13 Reasons Why – 1ª Temporada (2017)

Título Original
13 Reasons Why

Género
Mistério

Criador
Brian Yorkey

Elenco
Dylan Minnette, Katherine Langford, Christian Navarro, Michael Sadler e Justin Prentice


Seguimos o adolescente Clay Jensen, na sua jornada para descobrir a verdade do que aconteceu com a sua colega, e paixão, Hannah, e o porquê de ela se ter suicidado.


Numa época em que todas as séries de adolescentes conseguem ser previsíveis e igualmente semelhantes em todos os assuntos que decidem abordar, 13 Reasons Why destaca-se e eleva-se de todas as outras, criando aqui um mundo negro e real, que emociona, cativa e ensina.

Baseada no livro de Jay Ahser, a narrativa irá envolver temas reais e difíceis de abordar, como bullying, abuso sexual, suicídio, depressão, alcoolismo, isolamento, auto-mutilação, homossexualidade e drogas.
E surpreendentemente, consegue criar um percurso muito honesto, em que foca todos os temas que mencionei de forma dura e crua, ao mesmo tempo que tenta fornecer uma solução e mensagem de esperança, algo raro hoje em dia.

Não tenta ser demasiado moralista ou dar grandes sermões, fornece a mensagem importante que quer ao mesmo tempo que constrói uma narrativa coerente, misteriosa e que consegue ser interessante e capturar a atenção do espectador e público-alvo.

Ao contrário de muitas das séries, o final é-nos fornecido logo de início: Hannah suicida-se.
Então, a partir daí somos levados por duas histórias paralelas com linhas temporais diferentes, que nos vão ajudando a preencher as lacuna sobre os motivos e as razões que levaram a jovem protagonista ao ponto de ruptura.

Não deve ter sido fácil decidir qual a forma mais prática e simples de construir o argumento, mas a escolha dos argumentistas e realizadores acabou por ser apropriada.
Durante os episódios a acção salta várias vezes entre o passado e o presente, e consegue fazê-lo de forma tão clara e óbvia que nunca há a necessidade de colocar qualquer tipo de descrição no ecrã a descrever quando é que aquilo que estamos a ver aconteceu.
E assim, aliado a essa (des)construção, consegue ser uma série adolescente com um interessante mistério e ameaça constante a girar à volta de todos os protagonistas e a dor e confusão que sentem.

É na sua generalidade uma série muito bem construída e conseguida, o que justifica a grande aclamação crítica que recebeu.
Houve apenas algumas “falhas” no argumento que me incomodaram, nomeadamente em algumas das 13 razões que Hannah irá apontar. Há vários acontecimentos que poderiam ter sido evitados se ela não se fizesse tanto de vítima, se assumisse alguma responsabilidade pelas decisões que tomou e pelo caminho negro que estava a percorrer, e acima de tudo, por aquilo que poderia ter feito para trazer justiça para outras vítimas da história.

Contudo, são coisas mínimas, que alguém poderá até justificar como sendo propositado, para criar ainda mais discussão numa série que decide levantar inúmeras questões éticas e morais.

O elenco poderia ser o grande ponto fraco da série, já que muitos deles têm um currículo inexistente ou ainda muito fraco.
Haverá apenas três ou quatro actores em toda a série que eu consegui reconhecer de trabalhos prévios.
Mas não, consegue ser apenas mais uma qualidade de 13 Reasons Why.
Todos os jovens adolescentes oferecem prestações talentosas e com inúmero detalhe na dor, confusão e caos que são as suas vidas adolescentes.

Até mesmo as personagens mais fáceis de odiar devido a quem são, ao que representam e à forma como se comportam, conseguem ser estabelecidas e desenvolvidas de forma real e credível, não há nenhuma representação que seja demasiado fictícias ou cartoon, é como se estivéssemos a ver um documentário, já que tantas destas personagens representam tão claramente pessoas que todos nós conhecemos.

Contudo, apesar de todos fazerem um trabalho digno e respeitável, sinto necessidade de destacar Kate Walsh e Brian d’Arcy James.

São estes dois actores que interpretam os pais da jovem Hannah, e a forma como a sua dor é demonstrada ao longo da série nunca me deixou de surpreender.
E apesar de não ser dada a merecida atenção ao seu lado da história, ao seu processo judicial e àquilo que sentiam, já que o foco são as crianças, eles conseguem sempre demonstrar claramente como estão e se sentem.
A mãe de forma mais explosiva e emocional, e o pai de forma mais contida e controlada. Uma forma emocionante de ver a destruição completa com que esta família ficou.

Curiosamente, o único ponto fraco da série, ou melhor, aquilo que gostei menos, é a personagem principal.

Não é a actriz ou a sua prestação, acho que ela fez um bom trabalho. Mas a personagem da Hannah parece-me alguém um pouco inconsistente ao longo da série, ora é forte e independente, ora é fraca e dependente.
Ora é sarcástica e com algum humor negro, ora é mais sensível e inocente.
Ora é inteligente e perspicaz, ora é mais fácil de convencer e lenta a compreender certas coisas.
Ora é correcta e justa, ora é alguém que fecha os olhos e se cala em relação a injustiças.

É difícil compreender quem querem que ela seja, e é impossível acreditar que uma rapariga que deixa sete cassetes para aqueles que a levaram ao suicídio, não deixa uma única carta para os pais.

Fora isso, gostei realmente da série e de todo o trabalho que foi depositado nela, mais uma conquista para a Netflix.
Não vejo futuro para a série, não vejo necessidade ou história para uma segunda temporada, e acho que tentarem fazê-lo só iria estragar o poder e a mensagem com que decidem encerrar o último episódio. Por isso espero que não tentem continuar a história numa segunda temporada que seria inevitavelmente mais fraca e forçada.


Veredicto Final: 8/10

Uma série de adolescentes diferente de todas as actuais, que cria um mistério à volta de assuntos que realmente interessam e merecem ser discutidos.
Com uma história dolorosa e emocional, que toca em inúmeros temas difíceis de abordar, 13 Reasons Why é uma série que merece e deve ser vista, deveria ser exibida nas escolas.

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