War On Everyone (2017)

Título Original
War On Everyone

Género
Acção

Realizador
John Michael McDonagh

Argumentista
John Michael McDonagh

Elenco
Alexander Skarsgård, Michael Peña, Theo James, Tessa Thompson e Caleb Landry Jones


Dois polícias corruptos chantageiam e incriminam todos os criminosos que tenham o azar de aparecer no seu caminho. Contudo, a sua vida é complicada quando surge um criminoso que parece ser mais perigoso que eles.


Este é o quarto filme que vejo este ano que estava presente na minha publicação do top 10 de filmes mais antecipados para 2017.

Vi John Wick – Chapter 2, Logan, Kong: Skull Island e agora War on Everyone.
Os dois primeiros estavam no topo da minha lista e os dois últimos estavam nas menções honrosas.
Fiquei extremamente satisfeito com Wick e Logan, Kong decepcionou imensamente e agora, felizmente, War On Everyone alcança as expectativas que lhe tinha depositado.

John Michael McDonagh é um argumentista/realizador onde eu vejo sério potencial, e tudo o que ele precisa é da oportunidade certa para realizar um filme grande que o leve para o topo da lista de realizadores.
Ao fim dos seus dois filmes anteriores serem mais indies e modestos, War On Everyone é uma experiência completamente diferente, violenta e explosiva, mas mantendo o seu humor negro que já lhe é característico.

É apropriado eu fazer esta crítica depois de Central Intelligencejá que este filme é o seu completo oposto.

Central Intelligence é um filme com argumento sub-desenvolvido, com narrativa, desenvolvimento, e até mesmo prestações, medíocres.
Mas, devido aos seus dois actores principais, fez uma enorme fortuna.

War On Everyone é um filme com um argumento bem escrito e bem desenvolvido, uma narrativa que sabe equilibrar o humor com a violência de forma fluida e natural, e prestações que completam o filme em algo digno de ser ver.
Mas, devido ao elenco não ter nomes tão grandes e populares, é possível que passe ao lado de grande parte do público e da imprensa.

E isso é extremamente desapontante, porque não só é um filme que merece ser visto por si só, como há aqui potencial para criar a sua própria franchise.
Lamento imensamente ver que este poderá bem ser o The Nice Guys de 2017.

Terry (Alexander Skarsgård) e Bob (Michael Peña) são os protagonistas desta película, e são anti-heróis no verdadeiro sentido da palavra.
São dois polícias corruptos, que chantageiam e incriminam todos e quaisquer criminosos que encontrem, tomam drogas, bebem álcool excessivamente, roubam e são muito, muito violentos. Basicamente usam o seu crachá como desculpa para poderem fazer tudo o que querem e bem lhes apetecer, e digo isto literalmente, já que o filme deixa bem claro que eles não fazem qualquer tipo de trabalho. Sempre que estiverem a tentar resolver um crime ou apanhar um criminoso, é apenas porque acham que vão ganhar algo com isso no fim. São dois seres extremamente perigosos, sem qualquer sentido de ética e justiça e com uma moral que só funciona ocasionalmente.
Até que surge Lord James Mangan (Theo James) um criminoso extremamente poderoso, rico e perigoso, que tal como Terry e Bob, não tem qualquer tipo de escrúpulos, ética ou moral.

Com uma história destas, seria extremamente fácil para McDonagh perder a audiência na primeira metade do filme. Afinal de contas, com protagonistas tão odiáveis, torna-se difícil para o público criar algum tipo de empatia ou conseguir realmente torcer por alguém ao ponto de querer ver o final.
É aí que o génio do seu argumento entra em jogo, aliado a duas prestações talentosas de Skarsgård e Peña.

As personagens nunca são muito aprofundadas em relação ao porquê de serem como são, apesar de estarem bem desenvolvidas.
Recebemos apenas uma luz ou outra em relação ao seu passado, mas nada de excessivo. Mas o que noutros filmes poderia ser uma falha do argumento, neste é uma decisão inteligente. O interessante nestes dois protagonistas é o seu mistério, a sua imprevisibilidade. E o pouco material informativo que nos é oferecido, em conjuntos com as prestações dos actores, é suficiente para agarrar a audiência, colocá-la ao lado destes dois polícias e tornar divertido vê-los quebrar todas e quaisquer leis que existam.

Peña e Skarsgård têm aqui duas prestações incrivelmente belas, chocantes, violentas e cómicas.

Peña é um actor que já deu imensas provas do seu talento e habilidade artística, tanto em drama, como na acção e comédia.
E apesar de eu achar que ele ainda não tem capacidade para carregar um filme sozinho, quando associado com o actor certo, consegue criar um par que funciona extremamente bem. Tal como fez com Gyllenhaal em End Of Watch, consegue aqui também ter uma química inegável com Skarsgård.

Este último é alguém que ainda está a crescer, e precisa de o fazer, mas se tomar as escolhas correctas em relação aos papéis futuros, julgo que é um actor que começará a aparecer bem mais vezes no nosso ecrã.
Tarzan foi aquele grande voto de confiança, e apesar de o filme ter falhado, não acho que o possam culpar. A sua prestação nesse filme continuou a ser aceitável dentro do esperado com aquele material, e a forma física em que ele se colocou para o papel foi surpreendente.
Com a série Big Little Lies, e filmes ainda por estrear como The Aftermath e Mute, julgo que poderemos ver mais provas do seu talento.

O defeito mais notório que posso apontar a este filme é no casting de Theo James como vilão.
Não é necessariamente uma crítica ao actor ou ao seu talento, apesar de achar que é alguém que ainda está realmente muito verde e que tem um longo caminho pela frente.
Mas, o meu problema é maioritariamente com a sua idade e o seu aspecto.
Aquele papel requeria um actor mais velho e com um ar mais intimidador, intenso e poderoso, não alguém com ar de rapaz mimado que quer brincar aos polícias e ladrões.
Assumo que a escolha tenha sido influenciada pelo estúdio, no sentido de tentar apelar a uma demografia mais jovem, mas julgo que prejudicou um pouco o filme.


Veredicto Final: 8/10

Um filme extremamente violento, mas ao mesmo tempo com um grande humor, que apesar de negro, está sempre presente.
McDonagh tem aqui o seu filme mais explosivo e divertido até ao momento, e espero que lhe seja dada a merecida atenção.
Peña e Skarsgård oferecem duas prestações fenomenais, e juntos criam uma química inegável e charmosa que gostaria de volta a ver no futuro.

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