Crítica – O Diário Da Nossa Paixão (2004)

Título Original
The Notebook

Género
Romance

Realizador
Nick Cassavetes

Argumentista
Jeremy Leven

Elenco
Gena Rowlands, James Garner, Kevin Connolly, Ryan Gosling e Rachel McAdams


Um rapaz pobre e impulsivo apaixona-se por uma rapariga que provém de uma família mais rica. Com a sua relação ele irá proporcionar-lhe uma sentido de liberdade novo e emocionante, mas as diferenças de estatutos sociais rapidamente se metem no seu caminho.


The Notebook é um filme que se revelou ser muito melhor do que aquilo que era esperado ou até mesmo daquilo a que tinha direito.
Contudo, beneficiou também de ter sido apenas o terceiro filme baseado numa obra de Nicholas Sparks e não ser algo tão saturado e previsivelmente trágico como são todas essas adaptações hoje em dia.

Com um orçamento de 29 milhões, conseguiu os 116 milhões em bilheteira internacional, e esse número desde então com as vendas de DVD’s e tudo o mais, certamente que está neste momento bem maior.

Torna-se difícil para mim ser tão objectivo nesta crítica como poderei ter sido naquelas que fiz anteriormente, porque este é um filme que se tornou inegavelmente num clássico romântico dos tempos modernos, e como tal, oferece uma grande dose de nostalgia.
É realmente overrated e haverá melhor dentro do género, mas o charme que há aqui presente é inegável, e devido a ser um filme de época, é algo intemporal e eterno, que poderá ser visto daqui a mais 10 anos e continuará a apelar da mesma maneira.

Com isso dito, quem for ver esse filme hoje pela primeira vez, não irá sentir a mesma surpresa que todos aqueles que o viram na altura em que estreou.
Especialmente por os actores principais, Ryan Gosling e Rachel McAdams, terem evoluído e participado em projectos muito mais ambiciosos e de qualidade obviamente superior.

Apesar das críticas terem sido mistas, e o seu sucesso ter sido maioritariamente comercial, houve inúmeros críticos que respeito a elogiarem o filme, entre os quais o lendário Roger Ebert. Um dos motivos que atribuo a isso é o argumento.
Não é algo muito complicado ou desenvolvido, é relativamente simplista.
Mas a história foi contada da forma correcta, conseguiram separar o filme nas suas linhas temporais de forma clara e nitidamente distinta. Mas acima de tudo, conseguiram desenvolver as personagens na dose certa, ao ponto de criar empatia e uma forte ligação entre elas e a audiência. Sentimos amor, preocupação, pena e compaixão por este casal.

Isso poderá dever-se ao facto de ter sido um trabalho tão compartimentalizado.
A obra foi escrita por Nicholas Sparks, a adaptação foi trabalhada por Jan Sardi, e por fim, Jeremy Leven criou o argumento.
O que prejudica, por vezes, é ter várias pessoas a fazer as mesmas coisas ao mesmo tempo, quando é apenas uma a fazer tudo, ou neste caso, cada uma com a sua tarefa, é possível criar realmente algo mais detalhado e com qualidade superior.

Antes de chegar a Cassavetes este foi um projecto que passou por inúmeros realizadores, entre os quais, Steven Spielberg.

Steven queria realizar este filme com Tom Cruise no papel principal.
Tendo em conta o sucesso desta versão, custa imaginar outro actor e outro realizador no projecto, mas certamente que seria interessante ver qual a versão alternativa que poderíamos ter se esse plano inicial se tivesse desenvolvido.

Quanto ao elenco, Ryan foi escolhido pessoalmente por Cassavetes. O realizador queria alguém desconhecido e não muito atraente no papel principal. O que, tendo em conta o crescimento que Ryan teve desde então e o facto de ser um dos homens mais charmosos a trabalhar de momento, não deixa de ser irónico.
Já Rachel foi uma actriz escolhida entre as várias que foram fazer a audição.

Apesar da sua forte química no ecrã e de mais tarde terem namorada durante alguns anos, os actores não se davam bem entre si. As coisas ficaram tão más que a dada altura Ryan pediu para trocarem Rachel por outra pessoa.
Foi necessário o realizador trancar-se com eles numa divisão e discutirem todos os problemas entre si, para depois disso poderem ter conseguido melhorar o ambiente e prosseguir com as filmagens.

Cassavetes revelou ser uma boa escolha para realizador, não só na escolha do elenco, mas na própria construção do filme e até mesma na ordem de filmagens.

Vendo o clima entre os actores, as primeiras cenas gravadas foram as finais, aquelas em que eles já estavam há muitos anos sem se ver, uma altura em que o clima romântico entre as personagens estava um pouco mais frio.
E só depois, quando os actores já se davam bem, é que filmou todas as cenas iniciais, com eles a conhecerem-se, a apaixonarem-se e a contarem toda a história de como este amor conseguiu vencer tantas barreiras.

A própria fotografia e cinematografia também merece ser destacada. Com cores extremamente vivas e de alta saturação, o filme consegue ter uma vibração mais quente e intensa. E os ângulos e a iluminação das cenas mais românticas estão realmente fenomenais, especialmente todo aquela viagem de canoa que eles têm perto do final.


Veredicto Final: 9/10

The Notebook é um clássico, um filme que em certos casos poderá ser considerado melhor do que realmente é devido à nostalgia que oferece, mas ainda assim, destaca-se facilmente dos restantes.
Com um elenco jovem mas com talento óbvio, Cassavetes realiza aqui uma das melhores adaptações literárias e sem dúvida o melhor filme baseado numa obra de Nicholas Sparks.
Um filme intemporal que consegue ser visto e revisto, sem perder o seu charme e atracção inegável.

 

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