300 (2007)

Título Original
300

Género
Acção

Realizador
Zack Snyder

Argumentista
Zack Snyder, Kurt Johnstand e Michael B. Gordon

Elenco
Gerard Butler, Lena Headey, Dominic West, David Wenham e Michael Fassbender


O Rei de Esparta, Leónidas, e um exército de 300 soldados lutam contra o Império Persa nas Termópilas em 480 a.C.


Xerxes, imperador persa, reuniu um exército vasto para conquistar toda a Grécia.
Em resposta à iminente invasão, o general ateniense Temístocles propôs que os aliados gregos bloqueassem o avanço do exército persa no desfiladeiro das Termópilas, enquanto estes bloqueavam o avanço da marinha persa no estreito de Artemísio.

Assim, no Verão de 480 a.C, um exército formado por aproximadamente 7000 homens marchou para norte, para bloquear a passagem, contra o exército persa de 300 000 homens.
Apesar de estarem em número menor, os gregos conseguiram deter o avanço dos persas por 7 dias, três dos quais repletos de batalhas.
Foi Leónidas, rei espartano, que com este pequeno exército bloqueou o único caminho possível para os persas entrarem na Grécia.
Após o segundo dia de batalha, um residente local chamado Efialtes traiu os gregos, mostrando aos persas um caminho pelo qual poderiam atacar o exército grego pela retaguarda.

Sabendo que iria ser derrotado Leónidas mandou embora a maior parte do seu exército, ficando apenas em combate com 300 espartanos, 700 téspios e 400 tebanos.
E apesar de terem sido derrotados, nunca demonstraram medo, hesitação ou algo menos que coragem, honra e amor à sua pátria e ao seu povo.

O exército Persa viria a ser derrotado mais tarde, contudo foi esta Batalha, a das Termópilas que ficou gravada na história, e é aquela que tanto escritores modernos como antigos utilizam como exemplo de que uma força pequena pode defender à mesma, com relativo sucesso, a sua pátria e o seu território.

Resultado de imagem para 300 Poster

Inspirado por estes eventos históricos, Frank Miller criou em 1998 uma novela gráfica de duração limitada intitulada 300.

Esta novela gráfica romantizou um pouco os eventos, e em verdadeiro estilo de banda desenhada, tornou Leónidas e os seus 300 soldados nos heróis, e Xerxes e o seu enorme exército nos vilões.
Agarra em alguns factos verídicos, desde a consulta que Leónidas teve com os oráculos até ao local da batalha e algumas citações, mas tudo o resto acaba por ser pura fantasia.
Fantasia necessária para aumentar o efeito dramático e a acção, mas ainda assim, fantasia.

Em 2006, Zack Snyder realizou um filme baseado nessa novela gráfica, também intitulado 300.
E apesar do meu filme preferido de Zack Snyder ser Watchmen, que ele viria a realizar depois deste, 300 é uma das melhores adaptações de sempre de uma novela gráfica, ficando apenas atrás de Sin City.

Apesar do enorme sucesso de bilheteira, as críticas foram mistas.
Enquanto todos conseguiram reconhecer o quão majestoso o filme é em termos visuais, especialmente se considerarmos que foi filmado na sua totalidade dentro de um estúdio, muitos sentiram que o argumento e o desenvolvimento das personagens não foi o melhor ou mais apropriado, podendo até ser racista na forma como retrata os persas.

Concordo.

Em termos de visual, são poucos os realizadores que conseguem criar algo como Zack Snyder, o que me leva a crer em certas alturas que ele teria dado melhor cinematógrafo do que propriamente um realizador.
Ainda assim, ele já realizou vários filmes de que gosto muito, este incluído.

O argumento do filme, em termos de diálogo e narrativa, não é necessariamente fraco. Consegue criar uma história simples mas coerente, que apesar de previsível mesmo para aqueles que não conheçam os acontecimentos em que se baseia, não deixa de perder o poder ou a intensidade com que é encerrada.
Onde o argumento falha é no desenvolvimento das personagens. São tudo retratos muito superficiais e vazios, sombras de pessoas que nunca chegamos realmente a conhecer.
Os maus são maus e os bons são bons, no fundo é realmente toda a informação que recebemos.

Mas não consigo deixar de olhar para este filme como um feito único de construção cinematográfica.

Porque não é apenas o aspecto visual que cativa, o que realmente me surpreendeu é a forma como esse visual complementa o argumento e tudo aquilo que a história tenta contar.
O argumento deixa bem clara a magnitude do exército persa, o quão enorme e assustador ele é. Então, o filme em termos visuais irá fazer todos os possíveis para complementar essa informação, seja o chão a tremer quando o exército se move, as suas flechas a taparem o sol por serem tantas ou até mesmo a monstruosidade das suas caras para retratar que não têm escrúpulos e que são seres demoníacos na sua essência.

Até quando Leónidas e Xerxes se encontram, este último é retratado como tendo uns três metros de altura, para o espectador nunca esquecer a desvantagem numérica que os espartanos tinham, que eles estão realmente a remar contra a maré.

Snyder conseguiu criar aqui uma coordenação perfeita entre imagem e palavras, deixando todas as cenas a falar com o espectador, quer tenham diálogo ou não.

Antes de encerrar, deixo uma nota para a banda sonora de Tyler Bates, que consegue criar todo o ambiente metal e rock que um filme destes pede, sem destoar da época periódica em que se insere.

Já dei os meus parabéns a Snyder pelo aspecto visual do filme, mas tenho também de mencionar Larry Fong, o cinematógrafo que já trabalhou com o realizador em outros projectos.
Respeito muito o trabalho de um cinematógrafo, mas quando é feito num filme tão dependente de green screen e de luz e imagens que são digitais, fico sempre surpreendido quando o resultado final é tão majestoso.

Por fim, este foi o filme que lançou Gerard Butler para o estrelato e continua a ser um dos seus melhores papéis.
É uma pena este actor estar tão esquecido e ter feito escolhas tão más na sua carreira ao longo dos anos, porque é um actor de acção que demonstrou aqui uma promessa enorme.
Fassbender, por sua vez, é um dos melhores actores da actualidade e tem aqui a sua estreia no grande ecrã. É notoriamente um papel que fica muito aquém do seu talento e que não lhe permite desenvolver muito, mas fornece o suficiente para demonstrar o diamante bruto que este actor viria a ser.


Veredicto Final: 8/10

Uma das melhores adaptações de novelas gráficas que já vi, e sem dúvida alguma a melhor possível desta obra de Frank Miller.
Apesar do argumento pecar na forma como deixa todas as suas personagens por desenvolver, consegue criar uma narrativa coerente e interessante que juntamente com a acção e o maravilhoso aspecto do filme, irão agarrar o espectador e mantê-lo entretido do início ao fim.
Snyder cria aqui uma ligação tão forte entre imagem e argumento que a forma como se completam nas suas várias metáforas e simbolismos nunca deixa de me surpreender.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s