The Grey – A Presa (2011)

Título Original
The Grey

Género
Thriller

Realizador
Joe Carnahan

Argumentista
Joe Carnahan e Ian Mackenzie Jeffers

Elenco
Liam Neeson, Frank Grillo, Dermot Mulroney, Dallas Roberts e Joe Anderson


Ao fim do seu avião se despenhar no Alasca, seis homens são liderados por um caçador habilidoso na tentativa de sobreviverem, mas uma alcateia persegue-os e ameaça cada passo que dão.


The Grey foi um dos filme mais poderosos que vi em 2011, não estava preparado para que o filme fosse tão intenso e filosófico.
Quando pensamos em Liam Neeson e lobos, não esperamos algo tão profundo e tocante.

Mas, apesar das suas críticas serem maioritariamente positivas, foi um filme em grande parte ignorado pelo público e pela imprensa.

E isso não é justo.
Não é justo para o elenco, não é justo para o filme, mas acima de tudo, não é justo para Carnahan. Este é um argumentista que cria histórias sempre tão duras e cruas, e aqui, apesar de ser realmente povoado por grandes personagens másculas e fortes, que já são característica da sua escrita, é ao mesmo tempo um filme muito dramático sobre família, perda, dor e reencontro.

The Grey recebeu uma crítica extremamente positiva por um dos maiores críticos de sempre, o falecido Roger Ebert.
Devido a The Grey, Roger saiu a meio do filme que foi ver a seguir.
Roger disse, e passo a citar: “Ao fim de The Grey terminar, eu vi o segundo filme por cerca de 30 minutos, mas depois tive de me levantar e sair do cinema. Foi a única vez que saí a meio de um filme devido ao filme que vi antes. A forma como eu me estava a sentir estava-me a incomodar muito, não seria justo para aquele filme, vê-lo enquanto me sentia assim.”

Isto descreve perfeitamente o poder da película que Joe aqui criou e desenvolveu.
A premissa é simples, um avião cai, os sobreviventes estão assustados e num ambiente extremamente frio e inóspito. Juntando a isso, começam a ser atacados por lobos, e então começa um jogo de sobrevivência entre presa e predador, com esse papel a ser trocado algumas vezes ao longo da película.

É uma história que podia cair muito facilmente em clichés e ser um filme perfeitamente esquecível.
Juntamos a isso Liam Neeson no pico da sua era de estrela de acção, e o resultado final vai contra tudo aquilo que alguém poderia esperar.

A personagem principal é Ottway (Liam Neeson), e é aquela que será mais desenvolvida ou sobre a qual teremos mais alguma luz sobre o seu passado, apesar de nunca aprofundarmos muito sobre a sua vida ou o que o levou a ser o homem que é.
Ottway está a sofrer com a perda da sua mulher, algo que Liam Neeson nesta altura compreendia melhor que ninguém, já que tinha perdido a sua esposa, a actriz Natasha Richardson, um ano antes das filmagens de The Grey começarem.

Talvez seja devido a isso que Liam tem aqui uma das suas melhores prestações dos últimos anos.
Reconhecemos que é uma personagem máscula, extremamente forte e habilidosa, mas ao mesmo tempo há mais camadas em si. Notamos uma dor e uma amargura, uma raiva para com o destino, uma vontade de morrer sem ter ao mesmo tempo a força para o fazer, talvez por saber que não seria algo que a sua esposa quisesse, ou então é apenas o seu instinto de sobrevivente a entrar em acção.
E colocar alguém assim num filme de sobrevivência, cria realmente uma situação muito curiosa.

Há uma carta que Ottway escreve para a sua mulher e Carnahan pediu a Liam para escrever essa carta, como se fosse ele a escrever para Natasha.  Nota-se perfeitamente em todas essas cenas que a prestação de Liam é soberba, mas ao mesmo tempo, não é prestação, é mais que isso, é empatia por uma dor profunda e real que ele compreende tão bem.

As restantes personagens, apesar de não aprofundarmos muito o seu passado, encontram-se todas desenvolvidas e fundamentadas ao ponto de nos custar perder qualquer uma delas quando os lobos atacam. Joe criou aqui um argumento simplista, mas que consegue tocar os pontos chave na vida de todos eles, ao ponto de a audiência sentir que está a fazer esta jornada ao seu lado.

“Once more into the fray…
Into the last good fight I’ll ever know.
Live and die on this day
Live and die on this day”

Este é um poema que terá grande importância para o filme e para o seu desenvolvimento.
The Grey é um filme profundamente filosófico com um significado extremamente profundo. É um filme com muitas nuances e metáforas para a vida, com as quais muitos de nós se irão conseguir identificar.

O filme tem lobos e tem lobos a atacar, mas não se iludam, isto é um drama e não um filme de acção. O uso de CGI é mínimo, de forma a tornar todo o ambiente e experiência em algo mais realista, e também, talvez, influenciado pelo seu orçamento.
Os próprios actores gravaram o filme em sets exteriores, com temperaturas extremamente baixas.

É um filme de sobrevivência, em que um grupo de homens é liderado por alguém que tudo o que quer é morrer. Todo esse paradoxo e contraste aumentam o filme em todos os minutos da sua narrativa, tornando o final em algo completamente inesperado, e ultimamente: magnífico.


Veredicto Final: 10/10

“The Grey” é um filme surpreendente do início ao fim.
Uma história de sobrevivência humana e emocional, que ainda hoje me toca e afecta.
Carnahan realiza este filme de forma crua e poderosa, alicerçado num argumento extremamente realista e numa prestação fenomenal por parte de Liam Neeson.

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