Crítica – Sand Castle (2017)

Título Original
Sand Castle

Género
Guerra

Realizador
Fernando Coimbra

Argumentista
Chris Roessner

Elenco
Henry Cavill, Nicholas Hoult, Logan Marshall-Green, Glen Powell e Tommy Flanagan


No início da Guerra no Iraque em 2003, Matt Ocre (Nicholas Hoult), um jovem soldado, faz parte de uma equipa que é encarregue de reparar o sistema de água na perigosa aldeia de Baqubah.


Três meses depois de um intenso tiroteio que termina com um helicóptero Apache a produzir grande destruição, Ocre (Hoult) e a sua equipa são enviado para uma pequena aldeia chamada Baqubah.
Estão lá para corrigir o sistema de água para que os aldeões locais não morram de sede. Claro que o único motivo pelo qual eles precisam de arranjar a estrutura é porque os Estados Unidos a atacaram, o que implica, obviamente, que alguns dos locais não os querem ali.
E é assim, com esta dinâmica interessante que o filme se torna uma espécie de alegoria para a própria política estrangeira dos Estados Unidos – corrigir uma situação criada por nós – e uma que reflecte como é que aqueles dias ao fim do Onze de Setembro, em que pareceu, pelo menos para alguns, que os Estados Unidos iam salvar o médio oriente, acabaram desaparecer relativamente depressa.
Ocre é quem fica cada vez mais ciente da futilidade da sua presença naquele país.
E quando eventualmente uma personagem, perto do final do filme, diz que nada daquilo foi em vão, é difícil concordar com ela.

Sand Castle não é um filme fácil de criticar, e talvez seja por isso que as críticas tenham sido maioritariamente negativas.

Porque é essencialmente um filme de guerra sem guerra, e isso pode logo perder a atenção daqueles que procuram aqui um Platoon ou um Black Hawk Down.
Mas, para aqueles que procuram apenas um drama que se passe em tempo de guerra, então está aqui um filme deveras interessante que exala talento em inúmeras categorias.

Caminha muito lentamente em direcção ao seu fim, um slow burner que é desenvolvido com muita calma à medida que tem uma mensagem muito clara a passar sobre a guerra e sobre aquilo que muitas vezes escolhemos ignorar: o outro lado também sofre.
São poucos os filmes americanos que decidem humanizar o inimigo e não ficam ofuscados pelo seu patriotismo cego e muitas vezes arrogante e exagerado.

Chris Roessner, o argumentista, é um veterano que esteve no Iraque na altura em que este filme tem lugar, e talvez seja por isso que o argumento é tão realista e honesto.
Ao contrário da maioria destes filmes sobre o Iraque ou sobre guerras em geral, o foco aqui não é a violência mas sim o que esta causa na mentalidade e no espírito dos soltados que têm de sobreviver no meio dela, e das pessoas inocentes que são apanhadas no meio do conflito.

Fernando Coimbra, um realizador brasileiro que eu desconhecia, chama aqui a minha atenção.
Outro realizador com um currículo maior iria querer colocar mais acção no filme, torná-lo em algo seu e acabar por ofuscar um pouco a ideia original do argumento na tentativa de apelar a um público maior.
Coimbra, possivelmente por ser um realizador mais jovem e com uma humildade maior, soube controlar-se e manteve o foco exactamente onde Roessner pretendia, nas personagens.
Há, claro, alguns momentos de conflito e acção, mas nunca é algo gratuito, é sempre para apoiar a história e enfatizar o que esta causa na moral dos soldados.

É um filme que irá parecer aborrecido para a maioria das pessoas, mas para aqueles que compreendem a sua mensagem ou poderão até mesmo ter sentido o que é estar em combate, têm aqui um história que oferecerá alguma catarse e conforto.

É uma película sobre um objectivo simples que acaba por se complicar devido à natureza natural da guerra e de todo o ambiente em que estas personagens se encontram envolvidas.
Aliado a boas prestações por parte do seu elenco, destaque para Hoult e Marshall-Green, consegue chegar onde quer sem se perder pelo caminho.


Veredicto Final
7/10

Um filme que não irá agradar a todos devido ao seu ritmo lento e controlado.

Com um argumento muito honesto de Roessner e uma realização contida de Coimbra, Sand Castle é um filme que vale a pena ver, já que oferece uma perspectiva bem diferente daquilo que é comum neste tipo de filmes, em que não há violência gratuita ou saturação de patriotismo e mensagens políticas.

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