Contado Ninguém Acredita (2006)

Título Original
Stranger Than Fiction

Género
Comédia

Realizador
Marc Forster

Argumentista
Zach Helm

Elenco
Will Ferrell, Dustin Hoffman, Maggie Gyllenhaal, Emma Thompson, Queen Latifah


Um auditor do IRS começa subitamente a ouvir uma voz misteriosa a narrar tudo o que ele faz.
Essa narração começa a afectar o seu trabalho, os seus interesses amorosos e eventualmente, a sua morte iminente.


Todos nós sabemos que a nossa vida é uma história, seja ela interessante ou excitante, feliz e aborrecida, é uma história, preenchida por inúmeras personagens, com um começo, um desenvolvimento e o seu inevitável fim.

A questão que este filme vem colocar é a seguinte: E se uma história for a tua vida?
Isto é, e se não formos nós a criar a nossa história e a influenciar o seu desenvolvimento com as nossas decisões? Se for a história definida em si que influencia as nossas decisões e não tivermos escapatória nenhuma ao plano que alguém escreveu e definiu?

Harold Crick é o típico funcionário do IRS: monótono, aborrecido e repetitivo. Mas um dia tudo isso muda quando ele começa a ouvir uma autora dentro da sua mente a narrar a sua vida.
A narradora é extraordinariamente perspicaz e certeira em tudo o que Harold faz e sente.

Contudo, quando a voz anuncia a sua morte iminente as coisas complicam-se e Harold está agora numa corrida contra o tempo, em que tem de descobrir o porquê de aquilo estar a acontecer e como o pode evitar.

É uma comédia diferente e extremamente original, com uma moral e um sentido muito poderoso que não deixará nenhum espectador indiferente.

É um filme que vai buscar a sua inspiração à obra  “Niebla” de Miguel de Unamuno, sobre uma personagem que descobre que a sua vida está a ser narrada por um autor e decide ir visitá-lo.
Contudo “Stranger Than Fiction” vai pegar nessa ideia e desenvolvê-la de forma mais leve e divertida, apesar de conter alguns elementos mais dramáticos.

É um filme que demonstra respeito pela literatura e pela matemática, não só na sua história e nas personagens, mas também em inúmeros detalhes e curiosidades que o realizador Marc Forster terá decidido incluir ao longo da película.

Forster aqui teve um trabalho muito interessante na sua realização, especialmente no aspecto visual do filme.
A forma como as cenas foram editadas e construídas, ao mesmo tempo que têm o extra de elementos visuais a aliarem-se à narração da autora, oferecem à película uma qualidade muito sua, diferente e original.
Há também todas as metáforas e mensagens subliminares que vão sendo colocadas no desenvolvimento da película. Por exemplo: com a constante menção do relógio e da sua importância para a personagem principal, o realizador deixa bem clara a importância do tempo e o seu constante progresso, sem nunca ter de o mencionar explicitamente.

É um filme que consegue ser inteligente em inúmeros elementos.

Contudo, nada disso seria possível sem a base poderosa que o argumento de Zach oferece.
Fiquei surpreendido por não encontrar referências a este argumento estar inserido nalguma blacklist, já que o acho absolutamente genial e profundo.
Desde o diálogo até ao desenrolar da sua narrativa, consegue manter-se desenvolvido e detalhado. Consegue oferecer à personagem principal um progresso contínuo como poucos filmes o fazem, criando uma diferença real e credível em quem ela é no início e na forma como se comporta quando chegamos à sua conclusão.

O elenco secundário, composto por Dustin Hoffman, Emma Thompson e Maggie Gyllenhaal é mais que capaz, e oferece o poder e apoio necessário para Will Ferrell entregar uma das suas melhores prestações.
Especialmente Emma, em que Forster optou por não colocar qualquer tipo de maquilhagem durante o desenrolar do filme, consegue criar aqui uma personagem tão detestável quanto adorável e cómica. Alguém em quem é possível compreender o seu sofrimento e luta interior contra quem é e o mundo em que vive, o que por sua vez permite compreender o porquê de escrever sobre temas tão negros e depressivos.

Contudo, o trunfo do filme é Will Ferrell.

Will tem aqui uma performance muito diferente daquilo a que estamos habituados, e apesar de continuar a ser uma comédia, demonstra que é um actor que tem uma veia dramática, e possivelmente capaz de um dia oferecer um trabalho diferente e especial, tal como Steve Carell em “Foxcatcher” ou Jim Carrey em “The Truman Show”.

É uma prestação muito subtil e controlada, com poucos momentos explosivos ou até mesmo eufóricos, e isso é o que lhe dá poder.
Harold é um ser muito introvertido e silencioso, alguém que não vive, simplesmente existe, e a forma calma e controlada com que Will diz todas as suas falas demonstram isso melhor do que qualquer narração que o filme possa oferecer.
Will tem aqui um trabalho extremamente simpático e calmo, mas que ainda assim, grita a sua mensagem bem alto: Vivam!


Veredicto Final: 8/10

Um filme original, diferente e divertido, apesar de ao mesmo tempo conseguir ser sério e urgente na mensagem que quer transmitir.
Com um argumento de qualidade por parte de Zach Helm e um forte elemento visual, Stranger Than Fiction é um filme que merece ser visto.

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