Crítica – Velocidade Furiosa 8 (2017)

Título Original
The Fate Of The Furious

Género
Acção

Realizador
F. Gary Gray

Argumentista
Chris Morgan

Elenco
Vin Diesel, Jason Statham, Dwayne Johnson, Kurt Russell e Charlize Theron


Quando uma mulher força Dom a trair a sua “família” e a ajudá-la nos seus planos maquiavélicos, o resto da sua equipa irá enfrentar a sua maior ameaça que os irá testar e colocar em perigo extremo.


Há tanta coisa que quero dizer sobre este filme, tantos aspectos negativos a apontar, tantos momentos que me fizeram sentir chocado e ofendido enquanto espectador que estou a ter uma dificuldade enorme em estruturar a crítica.

Fui ver o filme com a noção perfeita de que seria algo estúpido e ridículo, mas não esperava algo deste calibre.
Conseguiu sem dúvida alguma fornecer-me umas gargalhadas e alguns momentos divertidos, mas num filme com mais de duas horas de duração, esses momentos não são suficientes para compensar o resto.
Especialmente quando consideramos que em breve teremos esses momentos isolados em clips do youtube, poupando o sofrimento de tolerar o filme na sua totalidade.

Para facilitar a leitura e o meu raciocínio, irei apontar apenas três elementos negativos e três elementos positivos.
Deixando a nota clara que os negativos existem em número imensamente superior.

Os 3 aspectos negativos:

Duração
Argumento
Vin Diesel

Duração

Com 136 minutos é um filme extremamente longo para o seu conteúdo, 90/100 minutos seriam mais do que suficientes para contar a sua história.

Alonga-se muito devido a momentos mortos de diálogo e exposição e à presença de várias personagens desnecessárias, que não acrescentam nada à história e cuja ausência seria perfeitamente oculta pelas restantes.

Um filme pode ter diálogo e exposição e usar isso para a sua vantagem, mas para isso é necessário ter algo interessante para se dizer ou personagens bem desenvolvidas, o que aqui não é o caso em nenhum desses aspectos. Sempre que alguém fala é na tentativa vã de dizer uma piada ou algo extremamente másculo e duro.
Apenas Cipher (Charlize Theron) tenta dizer algo filosófico e inteligente, mas destoa tanto do resto do que está a acontecer que fica apenas foleiro e constrangedor.

Argumento

Esta é a maior das falhas, abrangendo inconsistências no desenvolvimento das personagens e do tom do filme e uma falha enorme e impossível de aceitar em relação ao desfecho final do filme.

No que toca ao desenvolvimento das personagens, este é mais uma vez um daqueles filmes em que as personagens que supostamente já conhecíamos de filmes anteriores nos são apresentada como alguém completamente diferente.

Hobbes (Dwayne Johnson) tem ganho mais força e poder de filme para filme, estando neste momento num nível em que já não se pode considerar humano.
Deckard (Jason Statham) é alguém que no filme anterior matou centenas de pessoas inocentes e foi apresentado e descrito como um autêntico demónio, e aqui o argumentista aproveita todas as oportunidades possíveis para o transformar num herói e fazer com que a audiência simplesmente o aceite como um dos bons.
E o mesmo acontece com todas as outras, sendo o pináculo dessa evolução constante a personagem de Dom (Vin Diesel) que no primeiro filme era apenas um mecânico que roubava camiões e já tinha sido preso inúmeras vezes e agora é uma força imbatível, o homem mais perigoso, forte e poderoso do mundo, alguém que ninguém consegue parar ou derrotar.

O mesmo acontece com o filme no que toca ao seu tom, nunca sabe bem o que quer ser, tendo momentos de comédia, momentos de acção e tentativas ridículas a momentos mais dramáticos, nunca conseguindo criar um contraste credível e natural entre eles.

Por fim, temos o desfecho final do filme e a forma como Dom consegue escapar ao poder que Cipher detém sobre ele.
É claro desde o início que este filme não se passa no mesmo universo que nós, passa-se num universo paralelo em que as regras da física, da lógica e qualquer tipo de senso-comum não existem e no lugar de tudo isso existe apenas o gosto por explosões, carros e a capacidade inata de sobreviver e tudo e ainda mais qualquer coisa.

