Crítica – Bates Motel: 1ª Temporada (2013)

Título Original
Bates Motel

Género
Drama

Criadores
Anthony Cipriano, Carlton Cuse e Kerry Ehrin

Elenco
Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke e Nestor Carbonell


Uma prequela contemporânea do filme Psycho, que fornece ao espectador uma interpretação do estado psicológico de Norman Bates antes dos eventos do filme, detalhando os seus anos de adolescência e o quão profunda era a sua relação com a sua mãe, Norma.


Psycho é um clássico de 1960, realizado pelo grande mestre do suspense, Alfred Hitchcock.
É um filme que vive muito do suspense, o que assusta mais o espectador, ou nos deixa mais à beira do nosso assento, é o mistério que há por trás de Norman Bates, em não sabermos o que levou aquele psicopata com sérios problemas emocionais a preservar o cadáver da sua mãe e agir como se esta ainda falasse com ele, ou agisse através dele.

Assim sendo, quando é criada uma série que irá supostamente explicar todo o passado da personagem, esse mistério desaparece, o que faz com que todo o suspense e todo o medo que tínhamos do desconhecido, também deixe de existir.
Ainda não houve nenhuma prequela sobre algum assassino do cinema que tenha acrescentado algo à história ou ao horror.

Com isso em mente, sou da opinião de que esta série não pode ser vista como uma prequela, ou necessariamente um reboot, mas sim uma reimaginação, uma espécie de Norman Bates que existe nalgum universo paralelo.
E julgo que os próprios criadores da série se aperceberam disso, já que a quinta e última temporada reconta os eventos do filme, mas de uma forma completamente diferente, contrariando a ideia inicial que promoveu a série: prequela.

Ao desligar-me do filme original, e desfrutando desta série como aquilo que ela realmente é – uma interpretação diferente da história que já conhecemos – consegui apreciar melhor todo o talento e trabalho que aqui é investido. Reconheço os vários aspectos em que homenageia o original, os easter eggs que inclui, mas respeito a forma como decidiram distinguir-se e cravar o seu próprio caminho.

A realização e a cinematografia estão muito bem trabalhadas, e nesse aspecto elogio também todo o departamento de efeitos práticos.
Conseguem jogar muito bem com o contraste de luz e de escuridão para apoiar aquilo que é supostos as personagens estarem a sentir.

Os argumentistas têm sucesso não só em criar um diálogo com alguma lógica, mas acima de tudo uma história carregada de tensão e suspense, com reviravoltas suficientes para prender o espectador.
Incomoda-me um pouco o facto de haver tanto crime na localização para onde eles se mudam, mas lá está, é uma interpretação diferente e seria necessário algo extra para ajudar a história a desenvolver-se.

Nas prestações, todo o elenco faz um bom trabalho, e acredito que só irá melhorar com o decorrer das temporadas.
Mas tem de haver nota de distinção para Farmiga e Highmore e a química que conseguem estabelecer logo de início entre sim.

Farmiga é uma actriz talentosa, com um longo currículo e inúmeras provas das suas capacidades, e com este papel de Norma pode acrescentar mais um sucesso à sua carreira.
Consegue ser carinhosa, inocente e preocupada, ao mesmo tempo que deixa bem claro todos os traumas psicológicos que já atravessou e que afectaram muito a sua forma de ser, especialmente para com o seu filho Norman.

Highmore é um actor que já andava há algum tempo a conseguir algum trabalho constante em alguns projectos infantis ou independentes, mas é aqui que a sua carreira enquanto actor realmente começa.
Não deve ter sido fácil encontrarem o actor que pretendiam para este papel tão denso, mas Highmore parece ter sido a escolha certa.
Tem um aspecto simpático e inocente e apoia muito da sua prestação exactamente nessas características, mas ainda que de forma muito subtil, o lado negro está sempre presente, seja num olhar mais intenso ou num sorriso mais tenso, Highmore consegue colocar toda essa informação na sua prestação em todos os momentos, e fá-lo parecer relativamente fácil e natural.


Veredicto Final
7/10

Bates Motel tem aqui uma primeira temporada decente, em que consegue estruturar bem a base da sua narrativa e começar a desenvolver as personagens com relativo sucesso.

Não deve ser visto necessariamente como uma prequela, apesar de ser esse o seu início, deve em vez disso ser interpretado como uma reimaginação da história que já conhecemos.

Com um bom argumento, cinematografia e prestações bem conseguidas por parte do elenco principal, Bates Motel consegue afastar-se o suficiente da história original para criar algo seu e de qualidade, ao mesmo tempo que tem muitos piscares de olho ao original para agradar aos seus fãs.

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