Crítica – xXx: O Regresso de Xander Cage (2017)

Título Original
xXx: The Return Of Xander Cage

Género
Acção

Realizador
D. J. Caruso

Argumentista
F. Scott Frazier

Elenco
Vin Diesel, Donnie Yen, Deepika Padukone, Kris Wu e Ruby Rose


Quando o mundo está sob uma nova ameaça, só Xander Cage e o seu grupo de rebeldes é que nos poderão salvar.


Não há ninguém no mundo que seja maior fã de Vin Diesel do que o próprio Vin Diesel.

Todos os filmes na carreira deste actor, a partir do momento em que começou a ter algum controlo criativo, se tornaram apenas uma forma de agradar ao seu enorme ego.
Afinal de contas, estamos a falar de uma pessoa que tem estipulado nos seus contractos que não pode perder um combate em nenhum dos seus filmes.
E quando chegamos a esse nível de arrogância e egocentrismo, as coisas tornam-se sempre mais complicadas para o argumentista e para o realizador.

Em 2002 estreou o filme xXx, que para minha surpresa, foi surpreendentemente divertido, mais do que eu estaria à espera.

Foi um filme que soube reconhecer aquilo que era: parvo. E a partir daí, soube ser divertido com alguns momentos cómicos e uma boa dose de acção.
E Diesel, que tem tanto carisma como uma porta, conseguiu fazer um trabalho razoável, apesar de não ser a escolha mais indicada para o papel.

Ao fim do flop que foi a sequela de 2005 com Ice Cube no papel principal, esta nova iteração ressuscita Xander Cage e decide testar se o público ainda se importa com a franchise.

Um filme destes não vai ser visto pelas prestações, realização, argumento, diálogo e desenvolvimento das personagens.

Não, isso para filmes como este, Transformers ou Fast and Furious, é algo que não interessa.
Assim, tudo o que resta é a acção, acrobacias e feitos loucos e cheios de divertimento e adrenalina.

Contudo, tem de haver alguns limites, porque existe uma linha que separa a loucura da estupidez, e é isso que este filme não reconhece.
Eu consigo desfrutar de um filme que me peça para desligar o cérebro, há muitos assim, o “filme-pipoca”, contudo recuso-me a ver um que me peça mais que isso.

xXx: The Return Of Xander Cage, tal como os últimos filmes da saga Fast and Furious, pedem demais, não chega desligar o cérebro, é necessário deitá-lo fora antes de ver o filme.

Tudo o que acontece neste filme é irreal, mas não é um irreal divertido e louco, é um irreal completamente estúpido, desprovido de sentido e simplesmente ofensivo para o espectador.

Vin Diesel é alguém muito limitado em termos de “talento”.
No início tentou ser actor, e houve esperança e possibilidade de crescer, mas há muito tempo que já desistiu disso.
Assim, tudo o que resta é a sua voz grave, e muitas vezes incompreensível, e aquele seu olhar mais agressivo que é útil para personagens mais violentas e temperamentais.

Nenhuma dessas qualidades é útil para a personagem de Xander Cage.
Cage é suposto ser alguém divertido, extrovertido, o coração de qualquer festa em que entra, uma personagem calma e tranquila.
É alguém que antes de usar os punhos recorre às palavras e ao seu à vontade para resolver qualquer situação. Uma pessoa extremamente carismática, atraente e fanática por desportos radicais.

Vin Diesel não é nada disso, é o exacto oposto na verdade.
No primeiro filme, o argumento soube disfarçar essas falhas, recorrendo a uma história mais ou menos convincente e a um diálogo mais solto.
Aqui isso não acontece, e ver Vin a ser considerado todas aquelas coisas que eu mencionei antes é simplesmente embaraçoso e constrangedor.

Vin a interpretar esta personagem, não é divertido ou engraçado, é simplesmente arrogante e convencido.
É suposto ele conseguir infiltrar-se em vários ambientes apenas falando e usando o seu charme e carisma, mas Vin não tem nada disso. O seu diálogo é tão foleiro e ridículo que eu passei grande parte do filme a questionar-me como é que alguém ainda não lhe tinha dado um tiro apenas para o calar.
E em relação aos desportos radicais, Vin Diesel já não está em forma, ou pelo menos não está com a forma que esta personagem requer.
A interpretar um mecânico gorila e com barriga de cerveja em Fast and Furious, talvez isso se disfarce, mas a interpretar um homem atlético, extremamente acrobático e viciado em desportos radicais, as coisas mudam um pouco de figura.

Na minha última crítica, falei sob a importância de um crítico ter que procurar sempre os elementos positivos de um filme e tentar compreender o porquê de ele ter sido feito, qual o seu objectivo, por mais horrível que ele possa ser.

Tal como em Resident Evil: The Final Chapter, também aqui essa é uma tarefa muito complicada.

Se eu tiver de pensar num elemento positivo, em todo este filme, terá de ser Donnie Yen.

Todos os momentos em que este actor e mestre de artes marciais participa, são divertidos e intensos. É alguém que sabe lutar e vender ao público aquilo que está a fazer.
Ele é sem dúvida o ponto alto do filme, infelizmente, como não é a personagem principal, há apenas duas ou três cenas em que podemos realmente desfrutar do seu talento.

Tudo o resto é de mau para baixo.

Desde o ridículo argumento até às prestações dignas de encerrar carreiras.
Assumo que Samuel L. Jackson e Toni Collete tenham aceite apenas para ganhar um bom ordenado, porque não há outra justificação possível para sujarem o seu currículo com isto.


Veredicto Final: 2/10

Um filme que não vem acrescentar nada de novo ao género.
Sem qualquer tipo de argumento, com um diálogo ofensivamente foleiro e prestações do mais horrível e forçado que pode haver.
Este é um filme que apenas Vin Diesel e os seus fãs mais fiéis poderão realmente desfrutar.

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