Horizonte Profundo – Desastre No Golfo (2016)

Título Original
Deepwater Horizon

Género
Drama

Realizador
Peter Berg

Argumentistas
Matthew Michael Carnahan e Matthew Sand

Elenco
Mark Wahlberg, Kurt Russell, Gina Rodriguez, John Malkovich e Dylan O’Brien


Uma dramatização do desastre de Abril de 2010, quando a plataforma petrolífera Deepwater Horizon explodiu e criou o pior derrame de petróleo na história dos Estados Unidos da América.


Esta foi a segunda colaboração entre Peter Berg e Mark Wahlberg.
Antes disso trabalharam juntos em Lone Survivor e depois deste já trabalharam juntos em Patriots Day.
O que estes três filmes têm em comum, para além da dupla realizador/actor principal, é o facto de serem baseados em acontecimentos verídicos com pessoas e famílias que passaram realmente por todos estes desastres e acidentes.

Não é fácil tratar e abordar estes temas, contudo Berg e Wahlberg têm-no feito com relativo sucesso, e apesar de o meu filme preferido destes três continuar a ser o primeiro, o talento de Berg enquanto realizador tem melhorado de filme para filme.
E o mesmo pode ser dito da performance de Wahlberg enquanto actor.

O filme é baseado na explosão que ocorreu em 2010 na plataforma petrolífera Deepwater Horizon. É até ao momento o maior desastre petrolífero da América.
Causou onze mortes e o incêndio durou por dois dias, até que a plataforma finalmente se afundou no mar, depois disso o óleo ainda continuou a ser libertado no Golfo do México durante 87 dias.

Este filme, para ser bem sucedido teria de ter desde logo três elementos muito importantes:

  • Um argumento que fizesse jus à realidade do que aconteceu e porquê.
  • Um realizador que conseguisse pegar nesse argumento e colocar toda essa informação no filme sem o tornar demasiado aborrecido ou informativo, ao mesmo tempo que conseguia filmar todas as explosões e pormenores do acidente de forma suficientemente credível e assustadoramente real.
    Aqui teria também de estar envolvida uma boa equipa técnica para os efeitos especiais.
  • Um elenco que consiga debitar toda aquela informação técnica que é necessária, desde a engenharia à matemática, conseguir fazê-lo de forma a parecer interessante e a demonstrar claramente o quão importante é, ao mesmo tempo que mais à frente conseguisse demonstrar a dor, o horror, medo e pânico que sentiam perante o inferno com que se deparavam.

Felizmente, consegue suceder em todos os aspectos que lhe eram fundamentais.

O argumento desenvolve as personagens da melhor forma possível, dentro daquilo que lhes é permitido.
É óbvio que aquela com a qual iremos passar mais tempo é a que Wahlberg interpreta, mas vamos recebendo vários momentos informativos e descritivos sobres os restantes, para nos relembrar que houve realmente muitas pessoas no meio daquele desastre.

Contudo, poderiam ter sido mais preguiçosos na explicação do que aconteceu e passarem directamente para a explosão e para o horror, mas não o fazem.
E é aí que este argumento recebe o meu respeito, deixaram bem claro os motivos de ganância e desrespeito total pela segurança e pelas regras que os representantes da BP tiveram e entraram em todos os detalhes de engenharia e matemática que pudessem ser necessários para o público ter toda a informação necessária de antemão.
Foi um argumento escrito da forma o mais honesta possível, e que tentou em todos os seus passos, respeitar as vítimas.

Enquanto realizador este poderá ser o melhor trabalho de Berg até ao momento.

A forma como a parte mais emocional é tratada, pode relembrar vários dos seus outros trabalhos, mas quando chegamos ao pico do desastre, aos homens presos no meio daquele horror, Berg soube equilibrar aquilo que um filme precisa para divertir com o respeito que era necessário demonstrar com os familiares das vítimas que iriam ver o filme.

Assim sendo, não há gore desnecessário, vemos pessoas a morrer, mas é sempre feito de uma forma em que não somos sujeitos a sangue gratuito.
Soube filmar toda aquela acção e todas aquelas explosões de forma concisa e coerente que permitiu ao espectador saber onde começou o caos, para onde passou a seguir e o quão enorme era aquela estação tendo em conta que enquanto uns testemunhavam um inferno autêntico num lado, havia muitos outros que ainda não faziam a mínima ideia do que estava a acontecer.

Tanto quanto eu sei, das 11 vítimas que este desastre fez, não chegamos realmente a ver nenhuma a falecer, pelo menos não directamente. Mas fazem questão de chamar o nome delas a meio do filme, para nós sabermos que eles perderam a vida e lhes dar reconhecimento.
Isto foi possivelmente a pensar nas famílias destas pessoas que ao ver o filme não teriam de ver a morte realmente a acontecer.

E neste aspecto tenho também de mencionar os efeitos especiais, que foram muito melhores do que esperava.
Desde a explosão até a tudo o que ocorreu antes, o próprio derrame de fluxo e tudo o que acontecia debaixo de água e dentro dos próprios tubos, o talento, o trabalho e a dedicação estiveram sempre lá.
Sei que a plataforma petrolífera foi realmente construída para o filme, um dos maiores sets alguma vez feitos, e valeu a pena todo o esforço, o horror pareceu sempre real.

Mark Wahlberg e Kurt Russell são as estrelas do filme-
Foi um elenco que conseguiu dar a informação obrigatória sem ser aborrecido, sempre carismáticos e interessantes.
John Malkovich como um dos representantes da BP também oferece uma grande prestação, capturando a arrogância, ganância e cinismo destes representantes da BP que cegos com o lucro acabaram por ignorar todos os sinais de que algo estava errado e “forçaram” estes homens a seguir em frente e muitos deles a perder a vida devido a isso.

A única coisa que realmente me incomodou foram certos ângulos em que Berg se sentiu na obrigação de colocar a bandeira americana com destaque.
Achei isso desnecessário, forçado e a desrespeitar o objectivo da história.
É um filme sobre ganância e cegueira como causa de um desastre em que várias pessoas morreram e em que os sobreviventes só o conseguiram fazer devido a manterem-se unidos e a lutarem para se ajudar. Isso não tem nada a ver com a América.

É uma história humana, e era assim que devia ter sido, todos sabemos que aconteceu em território americano, mas não foi nenhum atentado, foi um desastre e acidente devido a erro humano, e por isso estar a colocar lá a bandeira só retira o foco à vitória final do Homem para tentar colocar uma imagem errada e despropositada de patriotismo cego e despropositado.


Veredicto Final: 8/10

Um filme que sucede em praticamente todas as suas vertentes.
Consegue capturar a realidade assustadora do que aconteceu e fornecer informação necessária, sem se esquecer de incluir todas as explosões necessárias para vender o thriller ao público.
Com um argumento bem construído e um dos melhores trabalhos de Berg enquanto realizador, Deepwater Horizon foi possivelmente um dos meus filmes preferidos de 2016.

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