Central de Inteligência (2016)

Título Original
Central Intelligence

Realizador
Rawson Marshall Thurber

Argumentista
Rawson Marshall Thurber, Ike Barinholtz e David Stassen

Elenco
Dwayne Johnson, Kevin Hart, Amy Ryan, Danielle Nicolet e Jason Bateman


Ao fim de se reunir com um antigo colega do liceu, agora completamente diferente e com comportamentos estranhos, um contabilista aborrecido com a sua vida vai ser sugado para o mundo da espionagem e ver a sua vida em risco.


Com um orçamentos de 50 milhões, Central Intelligence foi um sucesso enorme, quadruplicando esse valor na box office.

Não é difícil entender o porquê, com Dwayne e Kevin nos papéis principais, dois actores carismáticos, tudo o resto passa para segundo ou terceiro plano, e a sua química e popularidade são suficientes para apelar ao público.

Não quero com isto dizer que o filme em si não tenha qualidades, mas é sem dúvida um trabalho medíocre que com outro elenco não mereceria a mínima das atenções.

Calvin (Kevin Hart) no liceu era o aluno mais popular e aquele que todos pensavam que ia alcançar grandes feitos.
Bob (Dwayne Johnson) era o aluno obeso e estranho que todos tratavam mal e com quem todos gozavam, sendo o cúmulo das partidas que lhe fizeram aquela que todos podem ver no trailer.
A única pessoa que alguma vez lhe demonstrou carinho e compaixão, foi Calvin.

20 anos depois, Calvin é um contabilista, num posto baixo numa empresa medíocre, que começa a perceber que o pico da sua vida se deu no liceu, e está farto da situação em que se encontra.
Aqui entra Bob, agora uma montanha de músculos e força, um agente da CIA, que odeia bullies e é obcecado por Calvin, pela simpatia demonstrada no passado.
Bob irá precisar da ajuda de Calvin e da sua capacidade contabilística para salvar o mundo.

Esse é o enredo principal a partir do qual todo o caos se irá desenrolar.
A base emocional do filme, com os traumas emocionais de Bob e o facto de Calvin estar com problemas na sua vida e no seu casamento são o melhor que o filme tem, são temas actuais e humanos, que possibilitam criar empatia com as personagens, especialmente com Bob.
Infelizmente, o filme coloca sempre isso de lado, a favor do ambiente de espionagem e de acção que tenta inserir constantemente, e é aí que falha catastroficamente.

A parte da CIA nesta história é algo que não tem qualquer sentido, toda a premissa de o mundo estar em perigo é vago e sem qualquer desenvolvimento. Falam apenas em alguém que quer comprar uma arma, e é suposto a audiência acreditar que Calvin tem a capacidade necessária para entrar em todas aquelas contas e compreender perfeitamente o que está acontecer, ou melhor, que é a única pessoa que Bob, passados 20 anos, tem para o ajudar.
Depois há todo um mistério sobre quem é o vilão, e o filme esforça-se realmente em colocar dúvidas e questões no ar sobre quem será, mas quando se usa um actor extremamente conhecido para ter uma morte misteriosa a meio do filme, é garantido que ele irá reaparecer mais tarde, e assim sendo, não há realmente mistério nenhum.

Esta era uma comédia que podia realmente ter uma mensagem importante sobre bullying, podia ser cómica e emocional ao mesmo tempo, mesmo contendo a acção que queriam, bastava terem colocado o foco da narrativa nas personagens, em vez de todo esse mistério que não tem qualquer interesse.

A história correcta para este filme seria Bob reencontrar-se com Calvin, começarem a desenvolver a sua amizade, e depois Bob começava a ser perseguido por algum assassino por vingança.
Dava para terem a acção que queriam, enquanto mantinham a atenção nas personagens e na sua relação.
Era algo simples, mas para este filme ninguém esperava mais.

Em relação às prestações e à “comédia” do filme.

As piadas são infantis e juvenis, são exactamente aquele humor que esperávamos deste tipo de filme, que só consegue resultar ocasionalmente devido à química dos actores principais.
E, por algum motivo, decidiram colocar inúmeras referências a outros filmes, que se tornam rapidamente forçadas e constrangedoras.
Há referências a Jason Bourne, Sixteen Candles, Road House e até mesmo Breaking Bad

Dwayne é um actor talentoso, com um carisma e personalidades tão fortes que consegue transformar qualquer cena em algo mais do que aquilo que é, apenas por estar presente.
Aqui prova definitivamente que consegue oferecer mais que o elemento de acção, ele é também o alívio cómico. Apesar da química que desenvolve com Kevin, é ele quem carrega este filme.

Kevin é um dos meus comediantes preferidos, ou já foi, mas não resulta como actor.
Independentemente do filme que entra, ele sente sempre uma vontade de exagerar e gritar todas as suas falas como se isso fossem dar-lhes mais piadas.
Ele próprio já se tornou nas personagens que desempenha, a linha entre ficção e realidade já desapareceu. Mas enquanto isso é útil nos casos de Robert Downey Jr. e até certo ponto Johnny Depp, em Hart é apenas irritante. Torna-se demasiado, e apesar de este ser um dos filmes em que ele está mais contido, continua a ser incomodativo ao fim de algum tempo.


Veredicto Final: 4/10

Um filme medíocre que consegue ser minimamente relevante e justificar o seu grande sucesso devido ao talento e carisma de Dwayne Johnson.
Dá para rir ocasionalmente se for visto com um grupo de amigos, caso contrário não recomendo.

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