É um filme que vai buscar fortes inspirações a The Thing e a Reservoir Dogs.

O título não é aleatório, assumo que o motivo principal para este número se deva ao facto de ser o seu oitavo filme enquanto realizador, já que conta a dupla Kill Bill como sendo apenas um.

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Recebeu uma reacção mista por parte do público, apesar das suas críticas serem maioritariamente positivas.
Houve quem visse neste filme algo de novo no talento de Tarantino, e o elogiasse por isso; e quem visse uma história aborrecida e o seu filme mais fraco.

A arte é subjectiva, por isso não irei estar a tecer comentários em relação a nenhuma dessas opiniões.
Afinal de contas, tive pessoas a comentarem a minha publicação dos filmes mais aguardados de 2017 dizendo que devia ter colocado Transformers e Velocidade Furiosa, e considerando que para mim isso é lixo, não vale a pena ir por esse caminho.

Direi no entanto, antes de desenvolver a minha crítica, que este é o melhor trabalho de Tarantino enquanto realizador, e apesar do seu argumento falhar em alguns aspectos, é também aquele que contém um diálogo mais rico e detalhado.

Apesar de 90% do filme ter lugar no interior de uma cabana, tem uma realização e uma cinematografia de enorme qualidade. Tarantino nunca esteve tão seguro e firme atrás de uma câmara. Desde os grandes planos sobre as montanhas até aos takes longos que já lhe são característicos, todos os pormenores são detalhes que contribuem apenas para enriquecer cada vez mais o tesouro que este filme é na sua essência.
E a cinematografia de Robert Richardson, longo colaborador de Tarantino, não tem uma única falha ao longo de todo este filme.
Desde os ângulos, iluminação e fotografia que temos tanto nas cenas de exterior como nas de interior. É espantoso como aquela cabana nunca parece limitada, na forma como eles jogam com a luz ou com o seu próprio ambiente que tanto consegue ser acolhedor como assustador dependendo da forma como eles o decidem abordar.

A banda sonora que Ennio Morricone compôs para a película tem obrigatoriamente de ser mencionada, e consegue contribuir para aumentar o poder e intensidade de todas as cenas em que o espectador tem o prazer de a ouvir.
Ennio decidiu abordar o filme não como um western, mas sim como uma história de aventura, e ao invés de criar faixas para cenas individuais, criou cinco faixas para o filme completo, de acordo com aquilo que ele o fazia sentir.
Tarantino teve liberdade de usar essas faixas como melhor achasse ao longo da película, aliadas a outras que Ennio tinha composto para The Thing em 1982, e que nunca tinham sido utilizadas.
O resultado é fenomenal, e Morricone mereceu totalmente, e finalmente, o Óscar que ganhou.

Em relação ao argumento, como disse antes, o diálogo é extremamente rico e detalhado.
Para mim, enquanto fã de Tarantino, é absolutamente delicioso ver estas personagens a debitarem constantemente palavra atrás de palavra, não me aborrece que a história pare o seu desenvolvimento para eles falarem, até agradeço.
Especialmente quando o elenco aqui reunido é tão talentoso e consegue criar estas personagens exactamente da forma como elas devem ser, não há uma única falha em todas estas prestações, todos eles entregam um trabalho fenomenal.
Se bem que acho que Christopher Waltz teria capturado melhor a extravagância da personagem que Tim Roth interpretou, apesar de este também ter feito um bom trabalho.

Dou destaque às prestações de Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh e Walton Goggins.
Jackson interpreta aqui a personagem irritável e perigosa que lhe é característica, mas a intensidade do papel, aliado à riqueza do seu diálogo, transformam esta numa das suas melhores prestações dos últimos anos. Walton Goggins tem crescido a olhos vistos e é uma questão de tempo até receber aquele papel que lhe dê nomeação para Óscar, e merece, o homem tem uma quantidade infindável de talento.

Contudo, existem várias lacunas ou problemas na lógica do argumento, que podem passar ao lado numa primeira visualização mas que sem dúvida irão deixar questões no ar numa segunda ou terceira.
Não estragam o filme, longe disso, mas a partir do momento em que as detectamos, criam um certo incómodo.


Veredicto Final: 8/10

O melhor filme de Tarantino enquanto realizador, nunca ele esteve tão seguro e firme atrás da câmara.
E apesar de algumas lacunas no seu argumento, oferece um diálogo e personagens extremamente ricas e detalhadas.
Um elenco extremamente talentoso, com alguns destes actores a oferecerem as suas melhores prestações desde há muito tempo.
Um western de mistério que vai deixar os espectadores curiosos, do início ao fim.

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