Dave Chappelle: Two Cities One Event (2017)

Título Original
The Age Of Spin
Deep In The Heart Of Texas

Género
Especial de Stand-Up

Realizador
Stan Lathan

Argumentista
Dave Chappelle


Dave Chappelle regressa com estes dois novos especiais de stand-up.


Dave Chappelle regressa à televisão com dois novos especiais na Netflix.

O primeiro, intitulado The Age Of Spin foi filmado em Los Angeles e foca temas muito variados e actuais.
O segundo, intitulado Deep In The Heart Of Texas foi filmado em Austin, Texas e foca temas mais pessoais.

O último especial que Dave filmou já foi em 2004, e já não o vemos na televisão a fazer algo seu desde que The Chappelle Show terminou, em 2006.

Por isso a grande questão quando estes seus novos especiais de stand-up foram anunciados é:
Será que ele ainda não perdeu o jeito?

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Para entenderem mais facilmente a importância deste seu regresso, talvez seja melhor explicar um pouco o seu passado.

Em 2006, Chappelle estava no topo do mundo.
Não só era um dos melhores cómicos de stand-up, como o seu programa de sketches, The Chappelle Show, era um autêntico sucesso crítico e comercial.
Então, sem qualquer tipo de explicação, recusou 50 milhões de dólares para fazer a terceira temporada do seu programa e foi embora para África, desaparecendo do olhar do público.
Muito se especulou ao longo dos anos, sobre o porquê de isso ter acontecido, e apesar de recentemente ter justificado isso apenas com cansaço dos media e da atenção pública que a fama traz, poderemos nunca vir a saber a história toda.

Contudo, agora passados 13 anos, Dave regressa, não com um, mas sim dois especiais de stand-up.
E tendo em conta que a Netflix pagou uns absurdos 60 milhões por três especiais, o terceiro deverá surgir em 2018 ou no final deste ano.
A ter a recepção que a Netflix espera, e com o que estão a pagar, é possível que ao fim seja feito um novo contrato.

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Em relação a estes especiais em si, e respondendo à questão que deixei no ar no início desta crítica:
Não, Dave Chappelle não perdeu o jeito. Continua extremamente cómico, perspicaz, ácido e directo como era antes.

Contudo, chamemos-lhe ferrugem ou nervosismo, é inegável que falta algo.

Os seus dois especiais anteriores Killin’ Them Softly e For What It’s Worth, são do melhor que a comédia tem para oferecer.
Uma crítica perfeita da actualidade que se vivia, vistas pela perspectiva de um génio cómico que tinha uma forma única e absolutamente fenomenal de entregar ao público cada uma das suas linhas de diálogo, escrito e entoado com perfeição.

Nestes seus dois especiais, isso não é o caso.
Continua a haver comédia, o seu texto consegue ser inteligente e de certa forma actual, mas não é o mesmo.
Dave sempre foi um cómico que viveu muito do racismo, da actualidade política e descriminação do seu tempo. E apesar de hoje ainda haver racismo, descriminação e muita polémica para focar e discutir, a realidade é melhor do que era em 2004.
Não vou dizer que seja muito melhor ou pouco, mas sem dúvida alguma que as coisas mudaram.
Em 2009 tivemos o primeiro presidente afro-americano, e apesar de as mentalidades e o presente do país poder ter regredido com a eleição de Donald Trump, a esperança continua cá, e quero acreditar que este foi apenas um passo atrás para de seguida podermos dar dois em frente.

Assim, com isso em mente, ver Dave a focar-se à mesma em tantos assuntos de racismo, descriminação e perseguição, não têm o mesmo poder que tinham antes.
As piadas são cómicas, fazem rir e ele salva-as com a sua entrega, mas a própria recepção do público nota-se que não é a mesma.
Em ambos os especiais é notório um certo desconforto no ar, a audiência não o acompanha em todas as suas piadas.

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Esse é realmente o aspecto que mais prejudica o ambiente dos espectáculos: a incapacidade que as audiências sentem em acompanhá-lo no percurso pelo qual ele as tenta levar.
São vários os momentos constrangedores de silêncio ao fim de alguma piada.
E apesar de muitas serem culpa do público, que está demasiado sensibilizado para reconhecer a sátira e a forma que este humorista tem de ver o mundo, outras são realmente pela forma como ele constrói e entrega as suas punchlines.

Outro aspecto que me incomodou muito foi a arrogância e o ego de Dave em certas das suas falas.
Em 2004-2006, altura do pico da sua fama ele não era tão arrogante como parece estar agora.
São vários os momentos em que fala sobre ser rico, seja por ser demais ou ainda querer mais, e em que fala de si como se fosse uma mega-estrela.
E apesar de também haver alturas em que se rebaixa perante outras pessoas mais famosas e populares, na sua generalidade mantém essa arrogância de: Dave, The Great.
Não entendo bem o porquê de se comportar assim, mas julgo que poderá estar relacionado com um grande arrependimento do passado. De ter recusado aquele dinheiro, e de se ter ido embora no pico do seu estatuto. Ele próprio o diz, numa das suas piadas, deixa bem claro que as coisas estavam perfeitas.
E apesar de agora ter recebido 60 milhões, e isto ser a grande chance de regressar ao estrelato, estes especiais foram gravados antes de esse contrato ser feito, o que significa que aqui, ele ainda sentia essa insegurança e receio de cair no esquecimento, ou não conseguir manter o estilo de vida financeiro que pretende.

É isso que me deixa um pouco na esperança de que o terceiro especial do seu contrato, pós 60 milhões, seja aquilo que eu esperava que estes tivessem sido.

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Ainda assim, estes dois especiais são sólidos e algo que recomendo vivamente a qualquer pessoa.
Mas, deixo o aviso de que realmente poderão sentir-se ofendidos com uma coisa ou outra, já que foca vários temas mais sensíveis.
É um comediante extremamente inteligente, com um grande conhecimento sobre história e uma mestria enorme em iludir o público.
Uma piada no final de um dos especiais em que ele está a focar Bill Cosby e os assuntos da violação, é absolutamente hilariante.

Outro último ponto, é o próprio aspecto de Dave.
Ele não é o comediante magro de antes, está maior, enorme na realidade quando comparado com o que era antes.
Apesar das falhas que apontei, é inegável reconhecer os benefícios de saúde física e mental que estes anos de ausência lhe proporcionaram.


Veredicto Final: 7/10

Dave está de volta, e apesar de continuar o comediante satírico, inteligente e cómico de antes, há algo que ainda está em falta.
Com estes seus dois especiais de comédia, ele volta a molhar os seus pés neste mundo de que já foi rei, e deixa bem claro que consegue estar perto do nível dos grandes da actualidade.

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