Whiplash – Nos Limites (2014)

Título Original
Whiplash

Género
Drama

Realizador
Damien Chazelle

Argumentista
Damien Chazelle

Elenco
Miles Teller, J. K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist e Austin Stowell


Um baterista jovem e promissor, Andrew (Teller) inscreve-se numa reputada escola de música, onde os seus sonhos e ambições irão ser colocados à prova por um professor, Fletcher (Simmons), que não olhará a meios para fazer os seus alunos atingir aquilo que ele acredita ser o seu verdadeiro potencial


O melhor trabalho de Damien Chazelle enquanto realizador foi o seu último filme, La La Land.
Contudo, o seu melhor filme continua a ser aquele com que se estreou no grande ecrã dois anos antes, Whiplash.

Apesar de ambos os filmes terem J. K. Simmons e serem sobre Jazz e o amor que as personagens sentem por ele, são duas películas completamente diferentes e opostas não só em género mas no tom com que abordam a sua história e as suas personagens.

Custa pensar que um filme desta qualidade não conseguiu inicialmente o dinheiro necessário para ser feito, mas foi exactamente isso o que aconteceu.
Chazelle começou por filmar um short com J.K Simmons e submeteu-o ao festival de Sundance, onde viria a vencer na sua categoria e mais tarde a receber o dinheiro necessário para a longa-metragem.

Whiplash é um filme absolutamente fenomenal em todos os seus aspectos, desde a banda sonora à realização.
Mas onde realmente brilha é nas prestações que os seus actores principais fornecem.
Apesar de J.K. Simmons ter vencido Óscar na categoria de actor secundário, para mim ele é tão necessário para a história como a personagem de Miles Teller, e é aliás esta sua química e este seu confronto que tornou o trabalho dos actores em algo tão incrivelmente único e intenso.

Ambos têm aqui as melhores prestações da sua carreira, e apesar de ter sido dado grande destaque a Teller e ser ele de facto o actor que seguimos durante o filme todo, e estar em todas as cenas do filme, é Simmons quem mais irá marcar e afectar o espectador.

É uma personagem que afecta o espectador em vários aspectos.
Começamos por o respeitar e temer, passando apenas para ódio e desprezo puro, para com um final surpreendente e inesperado sentirmos algum respeito e compreensão para com ele.

Julgo que com outro actor estas emoções não seriam tão óbvias e fáceis de sentir, é o talento de Simmons e a forma como agarra e ataca este papel que torna esta personagem em alguém que nos afecta e incomoda tanto. Não será à toa que venceu um total de 47 prémios por esta prestação.

Mas não quero de forma nenhuma menosprezar o trabalho de Teller.
É uma jovem estrela que revela aqui o seu enorme talento e potencial, ao fim de já ter andado a dar passos nessa direcção com projectos anteriores como por exemplo The Spectacular Now.
Foi um actor que apesar de já ter conhecimento prévio sobre tocar bateria, treinou sempre quatro horas por dia para se preparar para o papel, todos os takes em que tocava foram filmados até o actor estar completamente exausto, ficou com bolhas nas mãos e algum do sangue nas baquetas era realmente seu.

Em termos de dedicação foi um trabalho que envolveu muito mais que actuar, e tal como Gosling viria mais tarde a fazer em La La Land ao aprender a tocar piano, também aqui Chazelle encontrou um actor que se entregou de corpo e alma e se dedicou por completo ao papel e ao filme.

É um filme que será ambíguo para o público, uns irão concordar com a personagem de Simmons, outros irão discordar e haverão aqueles que compreenderão até certo ponto aquilo que ele pretende alcançar.

A frase mais marcante do filme é dita perto do final:
“There are no two words in the English language more harmful than “good job”.
E é aqui que iremos de certa forma compreender tudo aquilo que Fletcher pretende quando tortura os seus alunos daquela maneira.
Ele exagera, isso é um facto inegável, e isso será bem óbvio durante o filme, contudo é também inegável que foi devido a isso que a Andrew consegue atingir o nível que vemos no final, nível esse que Fletcher sempre soube que era possível.

É um final poderoso, que afecta o espectador e o apanha de surpresa, por duas vezes de formas bem diferentes.
Primeiro somos assustados com uma revelação chocante, e se seguida somos afectados a um nível mais emocional com outra completamente diferente e oposta.

Apesar de já ter aqui elogiado várias vezes o talento de Chazelle, sinto uma obrigação de mencionar que o seu argumento também é genial, e que se encontrou na Blacklist de 2012.
Foi um filme que começou a ser escrito como um thriller psicológico, e apesar de ter sido transformado para acomodar mais o jazz e dar mais foco à música e ao drama, são bem notórias as presenças desse argumento original ao longo do filme, especialmente na sua segunda metade quando vemos Andrew completamente esgotado e destruído a nível mental.

Whiplash é realmente um filme soberbo.
Consegue suceder em tudo aquilo a que se propõe, desde realização e argumento até à banda sonora e prestações do elenco.

Saber que este filme foi filmado em apenas 19 dias e editado para competir em festivais em apenas 10 semanas é absolutamente chocante e surpreendente.
Coloca realmente em perspectiva todos aqueles meses que são colocados apenas nos efeitos especiais de inúmeros filmes que nunca conseguirão alcançar um terço da qualidade que Whiplash contém apenas na sua primeira meia hora.


Veredicto Final: 10/10

Whiplash é um filme que recomendo todos a verem antes de morrer.
Julgo que o poder da sua história e da mensagem que lhe é subjacente torna-o algo de único e imperdível, um filme que está num patamar só seu.
Juntando a isso um argumento genial com uma realização e edição talentosa por parte de Chazelle e duas prestações fenomenais de Simmons e Teller, a primeira uma das melhores e mais incomodativas que alguma vez vi, é algo que não posso recomendar demais.

Anúncios

2 thoughts on “Whiplash – Nos Limites (2014)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s