E eu posso aceitar tudo isso, afinal de contas sempre foi assim.
Mas nunca um filme desta saga teve uma saída tão cobarde e preguiçosa como este. Não vou entrar em detalhes para não estragar o filme para quem o queira ver, mas a estratégia que Dom usa para vencer Cipher é tão ridícula, absurda e ofensiva que se não faltasse tão pouco para o filme acabar eu tinha-me levantado e saído do cinema.
É puramente impossível, e até o próprio argumentista o sabe, já que não há qualquer tentativa de o explicar, é assim apenas porque sim e porque tem de ser.

Vin Diesel

Enquanto todos os outros actores têm a perfeita noção de que estão num filme de acção e comédia, absolutamente ridículo, absurdo e estúpido, Vin actua em todas as suas cenas como se estivesse dentro de um drama extremamente negro ou um intenso e profundo thriller psicológico.
Todas as suas cenas eram tão forçadas e constrangedoras que eu, juntamente com vários outros membros do público, não conseguíamos conter as nossas gargalhadas de embaraço com aquilo que estávamos a testemunhar.

Não será à toa que foi anunciado o spin-off com Dwayne Johnson e Jason Statham, uma aposta segura e uma mensagem clara de quem começa a ser visto como o verdadeiro líder da franchise.

Houveram vários conflitos entre Vin Diesel e Dwayne, culminando com uma reunião à porta fechada de forma a tentar resolver a situação.
O motivo para isso deveu-se ao facto de Vin ser alguém que deixou o seu ego subir-lhe à cabeça, usou o seu poder de produtor executivo para cortar uma cena pós crédito com Dwayne e Statham e chegava ao set atrasado, por vezes a atingir as seis horas de atraso.

Supostamente isso foi resolvido, mas Dwayne e Vin não partilham uma única cena neste filme em que estejam apenas os dois, o que poderá não ser coincidência.

Os três aspectos positivos:

Dwayne Johnson
Jason Statham
Carlos

Dwayne Johnson e Jason Statham

Estes foram os actores que ofereceram as melhores cenas de acção e os momentos mais puros e divertidos de todo o filme. Apesar de continuarem a ser hipérboles em tudo o que dizem e fazem, e apesar da personagem de Deckard ser estranhamente um dos heróis deste filme, a química destes actores é inegável.

Eles conseguem ser divertidos e oferecer boa acção quando estão separados, mas são os momentos em que estão juntos e a sua constante troca de ofensas que forneceram as gargalhadas mais puras.

São dois actores talentosos que com o pouco tempo de ecrã que partilham neste filme, conseguem criar interesse suficiente para o futuro filme em que serão os protagonistas principais. Com o realizador certo, Chad Stahelski ou David Leitch, poderá ser criado um filme realmente bom.

Carlos

Para não entrar aqui em spoilers não posso necessariamente dizer quem é Carlos, a personagem que interpreta ou em que contexto, por isso irei apenas dizer que é a adição mais nova ao grupo dos inúmeros carecas que este filme já possui.
Apesar de ser um actor extremamente novo e este ser possivelmente o seu primeiro filme, ele conseguiu roubar todas as cenas das quais fazia parte. Fosse com uma gargalhada, uma tentativa em dizer o que achava ser apropriado ou um simples gesto, ofereceu sempre uma reacção pura e carismática a tudo o que se estava a desenrolar à sua frente.


Veredicto Final: 5/10

É um filme que irá agradar perfeitamente aos fãs da saga, que nesse aspecto já sabem o que os espera.
Para os restantes, é um filme muito defeituoso e inconsistente não só no seu argumento e na narrativa mas também no próprio tom.
Dwayne e Statham oferecem boa acção e alguns momentos divertidos, mas não são suficientes para salvar o filme.

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2 thoughts on “Crítica – Velocidade Furiosa 8 (2017)

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