Kung Fury (2015)

Título Original
Kung FuryTrailer

Género
Comédia

Realizador
David Sandberg

Argumentista
David Sandberg

Elenco
David Sandberg, Jorma Taccone, David Hasselhoff, Leopold Nilsson e Andreas Cahling


Em 1985, Kung Fury, polícia de Miami e o melhor mestre de artes marciais do mundo, viaja no tempo para para destruir o criminoso mais perigoso de sempre – mestre de kung fu – Hitler, Kung Fuhrer.


David Sandberg é um realizador sueco que trabalhava em anúncios televisivos e videoclips musicais.
Em 2012 demitiu-se desse mundo e começou a focar-se no argumento que estava a escrever para um filme de acção e comédia que se iria passar em 1980 e seria inspirado pelos filmes de acção dessa era.
Começou por gastar cerca de 5000 dólares na filmagem de um trailer com os seus amigos.

Em Dezembro de 2013 o trailer foi colocado online e começou uma campanha de Kickstarter para juntar o dinheiro necessário para produzir uma curta-metragem de meia hora, o valor alvo seria os 200 000 dólares.
Quando esse valor foi atingido, foi colocada uma segunda meta de 1 000 000 de dólares para produzir uma longa metragem.

O projecto de angariação foi encerrado a 25 de Janeiro de 2014 e tinham sido angariados 630 019 dólares, mais que suficiente para a curta metragem.

O projecto final teve a sua estreia no Festival de Cannes em 2015 e foi lançado gratuitamente no Youtube, STV2 na Suécia e El Rey Network nos Estados Unidos a 28 de Maio de 2015.
A 1 de Junho o filme já tinha mais de 10 milhões de visualizações, e neste momento já conta com 27 588 457!
O filme também está disponível plataformas de streaming como a Netflix.
Com o sucesso que obteve, irá finalmente em 2018 estrear a longa metragem, que apesar de não conter filmagens do filme original, irá passar-se no mesmo universo.

Este filme é provavelmente a coisa mais ridícula e absurda que alguma vez vi, e isto vem de quem já viu vários filmes de Transformers ou da saga Velocidade Furiosa.
Contudo, é exactamente esse o objectivo. É um filme que quer ser absurdo apenas pelo prazer e pelo ridículo de tudo isso, quer ser exagerado e over the top em tudo o que faz, seja nas cenas de acção, no diálogo, na roupa ou no próprio universo maravilhoso em que se insere.

E sucede! Consegue atingir exactamente todos os níveis de ridículo a que se propõe, na sua curta duração de meia hora não deixa de surpreender por um segundo, quando o espectador pensa que já viu tudo, ele consegue elevar a fasquia e faz isso consecutivamente até chegar a uma altura em que em vez de choque sentimos apenas prazer e um divertimento enorme por podermos testemunhar todo aquele circo explosivo e hiperbolástico que a mente de Sandberg conseguiu criar.

Como deixei bem claro é um filme de orçamento muito baixo, e o artista dos efeitos especiais para entrar melhor no tom dos filmes dos anos 80 baixou a clareza e luminosidade do filme e colocou efeitos de desgaste, como se o estivéssemos a ver numa cassete de vídeo extremamente antiga e gasta, chegando ao ponto de perdermos certas partes numa das hilariantes lutas iniciais, em que Kung Fury combate uma máquina de jogos de vídeo que ganha consciência.

Consegue fazer o tributo pretendido aos filmes de acção dos anos 80, desde o vestuário até ao próprio diálogo exagerado, ridículo e foleiro.
Tem uma enorme atenção ao pormenor, com os óculos que relembram estrelas como Tom Cruise, ou a fita vermelha na cabeça a referenciar The Karate Kid ou Rambo: First Blood Part II.

A própria forma das personagens falar, como se tivessem a ser dobradas, e a exagerada voz grave e máscula do protagonista que relembra Stallone em Cobra ou o Snake Plissken de Kurt Russell, são tudo pequenos detalhes que ajudam a dar poder à mensagem que o filme tenta criar e passar ao público.

David Sandberg cria aqui um filme extremamente imaginativo e original que faz exactamente aquilo a que se propõe.
Faz pelos filmes policiais dos anos 80 aquilo que Black Dynamite fez pelos filmes de Blaxploitation.


Veredicto Final: 8/10

Uma curta-metragem que satiriza com sucesso os filmes policiais de artes marciais dos anos 80, conseguindo prestar atenção a todos os pormenores, desde o fraco CGI até ao diálogo ridículo e exagerado, passando pelo guarda roupa e pela própria voz das personagens e dos efeitos sonoros.
David Sandberg cria aqui um filme extremamente ridículo e absurdo, mas que sendo exactamente essa a premissa da qual parte, consegue atingir os seus objectivos em todos os sentidos.
Não irá agradar a todos, mas para aqueles que entendam aquilo que aqui foi feito irá conseguir chocar e deliciar.

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