A Vida Secreta de Walter Mitty (2013)

Título Original
The Secret Life Of Walter Mitty

Género
Drama

Realizador
Ben Stiller

Argumentista
Steve Conrad

Elenco
Ben Stiller, Kristen Wiig, Shirley MacLaine, Sean Penn e Adam Scott


Quando o seu trabalho é ameaçado, Walter decide tomar controlo da situação e pela primeira vez na sua vida enfrentar realmente o mundo e embarcar numa jornada mais extraordinária do que tudo aquilo que alguma vez imaginou.


The Secret Life Of Walter Mitty foi um filme que infelizmente não foi bem recebido pelos críticos, seja por não entenderem a mensagem que o filme queria passar ou talvez por terem criado expectativas de que iam ver algo completamente diferente.

Já vi o filme por inúmeras vezes, e apesar de reconhecer que há certos aspectos e momentos que poderiam ter sido melhorados e evitados, continua a ser uma história que me inspira tanto como na primeira vez em que a vi.

Ben Stiller é um artista que sempre achei interessante, um actor um pouco limitado no que toca ao seu alcance, mas um realizador talentoso que consegue reconhecer o poder da comédia e do drama e a forma como eles poderão eventualmente andar de mãos dadas criando um contraste convincente.
Ao fim de realizar filmes como Zoolander e Tropic Thunder, ele volta aqui a conseguir criar uma película de qualidade, e apesar de focar temas mais sérios que os seus trabalhos anteriores, continua a ser abordada de forma leve e cómica.

A inspiração para este filme foi uma short-story escrita por James Thurber, que em 1947 deu origem a um filme também intitulado The Secret Life of Walter Mitty, contudo não considero este como sendo um remake, já que as suas histórias são completamente diferentes.

Walter Mitty (Ben Stiller) é o responsável pelos negativos fotográficos da revista Life, revista essa que vai agora ser reestruturada para se tornar puramente online, o que irá levar a muitos despedimentos e também à impressão do seu último exemplar antes de mudar definitivamente para o mundo digital.
Contudo, o negativo que seria a capa dessa última edição desapareceu, e cabe a Walter como o responsável, encontrá-lo a tempo.

Walter é um sonhador, alguém que não vive a sua vida, ao invés disso imagina tudo o que poderia acontecer “se”, se fizesse isto ou fizesse aquilo, sem nunca realmente o chegar a fazer.
Então o que temos nesta película é o crescimento e a evolução de Walter que passará de um sonhador introvertido e tímido para um aventureiro destemido e corajoso à medida que a sua busca pelo negativo e pelo fotógrafo responsável continua a ser cada vez mais difícil e a passar de continente para continente.

As prestações do filme são capazes e Ben Stiller consegue estabelecer uma relação credível com o seu interesse amoroso, interpretado aqui pela talentosa Kristen Wiig.

A cinematografia do filme é maravilhosa, desde a luz e exposição solar até aos ângulos e a forma como as personagens são centradas e focadas.
E todo o visual criativo que o filme estabelece e cria à volta dos momentos irreais que Walter imagina são deveras atraentes e divertidos, contudo acho que por vezes Stiller exagera um pouco nas piadas e não deixa o filme respirar da forma que seria suposto.

Este é um filme que apesar de poder ser filmado e abordado de forma leve e cómica, é na sua essência um drama.
E isso é algo que Ben nem sempre compreende, insistindo em piadas fáceis e descabidas que poderiam resultar noutro filme, mas que neste acabam por destoar muito e criar um problema de contraste e tom.

Apesar desses percalços na realização, conseguimos chegar ao final do filme com um sorriso na cara e preenchidos pela história que acabámos de ver.
Dá-nos esperança para a nossa vida e para quaisquer medos e desafios que tenhamos de enfrentar, dá-nos confiança de que nunca é tarde demais para mudar e que todos nós temos esse Walter corajoso dentro de nós, prestes a explodir e brilhar a qualquer momento.

É um filme com um bom argumento, que consegue aprofundar o suficiente para passar a sua mensagem sem se tornar demasiado melodramático no processo.
Viajando pelo mundo e colocando-se em várias aventuras, seguimos Walter nesta sua busca à medida que o vemos crescer e evoluir, e somos confrontados com pensamentos inesperadamente profundos e tocantes.

Sean Penn aparece no filme por pouco tempo, mas consegue deixar uma impressão bem forte com aquilo que diz e faz nesses poucos minutos. Um verdadeiro fotógrafo e artista que realmente ama a sua arte e a respeita pelo poder e beleza que tem, corajoso e destemido.
É o contraste perfeito para aquilo que Walter é no início e em quem sonha ser, e no final quando finalmente se encontram, já estão bem mais perto um do outro, tanto literal como metaforicamente.

É um filme carregado de metáforas e simbolismos, perdendo-se ocasionalmente na sua tradução visual para o ecrã, mas ainda assim a conseguir passar a sua mensagem final de esperança e auto-descobrimento.


Veredicto Final: 7/10

Um filme emocional e tocante, que apesar de não ser devidamente aprofundado por Ben Stiller e se perder ocasionalmente em momentos excessivamente cómicos e forçados, consegue ainda assim passar a sua mensagem de esperança e crescimento.

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