Resident Evil: Capítulo Final (2016)

Título Original
Resident Evil: The Final Chapter

Género
Acção

Realizador
Paul W. S. Anderson

Argumentista
Paul W. S. Anderson

Elenco
Milla Jovovich, Iain Glen, Ali Larter, Shawn Roberts e Eoin Macken


Alice regressa ao local onde tudo começou: A Colmeia, em Racoon City.
Nesse local está o antídoto que é a última esperança para salvar aqueles que ainda não foram vítimas do Apocalipse.


O primeiro Resident Evil estreou em 2002, e agora, passados 14 anos, chegámos ao fim da linha e desta saga de surpreendente sucesso comercial, com Resident Evil: The Final Chapter.

Eu gostei do primeiro filme, apesar de não ser algo propriamente fiel ao videojogo que tentou adaptar. Achei que era uma abordagem relativamente interessante e com possibilidade de melhorar.
Infelizmente decidiram ir pelo caminho inverso e a modesta qualidade e potencial que esse primeiro filme tinha, foram substituídos por CGI em quantidades cada vez superiores e uma história cada vez mais confusa e repetitiva.

Este filme não muda isso, quanto tanto até consegue piorar em todos os sentidos possíveis e imagináveis.
Anderson nunca foi grande realizador nem argumentista, mas aqui conseguiu realmente esmerar-se, e entregou um produto em que eu tive de lutar para encontrar aspectos positivos.

Eu tento ser justo em todas as minhas críticas.

Roger Ebert, um dos meus críticos preferidos, defendia que um bom crítico tem de ser justo com o produto final, tentar encontrar pontos positivos e compreender que haverá inevitavelmente quem vá gostar desse filme por mais que nós o possamos odiar.
Assim, o objectivo de um bom crítico é escrever uma crítica que, mesmo sendo sobre um filme que não gostou e achou defeituoso, dê também ênfase aos pontos positivos, de forma a que quem não concorde connosco possa ao menos respeitar a nossa opinião.

E ao longo de todas as minhas críticas foi isso que sempre tentei fazer, ser justo.
Todos temos noção que ninguém quer fazer um filme mau. Cada um à sua maneira, seja para aclamação crítica ou simplesmente para entreter o público, quer fazer algo bom, com qualidade, que possa ser visto e desfrutado.
E são vários os momentos em que eu compreendo o objectivo de Anderson, mas ele simplesmente não tem o talento ou a visão necessárias para o alcançar, ou pelo menos, aqui não teve.

Resident Evil: The Final Chapter torna muito difícil a tarefa de encontrar pontos positivos.
O único que eu posso encontrar aqui é a prestação de Iain Glen enquanto vilão. É a única personagem de quem consegui gostar, é o que oferece uma prestação mais convincente.

Foi a única coisa de que realmente gostei, dei por mim a torcer por ele em várias ocasiões.
E quando estamos a ver um filme e só conseguimos gostar da personagem que quer acabar com o mundo e a humanidade, algo está errado.

Anderson é alguém que tem amor aos videojogos, que respeita o material de origem, e tendo em conta uma entrevista que vi com ele, parece ser uma pessoa humilde e com bom gosto cinematográfico.
Infelizmente, nada disso é transportado para o seu trabalho, e então aqui tem o seu maior falhanço.

A realização deste filme é horrível em todos os aspectos, a única coisa pior é a edição.
As lutas, por mais curtas que sejam, envolvem tantos saltos entre câmaras e ângulos diferentes que se torna impossível acompanhar o que está a acontecer.
Bastou uma cena ao início do filme, para eu adivinhar o horror que me esperava. Alice tem um monstro em cima dela, dá-lhe uma cotovelada e afasta-se. Só nesse curto espaço de segundos, existem cerca de 20 takes diferentes.

95% do filme foi filmado numa hand-held câmara controlada pelo realizador, não sei o que justificou essa decisão, mas o resultado está à vista, e chega a ser fascinante o quão mau é, e pior ainda, haver alguém que viu e aprovou o resultado final.

A história em si é completamente vazia de significado, coerência e qualquer tipo de lógica.
Não me recordo da última vez que tivesse visto um filme que fizesse tão pouco sentido em relação a tudo o que acontece.

A Umbrella quer evitar que Alice chegue à Colmeia, contudo, ao longo de todo o filme, os momentos em que Alice podia ter sido morta são tantos que é simplesmente ridículo.
Não há um único momento credível em que ela pudesse ter sobrevivido ao que sobrevive, ou chegar onde chegou.
Seja por nenhum tiro lhe acertar, quando estão a disparar duas metralhadoras de um tanque blindado e mísseis ao mesmo tempo, ou por haver claramente forma de a impedir de entrar na Colmeia em inúmeras ocasiões, e não aproveitarem nenhuma delas.

O filme é livre de qualquer tipo de lógica ou pensamento coerente, desde a altura em que começa à altura em que acaba. E a solução que arranjam para o final da saga é tão estúpido, tão impossível e tão hilariante que me deixou realmente fascinado.

Poderia dizer que o visual do filme seria um aspecto positivo se já não tivesse visto a mesma coisa em outros filmes de qualidade muito superior.

Dois filmes que inspiraram Anderson foram sem dúvida Mad Max em termos de visual, e The Equalizer nas cenas de acção finais.
Dois filmes de sucesso que são tão superiores a este em tantos aspectos que até dá pena ele ter sequer pensado em reproduzir o que lá foi feito.

Em relação às prestações, já disse que a única de que posso realmente ter desfrutado é a de Iain.
As restantes são tão péssimas, forçadas e exageradas que foram vários os momentos em que me senti constrangido e envergonhado por eles.

Uma última nota antes do veredicto:

Durante as gravações deste filme houve dois acidentes no set, um deles fatal.

  • Ricardo Cornelius era um elemento da equipa que foi esmagado por um jipe contra uma parede, e apesar de ter sido levado de emergência para o hospital, faleceu horas mais tarde.
  • Olivia Jackson era a dupla de Milla e durante uma das cenas de motociclismo, bateu no braço de uma câmara, teve um acidente e teve de ser levada para o hospital e colocada em coma induzido.
    Apesar de sobreviver, um dos seus braços teve de ser amputado e a sua carreira profissional como dupla, terminou.

Deixo aqui os meus sentimentos aos familiares e amigos de Ricardo, e desejos de melhoras e um melhor futuro para Olivia.


Veredicto Final: 1/10

Resident Evil: The Last Chapter é um dos piores filmes que vi nos últimos anos.
Custa-me dar esta nota porque compreendo e respeito a ambição de Anderson, mas não há volta a dar, as qualidades são poucas ou mesmo nenhumas.
Desde as prestações horríveis ao argumento absolutamente ridículo e preenchido por falhas e lacunas, este é um filme que não posso recomendar a ninguém.
Poderia ser salvo pela acção, mas até nisso falharam de forma espectacularmente grande.

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